CIIA pretende impulsionar inteligência artificial no Distrito Federal em 2026

O Centro Integrado de Inteligência Artificial do Distrito Federal dá acesso a 160 cursos gratuitos em 9 especializações pela plataforma Grow with Google

O coordenador do Centro Integrado de Inteligência Artificial (CIIA), Ricardo Sampaio, afirma que o CIIA-DF foi criado para pensar inteligência artificial como política pública. Para o início de 2026, a meta é entregar um planejamento com estratégias definidas para o desenvolvimento de soluções, voltada para à adoção estruturada de IA, com orientação sobre os investimentos do governo, a atuação da indústria e a formação de competências em áreas prioritárias de serviços públicos.

A atuação do CIIA se estrutura em três frentes: um sistema de governança baseado na tríplice hélice — governo, setor produtivo e academia —, quatro eixos operacionais que organizam pesquisa, inovação, desafios e capacitação, e um laboratório multiusuário que coloca infraestrutura avançada de IA à disposição do Distrito Federal.

Na entrevista a seguir, o coordenador do CIIA, Ricardo Sampaio, detalha como esse desenho cria demanda concreta para a indústria de tecnologia e amplia a capacidade do governo de contratar soluções inovadoras. Mas ressalta que, uma das principais preocupações, é com a capacitação da população e dos trabalhadores.

“Estamos capacitando tanto startups quanto qualquer funcionário da indústria que queira trabalhar com tecnologia. Estamos com 160 cursos em 9 especializações, em um parceria com Google. São cursos gratuitos pelo CIIA, porque esses cursos custam mais de US$ 200”, explica Ricardo Sampaio.

Sinforme — Para começar, o que é o CIIA e qual é o seu papel dentro do governo?
Ricardo Sampaio — O CIIA é o Centro Integrado de Inteligência Artificial do Distrito Federal. Ele nasce com o objetivo de ser o centro do governo para pensar, de forma estratégica, as demandas relacionadas à inteligência artificial. Quando falamos de IA, não estamos falando apenas de ferramentas como o ChatGPT. Estamos falando de automação de serviços, análise de dados em larga escala, otimização de processos e de praticamente tudo o que hoje atravessa a tecnologia da informação. A IA se tornou uma tecnologia de uso geral, presente inclusive em camadas de infraestrutura e hardware.

Sinforme — E por que um centro de IA dentro do governo?
Ricardo Sampaio — Historicamente, os centros de inteligência artificial no Brasil e no mundo se concentraram na academia ou em grandes empresas de tecnologia, as big techs, que investem fortemente em pesquisa. O CIIA se posiciona de forma complementar, como um centro de pesquisa aplicada do governo. Em Brasília, isso tem um peso especial, porque o governo é o maior comprador do país e o principal indutor de demanda tecnológica. As soluções desenvolvidas para secretarias e órgãos públicos inevitavelmente geram demanda para a indústria, que é quem faz a sustentação, a evolução e a escala dessas soluções.

Sinforme — Muito se fala da tríplice hélice. Como ela opera na prática no DF?
Ricardo Sampaio — A tríplice hélice, que é a reunião do governo, academia e setor produtivo, aparece em praticamente todos os ecossistemas tecnológicos maduros. O Vale do Silício é um exemplo clássico: universidades fortes formam pessoas e conhecimento, o governo investe em pesquisa e cria ambiente regulatório, e o setor produtivo transforma isso em soluções. No DF, o desenho é semelhante, mas com uma característica própria: o peso do governo como demandante.

Sinforme — Como isso se traduz nas ações do CIIA?
Ricardo Sampaio — O CIIA capta recursos públicos e articula a academia para desenvolver soluções de ponta para problemas reais do governo. Essas soluções são entregues às secretarias como provas de conceito, as POCs. A partir daí, entra a indústria, que tem a capacidade de dar continuidade, suporte, melhoria e escala. É nesse ponto que surgem oportunidades concretas para empresas de tecnologia.

