A tecnologia redefine modos de ver e ouvir — da fotografia à voz artificial

No artigo “Fotografia, voz e tecnologia”, o autor Gustavo Martins de Almeida discute como as inovações tecnológicas ao longo da história — como a fotografia no início do século XX — transformaram práticas culturais e suscitaram debates sobre arte, técnica e direitos legais. Ele relembra que, enquanto a fotografia demorou a ser reconhecida como forma de arte nas leis de direitos autorais, hoje tecnologias de conversão de texto em voz (TTS) e inteligência artificial estão provocando mudanças semelhantes no mercado editorial, especialmente no uso e produção de audiolivros, permitindo sintetizar vozes artificiais com variadas entonações e sotaques.

O texto ressalta que, embora a Constituição Federal proteja a voz humana, não há proteção legal clara para a voz artificial, gerando desafios jurídicos para narradores e dubladores diante da automação crescente dessa produção sonora. A tecnologia TTS já torna possível converter textos em áudio com agilidade, potencialmente substituindo parte do trabalho humano e levantando questões sobre autorização e remuneração na transformação de obras escritas em formatos falados.

O editorial conclui refletindo sobre os impactos dessas transformações tecnológicas no mercado editorial, ressaltando que avanços disruptivos continuam a moldar diferentes formas de consumo de conteúdo e exigem atenção dos profissionais e do Direito para acompanhar tais mudanças no uso de tecnologia aplicada à voz e à imagem.

Fonte: PublishNews — Fotografia, voz e tecnologia (15/01/2026).

Dados, pessoas e tempo de resposta: o seguro já opera na mesma lógica da tecnologia, diz CEO da Rainha Seguros

Regina Lacerda diz que a transformação digital tornou o seguro mais rápido e preciso e defende que empresas tratem proteção como camada de continuidade de negócios

A CEO da Rainha Seguros, Regina Lacerda, que liderou um painel com executivos de grandes grupos do setor durante a 7ª Mostra Brasília Mais TI, explica que a agenda de TI e a agenda do seguro já se encontram em três pontos: dados, pessoas e tempo de resposta. Na entrevista, ela detalha como o setor tem usado tecnologia para tornar o seguro mais justo e acessível, explica por que o Brasil ainda é subpenetrado em coberturas básicas e defende que benefícios corporativos e proteção cibernética devem entrar no radar de empresas de tecnologia como decisão de gestão e não apenas como custo.

Com 34 anos a frente da empresa, Regina Lacerda explica que a transformação digital chegou ao seguro de forma silenciosa, com precificação baseada em mais dados, assinatura eletrônica, indenização mais rápida e redução de fraudes com processos rastreáveis. Mas a medida que empresas de tecnologia ampliam sua exposição a riscos operacionais, contratuais e reputacionais — de vazamentos de dados à instabilidade de serviços — o seguro passa a ser percebido como instrumento de continuidade de negócios e proteção de riscos.  

Ao tratar de benefícios corporativos, a empresária explica que coberturas como planos odontológico, funeral e vida em grupo funcionam como instrumento de atração e retenção de talentos. “Com impacto bastante positivo contra absenteísmo e rotatividade”, explica.

Sinforme — Por que levar o seguro para um evento de tecnologia como o Brasília Mais TI?
Regina Lacerda — O seguro já depende de tecnologia para funcionar melhor, com mais precisão e menos fricção. Mas o setor costuma discutir isso entre si, em congressos e fóruns. No Brasília Mais TI, a proposta foi conversar com o público de TI: mostrar o que já mudou no seguro e por que empresas de tecnologia precisam olhar para proteção como parte do negócio.

Sinforme — Onde, na prática, TI e seguro se cruzam com mais força hoje?
Regina — Em três pontos: dados, pessoas e tempo de resposta. Dados porque precificação, risco e fraude passam por informação e rastreabilidade. Pessoas porque benefícios e proteção de vida e saúde impactam retenção e estabilidade. E tempo de resposta porque o tamanho do dano depende da capacidade de reagir rápido, seja num sinistro, seja num incidente operacional.

Sinforme — Executivos de grupos como Tokio Marine, Porto e GFT participaram do painel. Qual foi o principal recado?
Regina — O head de TI da Tokio Marine, o head de TI da Porto e uma diretora sênior da GFT vieram a Brasília exclusivamente para esse painel. Isso mostra que o seguro já se transformou por dentro com tecnologia e entendeu a importância do ecossistema de TI. A tecnologia, por sua vez, precisa acompanhar essa transformação.

