Educação básica diante da inteligência artificial é destaque no Brasília Mais TI

Painel do Brasília + TI debate papel das escolas e professores na formação de estudantes para um futuro cada vez mais tecnológico e digital.

Por Giulia Soares

O painel “Entre a Máquina e o Cérebro: Como as Escolas Podem Formar Mentes Críticas em Tempos de IA”, realizado no Brasília Mais TI, reuniu especialistas para discutir os desafios e oportunidades da educação básica em um cenário de transformação digital. A sessão foi moderada pela fundadora e sócia-diretora da KEduka, Mayana Valli.

A secretária adjunta de Educação Municipal de Belo Horizonte, Lidiane de Sousa, ressaltou que a escola precisa se preparar para formar cidadãos éticos e críticos, em sintonia com as tecnologias emergentes. “A gente tem que entender como produzimos, como acessamos e como compartilhamos o conhecimento. A escola precisa preparar os estudantes para um futuro em que humanos e tecnologias inteligentes trabalhem lado a lado. O professor tem que ser um mediador, tem que ensinar o aluno a raciocinar e criar seres humanos éticos. Formar uma nova geração de cientistas exige integrar as potencialidades humanas com a capacidade tecnológica”, afirmou.

Lidiane também destacou que a prefeitura de Belo Horizonte está investindo em infraestrutura para garantir o nível de ensino necessário diante dessa nova realidade. O próximo passo, segundo ela, é investir na profissionalização dos professores, assegurando que tenham condições de preparar os alunos para os desafios futuros.

A especialista em educação e diretora da Start By Alura, Thais Pianucci, chamou atenção para os obstáculos que ainda dificultam esse avanço no Brasil: a falta de conectividade, o acesso limitado a dispositivos e o déficit na formação docente. “Não temos licenciados em computação em número suficiente para atender essa demanda. Além disso, 21% dos adultos no Brasil, segundo pesquisa feita pela Serasa, não têm sequer uma formação digital básica. O novo analfabetismo que ampliará as desigualdades é o analfabetismo digital, e a educação básica tem a responsabilidade de oferecer subsídios para que, no futuro, a população não sofra com essa lacuna”, alertou.

Para Thais, o caminho é acelerar o letramento digital e posicionar o país como referência global. “O Brasil é um país criativo, e hoje o novo método de criação é digital. Precisamos olhar para esse letramento com urgência. A inteligência artificial é uma linguagem virtual, e conhecê-la é a base para um bom uso. Estou no setor privado, mas acredito que todos os setores, público, privado e terceiro setor, precisarão se mobilizar para tornar isso realidade”, completou.

O painel reforçou que preparar as novas gerações para os impactos da inteligência artificial exige integração entre infraestrutura, formação docente e atualização curricular, colocando a educação como peça central para enfrentar as desigualdades digitais e impulsionar o desenvolvimento humano e tecnológico do país.

Domingos dos Santos realiza experimentos com estudantes no Brasília Mais TI

O influenciador alcança milhões de visualizações nas mídias sociais com experimentos científicos que aplicam teorias das ciências exatas no cotidiano.

Por Mateus Pinheiro

O incentivo do pai pela educação fez Domingo dos Santos Neto, de 25 anos, criar profundo interesse pela ciência e a partir daí o jovem natural do Maranhão desbravou um caminho cheio de números e equações. Nesta terça-feira (19), primeiro dia do Brasília Mais TI, Santos abriu os trabalhos do evento realizando experimentos com estudantes do ensino fundamental.

O influenciador e matemático viralizou em mídias sociais, como Tik Tok e Instagram, abordando matemática, astronomia e física de uma forma simples e fácil. Em suas mídias sociais, Santos aplica no cotidiano teorias complexas das ciências exatas e realiza testes com materiais como papelão e garrafa pet. Dessa forma, temas que podem parecer complexos demais para o grande público se tornam compreensíveis com os vídeos do matemático.