Sinforme — Como o CIIA estrutura essa operação no dia a dia?
Ricardo Sampaio — Trabalhamos a partir de quatro eixos. O primeiro é o eixo de pesquisa, voltado ao desenvolvimento de soluções aplicadas a problemas concretos apresentados pelas secretarias. O segundo é o eixo de inovação e empreendedorismo, que envolve a aproximação com startups e empresas, com encontros periódicos e troca constante. O terceiro é o eixo de desafios, em que problemas são lançados para que a sociedade e o ecossistema proponham soluções, em modelos próximos a hackathons ou crowdsourcing. O quarto eixo é o de treinamento e capacitação, que prepara pessoas para desenvolver, contratar e utilizar essas tecnologias.

Sinforme — Quais áreas concentram as primeiras iniciativas?
Ricardo Sampaio — Começamos por áreas com grande impacto social e operacional, como saúde, educação, mobilidade urbana, agricultura e políticas para mulheres. Há projetos em discussão com a Secretaria de Mobilidade, a Secretaria da Mulher, a Secretaria de Agricultura e a Secretaria de Saúde, sempre partindo de dores claramente identificadas.

Sinforme — De onde surgem essas demandas?
Ricardo Sampaio — Elas vêm diretamente do governo. Diferente do mercado privado, onde muitas vezes se tenta vender uma solução que talvez encontre um problema, aqui partimos da dor concreta. Na saúde, por exemplo, a grande questão é o complexo regulador, a fila. Como tornar a marcação de consultas e exames mais eficiente? Quando isso melhora, há impacto direto na contratação de serviços, inclusive da indústria que presta apoio à área da saúde.

Sinforme — Pode dar exemplos de soluções em desenvolvimento?
Ricardo Sampaio — Há propostas em mobilidade urbana envolvendo o uso de câmeras em ônibus para identificação de pessoas em situação de busca, projetos com drones para logística e entregas, soluções de mapeamento da produção agrícola local para abastecimento da rede pública de ensino, além de propostas em discussão para atendimento a mulheres em situação de risco por meio de sistemas de conversação em tempo real.

Sinforme — Como entra o Contrato Público para Solução Inovadora (CPSI)?
Ricardo Sampaio — Quando entregamos uma POC, ela já vem preparada para contratação via CPSI, prevista no Marco Legal das Startups. É uma modalidade que aceita risco e permite contratos de até R$ 1,4 milhão para dar continuidade à solução. No nível federal, já é utilizada por órgãos como Petrobras e CNJ. No DF, ainda é pouco explorada. O papel do CIIA é dar segurança técnica e institucional para que os gestores públicos utilizem esse instrumento, o que abre oportunidades claras para a indústria.

Sinforme — Como o CIIA trabalha o letramento e a capacitação em IA?
Ricardo Sampaio — A capacitação é transversal a tudo. Trabalhamos com diferentes públicos: estudantes do ensino médio e universitário, gestores públicos e profissionais da indústria. Hoje, oferecemos acesso gratuito a mais de 160 cursos por meio de licenças educacionais e nove especializações com certificação. Também há capacitações presenciais em parceria com a Escola de Governo. Já ultrapassamos a marca de mil pessoas capacitadas no DF.

Sinforme — Como o interessado acessa essas formações?
Ricardo Sampaio — Pelo site do CIIA ou pela nossa comunidade no Discord. A ideia é manter esse acesso aberto, justamente para ampliar a base de competências do ecossistema local.

Sinforme — Qual é o papel do laboratório dentro do CIIA?
Ricardo Sampaio — O Laboratório Multiusuário de Inteligência Artificial, o LIA, é a terceira perna dessa estrutura. A ideia é chegar, até o fim de 2026, a um parque com mais de R$ 8 milhões em infraestrutura, especialmente GPUs de alto desempenho, fundamentais para o treinamento de modelos de IA. Ao disponibilizar essa infraestrutura em modelo colaborativo, tornamos viáveis projetos que seriam economicamente inviáveis para empresas ou instituições isoladas.

Sinforme — Quem pode usar esse laboratório?
Ricardo Sampaio — O laboratório atende tanto demandas do governo quanto demandas locais do ecossistema. Diferente de estruturas fechadas, ele existe para desenvolver competências e soluções no DF, com impacto direto sobre serviços públicos e sobre a indústria.