Sinforme — O que vocês fizeram questão de colocar na mesa para o público de TI?
Regina — Três linhas. A primeira é a experiência do cliente: assinatura digital, fluxo documental mais rápido e sinistro com menos atrito. A segunda é a precificação: mais dados e modelos melhores tornam o preço mais aderente ao risco real. A terceira é a proteção digital, com seguro cibernético e a discussão de LGPD, vazamento de dados e continuidade.

Sinforme — O que muda para uma empresa de tecnologia quando ela passa a tratar seguro como parte da continuidade do negócio?
Regina — O risco operacional já é risco de negócio. Empresas de TI operam com exposição a pessoas, ativos, dados, responsabilidade e continuidade — e isso pede proteção. Ao mesmo tempo, tecnologia virou infraestrutura do seguro: precificação, subscrição, regulação de sinistros, prevenção de fraude e atendimento dependem de sistemas e automação. O evento ajuda a colocar esse tema no radar de quem decide.

Sinforme — O que mudou no seguro com a digitalização acelerada nos últimos anos?
Regina — Mudou a experiência do cliente e o fluxo de operação. O que exigia deslocamento, papel e etapas lentas hoje pode ser resolvido com assinatura eletrônica, envio estruturado de documentos e validação digital. Isso encurta o ciclo de indenização e melhora o serviço. O seguro evoluiu muito nos últimos cinco anos.

Sinforme — Mais dados e automação mudam a forma de precificar risco e isso chega no preço final?
Regina — Sim. O atuário trabalha com matemática e modelagem para precificar risco. Com mais dados e ferramentas melhores, a precificação tende a ficar mais aderente ao risco real. Isso tem efeito direto no consumidor e também no ambiente corporativo, porque permite calibrar melhor o custo de proteção.

Sinforme — E quanto a fraude pesa nessa conta — e onde a tecnologia reduz esse impacto?
Regina — Fraude é um dos fatores que pressionam preço. Quanto mais inconsistência e fraude, mais caro fica o sistema. A tecnologia reduz isso com rastreabilidade: vistorias estruturadas, registros organizados, evidência digital e menos espaço para manipulação de informação.

Sinforme — Em que ponto o seguro deixa de ser periférico e vira variável de continuidade para empresas de tecnologia?
Regina — Quando a empresa entende que risco não é exceção. Operação, dados, contratos e entregas podem falhar, e o que importa é a capacidade de responder. O seguro entra como instrumento de continuidade e de redução de dano. E empresas de tecnologia também ajudam o setor de seguros a avançar, com soluções mais simples e eficientes.

Sinforme — O seguro cibernético já entrou no radar do setor de TI?
Regina — O tema de perda de informação, indisponibilidade de sistemas e impacto em clientes ficou central. Um incidente não é só técnico: afeta contrato e reputação. O seguro cibernético faz parte dessa discussão, junto com governança e LGPD.

Sinforme — O que as empresas de TI precisam observar com mais atenção?
Regina — Que risco não é só ataque. Pode ser erro humano, falha de processo ou dependência de fornecedor. E o tamanho do prejuízo depende do tempo de resposta e da capacidade de recuperar operação.

Sinforme — A senhora tem defendido o seguro como instrumento de gestão. Qual é a lógica?
Regina — Benefícios são parte da estabilidade da empresa. Em tecnologia, a rotatividade custa caro porque leva junto conhecimento e continuidade de entrega. Coberturas coletivas como odontológico, vida e funeral têm custo relativamente baixo por pessoa e entregam valor real em momentos críticos.

Sinforme — O empresário costuma olhar isso como custo. Como a senhora traduz essa decisão?
Regina — Como previsibilidade. O seguro organiza o risco e reduz o impacto financeiro quando algo acontece. A empresa não controla tudo, mas pode se preparar para sofrer menos dano e responder melhor.

Sinforme — Para o empresário, qual é o ponto de partida para tratar proteção como parte da estratégia do negócio?
Regina — Começa por entender que seguro entra como continuidade e governança, porque dados, pessoas e tempo de resposta definem o tamanho do dano. Na prática, isso vira decisão: vida, saúde e odontológico para dar estabilidade à equipe; proteção patrimonial e de frota para resguardar ativos; e seguro cibernético quando a operação envolve dados, sistemas críticos e responsabilidade perante clientes. TI convive com risco todos os dias; o seguro organiza resposta e dá previsibilidade.