Ele conta que tudo começou com um telescópio de papel. “Quando ele [o telescópio] deu certo, deu para mostrar para o pessoal. Então, começamos a fazer todos os experimentos novamente e começou a dar tudo muito certo. O pessoal via os experimentos que eu conseguia fazer, porque antes eu tentava e não conseguia”, lembra o influenciador.

Durante a apresentação, Santos realizou alguns experimentos com os estudantes, respondeu a dúvidas sobre ciência e tecnologia e, ao final da apresentação, recebeu estudantes, professores e autoridades presentes para tirar fotos.

Utilizem a tecnologia como seu co-piloto, mas nunca como seu chefe, alertou pró-reitor da FIAP

Em sua palestra, Wagner Sanchez destacou o papel da inteligência artificial na robótica e incentivou o protagonismo jovem na criação de soluções inovadoras

Por Mateus Pinheiro

O avanço da inteligência artificial e seu impacto no cotidiano e nas profissões pautou um debate bastante aguardado no Brasília Mais TI, nesta terça-feira (19). Na palestra “Quando os Robôs Começam a Pensar”, o pró-reitor da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP), Wagner Sanchez, analisou as transformações em curso e os desafios impostos pela tecnologia.

Diante de uma plateia repleta de jovens, entusiastas da tecnologia, empreendedores e profissionais do setor, o pesquisador destacou o papel transformador da IA generativa e sua integração com o mundo físico, um campo emergente conhecido como “física UI”. Segundo ele, essa combinação tem gerado robôs cada vez mais “inteligentes”, capazes de realizar tarefas repetitivas e perigosas com precisão e eficiência.

“Os robôs estão ficando cada dia mais, entre aspas, inteligentes. E eles devem ser muito utilizados no nosso dia a dia para tarefas repetitivas, para tarefas que nos trazem falta de segurança”, afirmou o professor.

Mais do que discutir os avanços tecnológicos, Sanchez trouxe uma mensagem de empoderamento e responsabilidade para os jovens. Ele reforçou a importância de utilizar a tecnologia como ferramenta de apoio, sem perder a autonomia e o pensamento crítico. “Dica para as novas gerações: utilizem a tecnologia como seu co-piloto, mas nunca como seu chefe”, alertou.

Para o pesquisador, eventos como o Brasília Mais TI são fundamentais para fomentar inovação e colaboração entre diferentes atores do ecossistema tecnológico. “É um evento sensacional, de extrema importância, principalmente para os jovens que querem se conectar. É um hub, que junta ideias, startups, jovens, empresas. E isso tudo faz com que a gente consiga criar soluções com o uso da tecnologia. Soluções nunca pensadas, porque desafiando os jovens, dando uma causa para eles, suportando com tecnologia, com conhecimento, eu tenho certeza que essas novas gerações vão trazer soluções incríveis”, declarou.

A palestra foi marcada por provocações do professor sobre os limites éticos da inteligência artificial, os desafios da automação e o futuro das relações entre humanos e máquinas. Com linguagem acessível e exemplos do cotidiano, Sanchez conseguiu conectar teoria e prática, despertando reflexões profundas sobre o papel da tecnologia na sociedade contemporânea.

Do frio na barriga a conquista: expectativa marca abertura do campeonato de robótica

2º Campeonato Brasiliense de Robótica Brasília Mais TI recebeu 450 participantes de escolas públicas e privadas de vários estados brasileiros

Por Lukas Soares

O 2º Campeonato Brasiliense de Robótica – Brasília Mais TI reúne jovens talentos e apaixonados por tecnologia de todo o país, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF). A competição bateu recorde de inscrições neste ano, com 450 participantes de escolas públicas e privadas, um aumento de 200% em relação a 2024.

Ao longo dos três dias de evento, os estudantes vão enfrentar provas que simulam a Indústria 4.0 e exigem velocidade, precisão e criatividade. A programação inclui Batalha de Robôs, em uma arena de 36 m², com mais de R$ 100 mil em premiações, além do aguardado Desafio Hackathon GovTech, conduzido pela IBM, que desafiará desenvolvedores e estudantes a criarem soluções digitais para modernizar os serviços públicos.