Sinforme — Como o senhor resume a lógica do CIIA?
Ricardo Sampaio — O CIIA se organiza a partir de uma tríade: governança, quatro eixos operacionais e laboratório. A governança pensa o todo, como melhorar serviços públicos, formar pessoas, atender à indústria e garantir acesso à tecnologia para quem tem e para quem não tem recursos. A inteligência artificial precisa servir à população como um todo. Esse é o princípio que orienta todas as decisões.

Space Today 2025 transforma Brasília em palco da ciência e da inovação

Brasília será sede do Space Today 2025, evento que vai transformar a capital federal em um grande polo de ciência, tecnologia e inovação, reunindo especialistas, pesquisadores, estudantes e entusiastas do setor espacial e científico. A iniciativa busca aproximar o público de temas ligados à exploração espacial, astronomia, inovação tecnológica e educação científica.

A programação contará com palestras, painéis e atividades interativas, promovendo debates sobre avanços científicos, novas tecnologias e o papel do Brasil no cenário espacial e tecnológico global. O evento também pretende estimular o interesse de jovens e estudantes por carreiras científicas, fortalecendo a cultura da inovação e do conhecimento.

O Space Today 2025 integra ações de divulgação científica e posiciona Brasília como um importante espaço de diálogo sobre ciência, tecnologia e futuro, conectando especialistas e sociedade em torno de temas estratégicos para o desenvolvimento do país.

Fonte: Visite Brasília — Space Today 2025 transforma Brasília em palco da ciência e da inovação: https://visitebrasilia.com.br/noticias/space-today-2025-transforma-brasilia-em-palco-da-ciencia-e-da-inovacao

Ministério da Educação e Serpro lançam plataforma MEC Normas para centralizar a legislação educacional

O Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), lançou em 9 de dezembro de 2025 a plataforma MEC Normas, um repositório digital organizado, atualizado e pesquisável que reúne a legislação educacional federal em um único sistema.

A solução foi desenvolvida para unificar, padronizar e facilitar a consulta de mais de quatro mil atos normativos relacionados à educação brasileira — antes dispersos em diferentes fontes e formatos — oferecendo acesso público e transparente às normas que orientam políticas, programas e a gestão das diversas etapas da educação, desde a educação infantil até o ensino superior.

Segundo o MEC, o sistema já está disponível e permite pesquisa por relevância ou por ordem cronológica, com atualizações diárias a partir de extrações automatizadas do Diário Oficial da União (DOU). Futuramente, o uso de inteligência artificial deve ampliar ainda mais a capacidade de pesquisa avançada.

Autoridades destacaram que a plataforma não só amplia a transparência pública, mas também fortalece o planejamento e a gestão educacionais, ao facilitar a localização e o entendimento das normas que regem políticas públicas e ações do MEC.

Fonte: Serpro / Ministério da Educação — Com tecnologia Serpro, Ministério da Educação lança o MEC Normas.

MCTI e Finep lançam dois editais do Pró-Infra com R$ 1 bilhão em investimentos

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciaram, em 10 de dezembro de 2025, a publicação de dois novos editais do programa Pró-Infra, que somam R$ 1 bilhão em investimentos para fortalecer a infraestrutura científica e tecnológica do Brasil.

Os recursos serão aplicados em duas chamadas públicas:

  • Pró-Infra Expansão 2025 — com R$ 500 milhões destinados a apoiar Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs), públicas ou qualificadas como comunitárias, na ampliação e modernização de laboratórios, compra de equipamentos, elaboração de projetos de engenharia e execução de obras complexas.