FAPDF abre calendário 2026 com editais voltados à difusão científica

A Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) deu início ao calendário de editais de 2026, lançando os primeiros chamados públicos voltados à difusão científica, com foco em ciência, tecnologia e inovação no Distrito Federal.

As chamadas fazem parte do Programa de Difusão Científica da FAPDF, que incentiva a publicação, divulgação e circulação do conhecimento científico, promovendo a participação de pesquisadores, estudantes e empreendedores em eventos e atividades de divulgação científica.

Os primeiros editais incluem:

  • FAPDF Publica — apoio à publicação de artigos científicos, com recursos destinados à visibilidade da produção local em periódicos nacionais e internacionais;

  • FAPDF Participa — incentivo à participação em eventos, cursos e congressos;

  • FAPDF Movimenta — financiamento para a promoção e organização de eventos científicos, tecnológicos e de inovação.

O lançamento dos editais já no início do ano permite que pesquisadores e inovadores tenham acesso antecipado às oportunidades de fomento, contribuindo para fortalecer o ecossistema de ciência e tecnologia no Distrito Federal.

Fonte: Agência Brasília — FAPDF abre calendário 2026 com editais voltados à difusão científica.
Foto: Divulgação/FAP-DF

Lei que reconhece a profissão de multimídia é sancionada no Brasil

Foi sancionada a Lei nº 15.325/2026, publicada no Diário Oficial da União em 7 de janeiro de 2026, que reconhece oficialmente a profissão de multimídia no Brasil, criando um marco legal para profissionais que atuam na produção e gestão de conteúdos digitais em diferentes plataformas.

A nova legislação define o profissional de multimídia como um trabalhador multifuncional, de nível técnico ou superior, apto a atuar em atividades como criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão e distribuição de conteúdos em mídias eletrônicas e digitais. A lei abrange desde a produção de vídeos e animações até o desenvolvimento de interfaces digitais, jogos eletrônicos e gestão de plataformas online.

O texto também prevê que profissionais de áreas correlatas que já desempenham funções similares poderão adaptar seus contratos para exercer atividades de multimídia, garantindo segurança jurídica e reconhecimento formal das competências exigidas pelo mercado atual.

A sanção da lei representa um avanço na estruturação legal do mercado de trabalho digital no Brasil, reforçando a importância da profissão em um contexto de expansão contínua da economia digital e da produção de conteúdo audiovisual e interativo.

Fonte: Senado Notícias / Diário Oficial da União — Lei nº 15.325/2026 reconhece a profissão de multimídia no país.

SINFOR-DF realiza primeira reunião da Comissão Organizadora da 8ª Mostra Brasília Mais TI

Evento discutirá temas relacionados à transformação digital, inovação e desenvolvimento econômico, em diálogo com a agenda pública e regulatória

O planejamento da 8ª Mostra de Tecnologia Brasília Mais TI começou com primeira reunião de trabalho, na sede do SINFOR-DF, em 29 de dezembro. O Brasília Mais TI é um dos principais eventos do setor de tecnologia da informação no Distrito Federal, por conectar empresas, entidades representativas, formuladores de políticas públicas, academia e o ecossistema de inovação.

“Mais do que uma vitrine de soluções, o evento contribui para a construção de agenda, o fortalecimento institucional do setor e a projeção de Brasília como polo de tecnologia e inovação”, explica o presidente do Sinfor-DF, Carlos Jacobino.

De acordo com o presidente da Comissão Organizadora, o empresário Carlos Alberto Freitas, a meta para este ano é ampliar o alcance do evento. “Decidi integrar a organização deste evento com o propósito de ampliar seu alcance, trabalhando para que o Brasília Mais TI transcenda a escala regional e se consolide como um evento de repercussão nacional e, futuramente, internacional”, afirmou.

Também participaram da reunião o vice-presidente executivo de Ensino a Distância, Comércio Eletrônico e Inclusão Digital, Eduardo Telles Palmeira; o membro do Colégio de Diretores para Desenvolvimento e Difusão da Tecnologia da Informação e Comunicação, Emilson Donizeth dos Reis; o vice-presidente executivo para Capacitação, Eventos, Comunicação e Marketing, José Renato Riella; a vice-presidente executiva para Assuntos Administrativos e Financeiros, Lúcia Soares da Silva; o membro titular do Conselho Fiscal, Paulo Rogério Foina; o superintendente do Sinfor, Fagner Andrade; e o representante da Central IT, Caio Coelho.