Mas é na arena que a expectativa fala mais alto. De olhos brilhantes, robôs ajustados e muita ansiedade no ar: assim chegam os competidores, prontos para mostrar tudo o que aprenderam em meses de preparação.

Entre as equipes está a Asas Elite Robótica, do CED 01 do Gama, campeã da edição anterior, que agora volta para defender o título. Para a aluna Sara Cardoso, a trajetória até aqui foi desafiadora: “A gente treinava até em garagens do CEF 01 e do CED 08 do Gama. O esforço valeu a pena. O que mais aprendemos foi trabalho em equipe, liderança e raciocínio lógico. Dá frio na barriga, mas é bom ver que todo nosso esforço dá resultado”, contou a estudante.

Já para o competidor Pedro Andreas, de 19 anos, de São Caetano do Sul (SP), a experiência vai além do torneio: “A expectativa é ótima. Já competimos há algum tempo e cada fase traz um olhar crítico diferente. A disciplina da equipe é fundamental. Esses vinte minutos de prova exigem organização total. Nossa estratégia para vencer é exatamente essa: organização”.

Entre ansiedade, dedicação e sonhos, os jovens competidores fazem do 2º Campeonato Brasiliense de Robótica – Brasília Mais TI um palco de inovação, aprendizado e, principalmente, de expectativas para o futuro.

Brasília Mais TI: capital mira protagonismo no cenário nacional da inovação

Evento reuniu autoridades e lideranças para reforçar Brasília como polo estratégico de inovação, tecnologia e empreendedorismo.

Com a meta de consolidar Brasília como a capital da inovação no Brasil, a 7ª edição da mostra Brasília Mais TI foi aberta nesta terça-feira (19), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. O evento, que projeta receber mais de 15 mil visitantes, serve como uma vitrine do potencial tecnológico do Distrito Federal e um ponto de encontro estratégico entre poder público, iniciativa privada e academia.

Durante a solenidade de abertura, o presidente do Sindicato da Indústria da Informação do Distrito Federal (Sinfor-DF), Carlos Jacobino, destacou a capacidade do setor em oferecer soluções modernas e seguras para demandas nacionais e internacionais. “Temos talento, empresas e capacidade de entrega. Este evento é também uma chamada para que Brasília seja reconhecida por aquilo que já é: uma cidade de inovação, uma capital tecnológica, apta a liderar o futuro digital do Brasil”, afirmou.

A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, ressaltou que a tecnologia deve ser uma ferramenta estratégica de governo: “A profissão do presente é a tecnologia. Temos um polo de ciência e inovação forte no DF e estamos construindo um modelo de gestão GovTech que facilita a vida do cidadão. Acredito muito no apoio do setor produtivo para avançarmos nesse caminho”, disse.

O presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Jamal Jorge Bittar, reforçou o papel da juventude no ecossistema de inovação: “Esse evento agrega boas ideias e traz o público jovem. Brasília é uma cidade inteligente porque tem jovens inteligentes e engajados. Nosso sistema se sente muito orgulhoso de participar desse processo.”

Autoridades ressaltaram a importância da integração entre governo, empresas e academia para fortalecer o ecossistema de inovação. O presidente do Parque Tecnológico Biotic, Gustavo Dias Henrique, apontou o espaço como epicentro da transformação tecnológica em Brasília, impulsionado por investimentos públicos e projetos estratégicos. A diretora de Inovação do Biotic, Kilze Beatriz, também esteve presente na abertura. Já a secretária de Governo substituta, Sueli Rodrigues, reafirmou o compromisso institucional com o desenvolvimento do setor.

O diretor presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAAP), Leonardo Reisman, lembrou que Brasília já é palco de três grandes eventos de tecnologia, a Campus Party, Inova Summit e, agora, o Brasília + TI. “O setor representa 10% do PIB do DF. Nossa missão é transformar pesquisa em startups que tragam resultados práticos e estejam presentes nos estandes deste evento”, afirmou.