  • Pró-Infra Centros Temáticos — com R$ 500 milhões para financiar projetos em áreas estratégicas consideradas prioritárias para o desenvolvimento nacional, como cadeias agroindustriais sustentáveis, infraestrutura urbana e mobilidade, transformação digital, bioeconomia e transição energética, complexo da saúde e tecnologias de interesse para soberania e defesa.
  • A ministra do MCTI, Luciana Santos, afirmou que os investimentos representam um avanço importante para a soberania tecnológica e competitividade do país, ao fortalecer a capacidade de pesquisa das universidades, centros de pesquisa e instituições parceiras em diversas regiões do Brasil. Serviços e Informações do Brasil

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) — MCTI e Finep anunciam dois novos editais do Pró-Infra com investimentos que chegam a R$ 1 bilhão (publicado em 10/12/2025).
Foto: Luara Baggi (ASCOM/MCTI)

 

Prêmio Nacional de Inovação recebe 88 inscrições na categoria Lei do Bem

O 9º Prêmio Nacional de Inovação registrou 88 inscrições de empresas na categoria Lei do Bem, modalidade que reconhece projetos inovadores apoiados pelos incentivos fiscais da legislação federal de incentivo à inovação.

A categoria foi adicionada nesta edição do prêmio para destacar iniciativas empresariais que utilizam a Lei do Bem — principal instrumento de fomento à pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica no setor privado brasileiro.

O Prêmio Nacional de Inovação é uma iniciativa que reúne o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Sebrae e outras entidades do ecossistema para reconhecer as melhores soluções tecnológicas e práticas inovadoras no país, em diversas categorias e eixos temáticos.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) — Prêmio Nacional de Inovação recebe 88 inscrições de empresas na categoria Lei do Bem
Foto: Divulgação/CNI

Tecnologias nas Guerras: A Criatividade Humana e o Futuro

O colunista Gilberto Namastech, no iG Tecnologia, discute como a criatividade humana sempre esteve presente no desenvolvimento de tecnologias militares — muitas das quais tiveram impacto decisivo em conflitos e, posteriormente, em partes da vida civil. Ele traça uma linha histórica que vai desde invenções antigas, como o estribo que transformou a cavalaria, até inovações contemporâneas como drones e guerra cibernética, mostrando que grande parte da tecnologia que hoje conhecemos passou por aplicação bélica em algum momento.

O texto ressalta que, ao longo dos séculos, armas e ferramentas de combate impulsionaram avanços tecnológicos como a pólvora, veículos submarinos e aviação militar, com efeitos que moldaram estratégias militares e estruturas de poder global. Conflitos modernos, como o entre Rússia e Ucrânia, ilustram o papel central de tecnologias como drones e ataques digitais, que mudaram a natureza dos combates e reduziram distâncias físicas entre agressor e alvo.

Namastech também aborda o futuro da guerra, apontando para robótica autônoma, inteligência artificial e bioengenharia aplicada a soldados como possíveis próximos grandes vetores de inovação militar — com profundas implicações éticas. Além disso, ele destaca as consequências sociais e ambientais decorrentes de conflitos armados, incluindo desigualdades tecnológicas entre nações e o impacto ecológico das atividades bélicas.

O autor conclui com um convite à reflexão ética, questionando se a humanidade deve continuar a direcionar sua criatividade para destruição ou redirecioná-la a fins pacíficos e regenerativos, como a solução de desafios globais e a promoção de cooperação internacional.

Fonte: iG Tecnologia, coluna de Gilberto Namastech — “Tecnologias nas Guerras: A Criatividade Humana e o Futuro”.

Presidente do Sinfor-DF, Carlos Jacobino, recebe prêmio AI EXPERIENCE Awards 2025

Evento em Brasília reuniu representantes do setor público, pesquisadores e executivos para destacar iniciativas que impulsionam o uso de IA no país

O fortalecimento de Brasília como referência nacional em tecnologia e inovação tem sido sustentado por lideranças que transformam visão em política pública e oportunidades concretas para empresas e cidadãos. Nesse contexto, o presidente do Sinfor-DF, o empresário Carlos Jacobino recebeu o prêmio Personalidade de IA no EXPERIENCE Awards 2025.

“A Inteligência Artificial está permitindo que Brasília avance com mais precisão nas escolhas que moldam seu futuro. Cada movimento que amplia a presença da tecnologia no cotidiano do cidadão fortalece a competitividade do nosso território. Esse prêmio alcança todas as pessoas que constroem esse ambiente em que inovação se traduz em novos serviços públicos, novas empresas e mais oportunidades”, afirma Jacobino.