Espaço de articulação entre a agenda econômica, a transformação digital e as políticas públicas

A reunião reforçou o papel do Brasília Mais TI como espaço de articulação entre a agenda econômica, a transformação digital e as políticas públicas, refletindo a posição de Brasília como centro decisório e regulatório do país. A etapa inicial de planejamento tem como foco garantir alinhamento estratégico, clareza de escopo e consistência institucional.

A partir deste primeiro encontro, a Comissão Organizadora dará sequência a uma agenda de reuniões periódicas para aprofundar as discussões, definir responsabilidades e estruturar as próximas etapas da 8ª edição da Mostra.

Editorial critica nova lei que classifica “profissional de multimídia” sem distinção técnica

O editorial “A lei que confunde tecnologia com jornalismo” critica a Lei nº 15.325/2026, sancionada em 7 de janeiro de 2026, por reconhecer o “profissional de multimídia” como trabalhador multifuncional apto a produzir e distribuir conteúdos digitais sem distinção clara entre tecnologia e formação jornalística profissional. Segundo a análise, a medida “ignorou formação, método e ética do jornalismo”, misturando ferramentas tecnológicas com atributos que são específicos à prática jornalística tradicional.

O texto argumenta que o jornalismo vai além da produção de conteúdo: envolve apuração, método, responsabilidade pública, ética e conhecimento técnico específico, elementos que não podem ser substituídos por competências genéricas atribuídas a profissionais multifuncionais. Conforme o editorial, a nova lei não foi construída em diálogo com a categoria — como sindicatos, federações ou universidades — e “legitima a confusão” entre tecnologia e ofício jornalístico, o que pode fragilizar a credibilidade da informação e prejudicar a sociedade.

O editorial reforça que tecnologia é apenas um meio para produzir informação, enquanto princípios éticos e técnicos são essenciais para garantir qualidade e confiança no jornalismo profissional.

Fonte: Âncora1 — Editorial: A lei que confunde tecnologia com jornalismo (10/01/2026).
Foto: Arquivo/Âncora1

Inscrições do Programa Centelha DF são prorrogadas até 15 de janeiro de 2026

As inscrições para o Programa Centelha DF foram prorrogadas até o dia 15 de janeiro de 2026, dando mais tempo para que empreendedores, startups e inovadores do Distrito Federal submetam suas propostas. A iniciativa tem como objetivo estimular a criação de novos negócios inovadores, oferecendo apoio financeiro, capacitação e acompanhamento técnico para transformar ideias em empreendimentos de sucesso.

O Centelha DF é promovido pelo GDF em parceria com instituições de fomento e inovação, com foco em projetos que apresentem soluções tecnológicas e impacto econômico e social. Os interessados podem se inscrever e submeter seus projetos por meio da plataforma oficial do programa.

Com a prorrogação do prazo, a expectativa é ampliar a participação de equipes inovadoras nas diversas áreas de atuação, contribuindo para fortalecer o ecossistema de empreendedorismo e tecnologia na capital federal.

Fonte: Agência Brasília — Inscrições para o Programa Centelha DF são prorrogadas até 15 de janeiro de 2026.
Foto: Divulgação/FAPDF

https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/w/inscricoes-para-o-programa-centelha-df-sao-prorrogadas-ate-15-de-janeiro-de-2026

Artigo defende marco federal para regulamentar a Inteligência Artificial no Brasil

O artigo “Regulamentar a IA no Congresso para proteger direitos e inovação”, publicado no Congresso em Foco em dezembro de 2025, argumenta que o Congresso Nacional deve aprovar um marco regulatório federal para a inteligência artificial (IA), capaz de oferecer **coerência normativa, proteção a direitos fundamentais e estímulo à inovação tecnológica.

O autor ressalta que a IA já está presente em áreas como saúde, educação e serviços públicos, e que o crescimento rápido dessa tecnologia expõe lacunas legais que precisam ser preenchidas para evitar uma fragmentação normativa entre diferentes estados e níveis de governo. Pilares propostos incluem a classificação de sistemas por risco, a responsabilidade compartilhada de desenvolvedores e operadores por danos causados e a integração com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), exigindo avaliações de impacto de privacidade e restrições ao uso de bases sensíveis sem consentimento.

O artigo também sugere a adoção de mecanismos operacionais claros, como auditorias independentes, identificação obrigatória de conteúdo gerado por IA e uma estrutura institucional coordenada pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) em conjunto com agências setoriais competentes. Segundo o texto, uma regulação bem desenhada amplia a confiança dos usuários, reduz riscos de fraudes, atrai investimentos e estimula inovação responsável, além de mitigar riscos, como fraudes com deepfakes, que cresceram significativamente no Brasil em 2025.