O secretário de Relações Internacionais, Paco Britto, destacou que o atual governo é parceiro do setor desde a redução das alíquotas para empreendedores digitais. “O Brasília + TI não é apenas um projeto de empresários, mas um projeto de Estado que continuará em todos os governos. O futuro está na tecnologia, a indústria que mais cresce no Distrito Federal.”

Para o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Costa, o tema central do evento dialoga com programas do governo que aplicam a tecnologia em diferentes áreas, como saúde e educação. “Para isso, temos uma união entre academia, governo e o setor da tecnologia de formação. Também temos um programa de capacitação para formar mão de obra qualificada para dar continuidade a esse setor. Com o Brasília + TI, investimos em eventos para consolidar a capital como um grande polo de inovação.”

Na avaliação de Pedro Guerra, chefe de gabinete da Vice-Presidência da República e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a inovação é transversal e impacta setores como saúde, agronegócio e indústria farmacêutica: “A tecnologia nos permite dar saltos quantitativos em pouco tempo. O Brasil já avançou nos investimentos em inovação e esse movimento deve ser visto como oportunidade.”

Por fim, o senador Izalci Lucas defendeu a necessidade de investir em formação profissional para garantir oportunidades aos jovens: “Tecnologia não é mais futuro, é presente. Se queremos consolidar Brasília como capital da inovação, precisamos garantir recursos e oportunidades. Esse evento abre caminhos para que nossos jovens tenham acesso e possam construir esse futuro.”

Com falas que ressaltaram a importância da inovação para a competitividade e o desenvolvimento sustentável, a abertura do Brasília Mais TI deu o tom de uma programação que inclui mais de 40 oficinas gratuitas, palestras nacionais e internacionais, batalhas de robôs, hackathon da IBM e sorteio de R$ 100 mil em bitcoins.

Empresas brasileiras estão prontas para liderar a transformação digital do setor público, diz presidente do Sinfor-DF

Carlos Jacobino participou de audiência pública na Câmara dos Deputados sobre o “Uso da inteligência artificial na administração pública brasileira”

O presidente do Sindicato da Indústria da Informação do Distrito Federal (Sinfor-DF), Carlos Jacobino, defendeu que o Brasil vive hoje um momento singular de maturidade tecnológica, com empresas e profissionais capacitados para atender e transformar a administração pública. Jacobino participou de audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (13).

Segundo Jacobino, o país conta com engenheiros, desenvolvedores e especialistas altamente qualificados em inteligência artificial (IA), capazes de propor soluções inovadoras para desafios enfrentados por governos em diferentes setores. “Nossas empresas estão preparadas para atender às demandas do serviço público, especialmente na qualificação técnica, e temos profissionais distribuídos por todas as regiões do Brasil atuando na vanguarda da tecnologia”, afirmou.

O presidente citou o caso do Estado do Piauí, que se tornou referência ao criar a primeira Secretaria de Inteligência Artificial do país. Segundo ele, a iniciativa permitiu ao Piauí avançar de forma significativa no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), aproximando o Estado dos melhores resultados educacionais do Brasil por meio do uso de IA em processos pedagógicos e na segurança pública.

As aplicações práticas da inteligência artificial, diz Jacobino, podem ser vistas em diversos estados, como atendimento automatizado ao cidadão por meio de por meio de chatbots, agendamento de consultas, programas de incentivo fiscal, além de inovações no recebimento de reembolsos por PIX. Ele destacou ainda a importância da gestão baseada em dados, que potencializa modelos preditivos em áreas como segurança, saúde mental e fiscalização de compras públicas, aumentando eficiência e transparência.

O presidente do Sinfor-DF enfatizou que a adoção da IA moderniza o serviço público e posiciona o Brasil para exportar soluções tecnológicas, tornando o país fornecedor ativo de inovação para o mercado internacional. “Não podemos perder a chance de desenvolver e comercializar tecnologias próprias. Está nas nossas mãos deixar de ser apenas consumidores de soluções estrangeiras e assumir papel estratégico no desenvolvimento global”, disse.