O prêmio é organizado pela Giant Inovação e reuniu representantes do setor público, pesquisadores e executivos para reconhecer iniciativas que impulsionam o uso da Inteligência Artificial no país. A edição deste ano destacou a expansão de projetos de IA em áreas estratégicas e a crescente integração entre governo, empresas e universidades.

Segundo a coidealizadora do AI EXPERIENCE e head de Relacionamentos Estratégicos da GIANT Inovação, Eliane Raye Vallim, a premiação busca evidenciar contribuições que influenciam a modernização de serviços públicos, a competitividade empresarial e a formação de profissionais para setores tecnológicos em ascensão.

Nos últimos anos, Jacobino tem atuado em iniciativas que aproximam empreendedores, governo e instituições de pesquisa em projetos de transformação digital no Distrito Federal. Ele participa de articulações que buscam ampliar o uso de soluções baseadas em IA em serviços públicos e em programas de qualificação tecnológica, movimento que contribui para o fortalecimento do ecossistema local de inovação.

Vice-governadora do DF, Celina Leão, também é homenageada

Também foram homenageados a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão; o diretor de tecnologia da Microsoft Brasil, Ronan Damasco; o professor Anderson Soares, da Universidade Federal de Goiás, responsável pelo Centro de Excelência em Inteligência Artificial; e o presidente da Associação Comercial do Distrito Federal, Fernando Brites; o Presidente da FAPDF, Leonardo Reisman; o Presidente da BIOTIC, Gustavo Henrique.

Em comum, os premiados atuam em frentes distintas ligadas ao avanço da inovação e à adoção de novas tecnologias em escala regional e nacional.

“A presença de lideranças públicas e privadas na lista de reconhecidos reflete a consolidação de Brasília como um polo emergente de inovação”, explica a coaidealizadora do prêmio. A capital tem recebido centros de pesquisa, programas de incentivo e eventos dedicados à modernização da administração pública e ao desenvolvimento de soluções tecnológicas, ampliando sua participação no cenário nacional de tecnologia.

Da engenharia das urnas ao compliance com IA: as apostas de quem estruturou tecnologia no DF

Nesta entrevista, Avaldir Oliveira conta como construiu das mais importantes empresas de TI do Brasil e fala da sua aposta para o futuro

A trajetória de Avaldir Oliveira se confunde com a consolidação da tecnologia no país. Na década de 1990, ele saiu de uma sala de 27 m² para construir uma das maiores e mais importantes empresas brasileiras de tecnologia da informação do Brasília, a CTIS Tecnologia.

Atualmente, aos 74 anos, com a CTIS vendida e uma trajetória marcada por disciplina e expansão nacional, ele percorre um novo caminho: investir em soluções de compliance com inteligência artificial, CRM para grandes operações, acessibilidade digital em Libras e educação gratuita com alto alcance social.

“Por décadas tive disciplina para trabalhar 12 horas por dia. Eram 8 horas no operacional e 4 horas no planejamento. Mas resolvi não me aposentar. Hoje invisto em 4 startups que resolvem problemas reais”, conta o empresário-investidor.

Acompanhe os principais trechos da conversa com o Sinforme:

 

Sinforme — A CTIS surgiu em um momento em que não se fala ainda em TI? O que levou o senhor e entrar em um território tão desconhecido e criar a CTIS?
Avaldir Oliveira — Minha formação é em processamento de dados, como se chamava na época. Em 1983 eu chefiava o departamento de informática da companhia energética de Brasília. Mas eu sentia que podia contribuir mais e não me encaixava em uma rotina acomodada de serviço público. Em 1985, aos 31 anos, casado e com três filhas, abri a CTIS com um sócio, uma secretária e um office boy, em uma sala de 27 metros quadrados. Fazíamos consultoria, treinamento e, em seguida, passamos a desenvolver software.

Sinforme — O início coincidiu com o período de hiperinflação. Como foi atravessar essa fase?
Avaldir — Foi um exercício diário de sobrevivência. Juros altíssimos, inflação corroendo margens, contratos perdendo valor de um mês para o outro. Houve fase de “carro zero para carro usado”, como costumo dizer. A empresa se manteve em pé com persistência. Mas tínhamos também uma gestão rigorosa de caixa e relacionamento próximo com clientes.