O autor conclui que sem um marco federal claro e efetivo, o Brasil corre o risco de transformar uma vantagem tecnológica em fonte de desigualdade e insegurança jurídica, sugerindo que uma regulação equilibrada pode posicionar o país como referência responsável no cenário global da IA.

Fonte: Congresso em Foco — Regulamentar a IA no Congresso para proteger direitos e inovação (23/12/2025).

Planetário de Brasília recebe oficinas de ciência e exposição interativa gratuitas

O Planetário de Brasília está oferecendo ao público uma programação especial com oficinas de ciência e uma exposição interativa gratuitas, voltadas para todas as idades. As atividades fazem parte de um esforço para incentivar o interesse por temas científicos e ampliar o acesso a experiências educativas sobre astronomia e tecnologia.

A programação inclui oficinas práticas, em que os participantes podem aprender conceitos científicos de forma lúdica, além de uma exposição interativa que apresenta conteúdos relacionados ao universo, fenômenos naturais e princípios básicos da física e astronomia. As atividades são gratuitas e buscam proporcionar experiências educativas e experiências imersivas para crianças, jovens e adultos.

O Planetário funciona como um importante espaço de divulgação científica em Brasília, integrando ações educativas para escolas, famílias e comunidade em geral, com foco em estimular o pensamento crítico e a curiosidade sobre o cosmos.

Fonte: Agência Brasília — Planetário de Brasília recebe oficinas de ciência e exposição interativa gratuitas.
Fotos: Divulgação/Secti-DF
https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/w/planetario-de-brasilia-recebe-oficinas-de-ciencia-e-exposicao-interativa-gratuitas

A reforma tributária muda a lógica do negócio, não apenas o imposto, explica o contador

Gustavo Gualberto explica por que a nova tributação exige decisões antecipadas, redesenha cadeias de fornecedores e transforma o papel da contabilidade no Brasil

A reforma tributária não altera apenas alíquotas, regimes ou a forma de recolher impostos. Ela redefine, na prática, como as empresas se organizam, contratam, precificam e gerenciam caixa. É o que afirma o contador e especialista em planejamento tributário, Gustavo Gualberto. Ele tem acompanhado de perto a transição prevista entre 2026 e 2032. “A reforma tributária não é evento contábil. É uma mudança de engenharia operacional: cadeia, dado, preço e caixa”, explica o contador.

Nesta entrevista para o Sinforme, Gustavo Gualberto detalha como relações comerciais e decisões de precificação serão alteradas com a nova lógica de crédito tributário ao longo da cadeia. Ele explica os impactos do split payment sobre o fluxo de caixa das empresas e analisa os desafios específicos para optantes do Simples Nacional, especialmente prestadores de serviços inseridos em cadeias B2B.

O contador também aponta quais decisões precisam ser antecipadas já em 2026 — como o mapeamento de clientes e fornecedores, a revisão de custos e a leitura da posição da empresa na cadeia — para reduzir riscos e preservar competitividade durante a transição do novo sistema tributário.

Sinforme: Qual a principal mudança da reforma tributária para as empresas?

Gustavo Gualberto: A mudança central é o momento e a forma de organizar a tributação. É uma reforma que vai mexer com a gestão das empresas. Atualmente, em grande parte das empresas, a rotina é seguinte: emite a nota, fatura, apura no fechamento do mês, e paga depois. Na reforma, a lógica de crédito, a rastreabilidade da cadeia e o modelo de apuração passam a exigir uma leitura prévia do negócio: quem é o fornecedor? quem é o cliente? onde a empresa está na cadeia? Isso vira gestão porque impacta preço, contratação, margem e fluxo de caixa.

Sinforme: O que muda, na prática, na lógica de crédito com o IBS e a CBS em comparação ao sistema atual, e por que isso passa a influenciar decisões comerciais entre empresas?

Gustavo Gualberto: Estamos falando do crédito tributário no modelo do IBS e da CBS. A tendência do sistema é consolidar um modelo mais amplo de créditos ao longo da cadeia, e isso muda o comportamento de compra e venda entre empresas. O cliente passará a buscar o fornecedor também pela capacidade de gerar crédito.

Sinforme: A lógica de crédito do IBS e da CBS tende a pressionar empresas optantes do Simples Nacional a reverem seu enquadramento? Em que situações o Simples pode deixar de ser competitivo por não gerar crédito ao cliente?

