Painel do Brasília + TI debate papel das escolas e professores na formação de estudantes para um futuro cada vez mais tecnológico e digital.
Por Giulia Soares
O painel “Entre a Máquina e o Cérebro: Como as Escolas Podem Formar Mentes Críticas em Tempos de IA”, realizado no Brasília Mais TI, reuniu especialistas para discutir os desafios e oportunidades da educação básica em um cenário de transformação digital. A sessão foi moderada pela fundadora e sócia-diretora da KEduka, Mayana Valli.
A secretária adjunta de Educação Municipal de Belo Horizonte, Lidiane de Sousa, ressaltou que a escola precisa se preparar para formar cidadãos éticos e críticos, em sintonia com as tecnologias emergentes. “A gente tem que entender como produzimos, como acessamos e como compartilhamos o conhecimento. A escola precisa preparar os estudantes para um futuro em que humanos e tecnologias inteligentes trabalhem lado a lado. O professor tem que ser um mediador, tem que ensinar o aluno a raciocinar e criar seres humanos éticos. Formar uma nova geração de cientistas exige integrar as potencialidades humanas com a capacidade tecnológica”, afirmou.
Lidiane também destacou que a prefeitura de Belo Horizonte está investindo em infraestrutura para garantir o nível de ensino necessário diante dessa nova realidade. O próximo passo, segundo ela, é investir na profissionalização dos professores, assegurando que tenham condições de preparar os alunos para os desafios futuros.
A especialista em educação e diretora da Start By Alura, Thais Pianucci, chamou atenção para os obstáculos que ainda dificultam esse avanço no Brasil: a falta de conectividade, o acesso limitado a dispositivos e o déficit na formação docente. “Não temos licenciados em computação em número suficiente para atender essa demanda. Além disso, 21% dos adultos no Brasil, segundo pesquisa feita pela Serasa, não têm sequer uma formação digital básica. O novo analfabetismo que ampliará as desigualdades é o analfabetismo digital, e a educação básica tem a responsabilidade de oferecer subsídios para que, no futuro, a população não sofra com essa lacuna”, alertou.
Para Thais, o caminho é acelerar o letramento digital e posicionar o país como referência global. “O Brasil é um país criativo, e hoje o novo método de criação é digital. Precisamos olhar para esse letramento com urgência. A inteligência artificial é uma linguagem virtual, e conhecê-la é a base para um bom uso. Estou no setor privado, mas acredito que todos os setores, público, privado e terceiro setor, precisarão se mobilizar para tornar isso realidade”, completou.
O painel reforçou que preparar as novas gerações para os impactos da inteligência artificial exige integração entre infraestrutura, formação docente e atualização curricular, colocando a educação como peça central para enfrentar as desigualdades digitais e impulsionar o desenvolvimento humano e tecnológico do país.