Sinforme — Qual episódio marcou o ponto de virada da CTIS?
Avaldir — Em 1987 ou 1988, tínhamos um contrato pequeno com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que estava perto do fim. Em um sábado, recebi ligação de um diretor do Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo um trabalho urgente. Mas era fim de semana e nenhuma empresa estava aberta. Fomos com um desktop inteiro debaixo do braço, torre, monitor e teclado, e entregamos o serviço. Esse trabalho nos ajudou a pavimentar a entrar no STF. Pulamos de cerca de dez para cem pessoas e, na eleição de 1989, chegamos a mobilizar aproximadamente 400 profissionais entre analistas e suporte. Foi o momento em que o tribunal estruturou de vez a área de tecnologia, e a CTIS fez parte desse arranque.

Sinforme — A empresa se tornou uma referência nacional. Como se deu essa expansão?
Avaldir — Entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, passamos a atuar com contratos mais complexos e presença em quase todas as capitais. Entramos forte em varejo com soluções de CRM, captura de notas fiscais, cadastros, campanhas e relacionamento. Em 2013, a CTIS já era uma empresa de tecnologia de capital nacional relevante, com atuação em software e serviços. Em 2014, vendi o controle para um grupo chileno, que realizava uma série de aquisições no Brasil, incluindo a CTIS. Permaneci como executivo até 2018, acompanhando integração, governança e consolidação da operação.

“Saí do operacional. Hoje escolho problemas grandes e times que podem resolvê-los”

Sinforme — Qual é a sua atuação hoje, depois da venda e da saída da gestão direta?
Avaldir — Atuo como investidor-anjo e conselheiro. Gosto de escolher segmentos com dores claras, modelo escalável e times com capacidade real de execução. Hoje tenho participação em quatro startups que seguem essa lógica.

Sinforme — Quais são essas startups e o que cada uma entrega?
Avaldir —

  1. GetCompliance – Plataforma de conformidade e segurança da informação com uso intensivo de inteligência artificial. Ela coleta e organiza comunicações corporativas, como e-mails e WhatsApp corporativo, além de documentos e anexos, em um repositório de auditoria. A IA busca indícios de risco: assédio moral ou sexual, fraude em notas fiscais, práticas anticoncorrenciais, racismo, corrupção e outras condutas sensíveis. Cada tipo de alerta dispara um fluxo específico, que pode envolver Jurídico, RH, Financeiro ou a área de Compliance. A tecnologia reduz perdas e ainda cria atenuantes perante órgãos de controle se algum episódio ocorrer. Hoje temos algo em torno de cinco a seis clientes ativos e um funil com cerca de 30 prospectos, começando por Brasília e expandindo via parceiros.
  2. Inc (CRM & campanhas) – Solução de CRM e campanhas para shopping centers e redes de supermercados. Faz gestão de cadastros, captura de notas, cupons, sorteios e campanhas de relacionamento. Atende, entre outros, Brasília Shopping e Terraço Shopping, e há mais de dez shoppings de grande porte em fase de negociação ou contratação.
  3. Libera – Plataforma de acessibilidade digital em Libras. É um widget que traduz conteúdo de sites para Libras, ajusta contraste e tamanho de fonte e oferece avatar ou intérprete para vídeos. Também atende centrais de atendimento via vídeo, acionando intérpretes sob demanda, em um modelo próximo a um “Uber” de Libras. Já são cerca de 300 clientes, e um dos casos é o Bradesco, que usa a tecnologia em vídeos de treinamento. A tendência regulatória caminha para exigência de acessibilidade e aplicação de penalidades, o que torna esse mercado bastante promissor.
  4. Passei.ai – Preparatório gratuito para o Enem com apoio de IA. Carregamos 12 anos de provas e dezenas de milhares de questões. A plataforma monta simulados mensais, corrige automaticamente e cria trilhas personalizadas com videoaulas curtas, de cerca de cinco minutos, por habilidade. Há ranking e possibilidade de parcerias com universidades, que podem oferecer bolsas e benefícios para os alunos com melhor desempenho. O modelo de negócios se baseia em publicidade, com banners e vídeos curtos, e em acordos com instituições de ensino.