Gustavo Gualberto: O ponto é menos “sair do Simples” como decisão automática e mais entender o incentivo econômico: se o cliente precisa tomar crédito, ele passa a preferir fornecedores que viabilizem esse crédito. Em cadeias B2B, esse efeito pode alterar a competitividade de prestadores de serviço e pequenos fornecedores, exigindo reprecificação e recontratação de estrutura tributária.

Sinforme: Isso deixa de ser apenas uma escolha tributária e passa a se tornar uma decisão comercial para as empresas?

Gustavo Gualberto: Vira. Porque, para alguns segmentos, o cliente pode dizer: “se você não me gera crédito, eu busco outro fornecedor”. A discussão deixa de ser só “quanto pago de imposto” e entra na estratégia de permanência em cadeias de fornecimento.

Sinforme: Quando a arrecadação e a apuração se tornam mais automatizadas, qual passa a ser o papel do contador e por que o modelo tradicional tende a se esgotar?

Gustavo Gualberto: Porque boa parte da contabilidade brasileira foi organizada por burocracia declaratória e apuração posterior. A reforma aumenta o peso da qualidade do dado fiscal, do documento eletrônico e da integração com sistemas de arrecadação e compensação. O contador ganha outra função: leitura de cadeia, modelagem de cenários, suporte de precificação e adaptação anual durante a transição.

Sinforme: O senhor associa essa mudança ao avanço de mecanismos como o split payment e ao uso de novas infraestruturas de pagamento, como o Drex. Onde essas ferramentas entram, na prática, na nova lógica de arrecadação?

Gustavo Gualberto: O que está no horizonte é um desenho em que o recolhimento fica mais “acoplado” ao fluxo financeiro e ao documento fiscal, com capacidade de automatização. O ponto prático para a empresa é: o imposto deixa de ser um valor que “fica rodando” no caixa até o mês seguinte. O sistema caminha para reduzir esse espaço de postergação.

Sinforme: Para uma empresa optante do Simples Nacional, o que muda efetivamente em 2026 com o início da transição da reforma??

Gustavo Gualberto: 2026 é abertura de transição. O efeito mais relevante para a empresa do Simples é preparar decisão operacional e comercial para o passo seguinte: mapear clientes e fornecedores, identificar cadeias que exigem crédito e organizar custos e precificação para 2027 em diante.

Sinforme: Que tipo de preparação prática uma empresa do Simples deveria fazer ao longo de 2026 para chegar a 2027 com menos risco?

Gustavo Gualberto: De janeiro a agosto: controle de custos e despesas; mapeamento de clientes e fornecedores; leitura de cadeia (quem compra de você e para quê); e simulações de preço considerando cenários de crédito. A decisão operacional para o ano seguinte tende a ser tomada com base nessa leitura.

Sinforme: E no caso de profissionais que atuam como PJ prestando serviço para uma única empresa, o que muda com o novo modelo de crédito?

Gustavo Gualberto: A conversa precisa acontecer com o cliente. Se o cliente está no meio de cadeia e precisa tomar crédito, ele vai pressionar o fornecedor (o PJ) a operar de modo que viabilize esse crédito. Se o cliente está no fim da cadeia (consumo final), a pressão diminui. É uma mudança com potencial de alterar relações de trabalho travestidas de contratação PJ, porque crédito vira variável econômica na tomada de serviços.

Sinforme: E pode impactar o caixa da empresa?

Com a reforma tributária, especialmente com mecanismos como split payment, a lógica muda. O imposto passa a ser recolhido no momento da transação e “intervalo financeiro” desaparece. O valor do tributo não vai mais integrar o caixa disponível da empresa. Por isso, as empresas que tratam imposto como caixa de curto prazo vão precisar se adaptar. Se o recolhimento ficar mais acoplado à transação, esse “giro” some. O efeito é fluxo de caixa mais pressionado e necessidade de gestão financeira mais disciplinada.

Sinforme: E sobre penalidades?

Gustavo Gualberto: Penalidades e obrigações acessórias ganham relevância porque a base do sistema é documento eletrônico e consistência de dados. O desenho vai se completar por regulamentações. A transição é longa, e a empresa vai recalibrar preço e operação ano a ano até o sistema estabilizar.

Sinforme: Em uma frase, qual é o principal alerta que o empresário deveria reter diante dessa transição?

Gustavo Gualberto: Que reforma tributária não é evento contábil. É uma mudança de engenharia operacional: cadeia, dado, preço e caixa.

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