Sinforme — Por que começar justamente por uma solução de compliance?
Avaldir — Porque ética, dados e reputação caminham juntos. Uma empresa cliente sofreu uma fraude de aproximadamente R$ 5 milhões ao longo de três anos. Com uma plataforma estruturada de governança, a chance de detectar o problema cedo e reduzir ou até eliminar esse prejuízo seria muito maior. Compliance desenhado com tecnologia tende a se pagar, pelo que evita de perdas financeiras, crises e sanções regulatórias.

Sinforme — Como funciona o monitoramento de mensagens, especialmente no WhatsApp?
Avaldir — Trabalhamos apenas com WhatsApp corporativo, dentro de uma política clara de uso e com consentimento formal. O objetivo é governança, não vigilância. A empresa define quais canais e quais tipos de mensagens entram no repositório de auditoria, da mesma forma que faz há anos com e-mails corporativos. A inteligência artificial não substitui o julgamento humano. Ela identifica padrões e indícios e encaminha para as equipes responsáveis decidirem.

Sinforme — Que papel a inteligência artificial passou a ter nessa nova fase?
Avaldir — A inteligência artificial está presente nas quatro teses. No GetCompliance, filtra milhões de sinais, cruza variáveis e ajuda a priorizar riscos relevantes. No Passei.ai, gera simulados, corrige provas, identifica defasagens e monta trilhas personalizadas de estudo. Na Libera, treina modelos para reconhecer centenas de milhares de sinais de Libras e tornar a interação mais fluida. Na Inc, organiza dados de comportamento de consumo e melhora a segmentação de campanhas. A IA amplia a capacidade dos times. Não substitui gente preparada; potencializa.

Sinforme — Que conselhos senhor daria a quem está começando a empreender em tecnologia hoje?
Avaldir — Trabalho consistente vence improviso. Recomendo uma fase longa de 12 horas por dia: oito horas no operacional e quatro horas em planejamento, análise e construção de futuro. Quando se soma essa disciplina por 20 anos, o resultado é um volume de horas dedicadas muito superior ao da média dos concorrentes. Somo a isso uma forma de olhar o mundo: tudo funciona como vitrine de ideias e problemas que podem ser resolvidos. Valores claros e rede de relacionamentos bem cuidada fortalecem a trajetória, porque ninguém cresce sozinho. E existe a vida pessoal: presença qualitativa com a família, cuidado com saúde. Faço academia de madrugada e jogo tênis cinco vezes por semana. Disciplina cria base para atravessar ciclos bons e ruins.

Sinforme — Como o senhor enxerga hoje o mercado de tecnologia no Distrito Federal?
Avaldir — O DF tem um ecossistema forte, com empresas experientes em projetos complexos, especialmente na área pública. Essa trajetória criou competências importantes. O movimento que enxergo para os próximos anos está na ampliação do peso do setor privado, com serviços de inteligência artificial, governança, segurança da informação e soluções escaláveis para fora de Brasília. Quem conseguir posicionar times, produtos e comercial nessa direção tende a ganhar escala.

Sinforme — O que fica depois de quatro décadas de atuação em tecnologia?
Avaldir — Não existe fórmula única. O que se observa são ingredientes recorrentes: trabalho consistente, planejamento, ética, resiliência, capacidade de ler o timing e respeito às pessoas. Esse respeito inclui quem saiu da empresa para empreender e continua contribuindo para o setor. Sempre digo que, enquanto a pessoa está na empresa, a empresa ocupa um lugar importante no coração dela; quando ela sai, uma empresa nasce no coração dessa pessoa. Esse efeito multiplicador ajuda a construir um ecossistema.

Presidente do Sinfor-DF defende criação de Conselho de Transformação Digital e empresa pública de TI durante reunião do Codese-GDF

Propostas apresentadas pelo Sinfor-DF visam fortalecer a transformação digital no Distrito Federal, ampliar a oferta de serviços públicos modernos e reduzir barreiras burocráticas para inovação.

O presidente do Sinfor-DF, Carlos Jacobino, defendeu que o Governo do Distrito Federal priorize investimentos em tecnologia nas áreas de educação, saúde, telemedicina e segurança pública, após um ciclo intenso de obras públicas, com mais de seis mil entregues. A declaração foi feita, nesta quinta-feira (4/12), durante a 6ª Reunião de Governança do Codese-GDF, no auditório do Sinduscon-DF.

Jacobino reforçou a necessidade de elevar o desempenho do Distrito Federal no Índice ABEP-TIC de Oferta de Serviços Públicos Digitais (IOSPD). Embora reconheça avanços recentes, como melhorias nos canais de atendimento, entre eles o 156, ele destacou que o DF ainda tem grande potencial de evolução, especialmente quando comparado a outros estados brasileiros.

Para acelerar esse processo, o Sinfor-DF apresentou ao governo a criação do Conselho de Transformação Digital do Distrito Federal e a instituição de uma empresa pública de tecnologia da informação. Segundo Jacobino, o DF é a única unidade da federação sem uma estrutura dedicada exclusivamente à transformação digital, tarefa atualmente vinculada à Secretaria de Economia. “A ausência desse órgão gera entraves burocráticos e dificulta a atração de projetos de inovação voltados ao cidadão”, explicou.

Apesar dos desafios, o dirigente destacou avanços no ecossistema local de inovação, como o fortalecimento do Parque Tecnológico de Brasília e a tramitação do PL 2.038, de autoria da deputada Doutora Jane, que inclui o evento Brasília Mais TI no calendário oficial do Distrito Federal. A edição mais recente reuniu cerca de 24 mil participantes, com 90% do financiamento oriundo da iniciativa privada. Para 2026, a expectativa é ampliar a participação do governo, tanto no apoio estrutural e financeiro quanto na apresentação de soluções govtech.

Jacobino também defendeu o restabelecimento do repasse de 2% da receita corrente líquida à Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), conforme previsto na legislação. Ele lembrou que cada R$ 1 investido em inovação pode gerar retorno de até R$ 12 à economia local.

 

Presidente do SINFOR-DF recebe a Medalha do Mérito Buriti por contribuição ao avanço tecnológico no Distrito Federal

O presidente do SINFOR-DF, Carlos Jacobino, recebeu a Medalha do Mérito Buriti, nesta quarta-feira (3/11). A medalha é uma das principais condecorações do Governo do Distrito Federal, destinada a personalidades que contribuem de forma relevante para o desenvolvimento regional. A cerimônia ocorreu na Ala Oeste do Ulysses Centro de Convenções,

Na avaliação de Jacobino, a homenagem ocorre em um momento de consolidação do ecossistema de tecnologia e inovação no Distrito Federal, impulsionado por empresas de software e serviços digitais, instituições de ensino voltadas à formação de profissionais para a economia digital e políticas públicas que ampliam o acesso à inovação. O reconhecimento destaca o papel estratégico do setor de TI na competitividade e no crescimento econômico da região.

O presidente do Sinfor-DF explica que a medalha representa um marco coletivo. “O que realmente importa é o que essa homenagem sinaliza sobre o DF. A capital está colocando tecnologia, educação e desenvolvimento econômico no centro das decisões. Recebo essa medalha como parte de um movimento que organiza o território para gerar valor a partir do conhecimento, onde competitividade e inclusão caminham juntas”, afirmou.

Jacobino destacou ainda que o avanço tecnológico observado nos últimos anos resulta de uma rede formada por empreendedores, universidades, gestores públicos e jovens talentos. No DF, explica, há uma articulação que se traduz em novas oportunidades, empresas mais competitivas e iniciativas que fortalecem a economia do conhecimento.

Criada para reconhecer serviços relevantes prestados à administração pública e ao desenvolvimento regional, a Medalha do Mérito Buriti reforça a importância do setor de tecnologia como vetor econômico e educacional. O SINFOR-DF tem atuado na aproximação entre governo, setor produtivo e academia, contribuindo para o amadurecimento do ambiente de inovação e para a formação de profissionais qualificados.

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