Jacobino reforçou ainda a necessidade de continuar investindo na formação de mão de obra qualificada, especialmente nas áreas de exatas e idiomas, para garantir sustentabilidade e competitividade no longo prazo. Sua fala aponta para um Brasil engajado em criar oportunidades para empresas nacionais crescerem, aumentarem produtividade e gerarem impacto positivo tanto para o cidadão quanto para a economia.

Especialistas apontam desafios e avanços da inteligência artificial no setor público

O presidente do Instituto Iluminante de Inovação Tecnológica e Impacto Social, Gilberto Lima, traçou um diagnóstico do uso de inteligência artificial (IA) na administração federal. De acordo com Lima, apenas 28% dos órgãos federais adotam a tecnologia de forma efetiva, apesar de casos de sucesso relevantes, como o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que agilizou processos de registro de patentes, e o programa Bolsa Família, onde algoritmos contribuem para detectar fraudes em grande volume de dados.

Lima, contudo, ressalta que persiste uma forte disparidade ao se comparar o avanço federal com o cenário nos estados e municípios. Apenas 10% das prefeituras brasileiras desenvolvem iniciativas consistentes em IA. Segundo o especialista, problemas como falta de transparência, dificuldades de usabilidade e lacunas de acessibilidade nos chatbots utilizados pelo governo ainda comprometem a qualidade do serviço prestado ao cidadão.

O presidente do Instituto Iluminante também enfatizou a importância de buscar equilíbrio entre inovação tecnológica e regulação, citando o Projeto de Lei 2338, atualmente em debate na Câmara dos Deputados. Para Lima, o texto deve privilegiar o foco humano, com classificações por risco, salvaguarda de direitos fundamentais e governança descentralizada. Ele argumenta que, ao priorizar inclusão social e fortalecer a soberania digital, o Brasil tem potencial para se estabelecer como referência internacional na área.

A análise reforça que, além de contar com o talento de empresas e profissionais nacionais, o país precisa superar os obstáculos regulatórios para garantir que avanços tecnológicos estejam, de fato, a serviço das necessidades da população.

Debate pode ajudar na elaboração de um marco normativo orientado à realidade brasileira, diz deputada

O debate foi pedido pela deputada Maria do Rosário (PT-RS). Ela afirmou que a audiência pública pode ajudar na elaboração de um marco normativo sólido e orientado à realidade brasileira sobre o uso da inteligência artificial na administração pública.

“Nós estamos aqui diante de questões que mostram que pode haver uma regulação positiva, uma regulação negativa, pode haver diferentes padrões de regulação. Regulação, portanto, é desenho de processo, anotei aqui como questão importante”, disse a deputada. Para ela, “não haverá um bom uso da IA sem a mediação humana”.

O Projeto de Lei 2338/23 trata do marco legal da inteligência artificial no Brasil. A proposta já foi aprovada no Senado em dezembro do ano passado e está em uma comissão especial da Câmara desde maio deste ano.

Sinfor-DF e Secretaria de Relações Internacionais do DF conectam embaixadas ao ecossistema de TI brasiliense

Evento Café TechDiplomacy marca um novo capítulo na projeção internacional do setor de tecnologia de Brasília.

Sindicato das Indústrias da Informação do Distrito Federal (Sinfor-DF), em parceria com a Secretaria de Relações Internacionais do Governo do Distrito Federal (GDF), promoveu um encontro inédito em sua sede em Brasília, reunindo mais de 30 embaixadas para apresentar a 7ª Mostra Brasília Mais TI.

O evento, denominado Café TechDiplomacy, representa uma iniciativa pioneira de aproximação entre o setor tecnológico local e a comunidade diplomática internacional, buscando posicionar Brasília como polo de inovação e tecnologia da informação no cenário global.

De acordo com o presidente do Sinfor-DF, Carlos Jacobino a presença de mais de 30 embaixadas no Café TechDiplomacy demonstra o interesse internacional no potencial tecnológico de Brasília. “A iniciativa fortalece parcerias internacionais, atrai investimentos estrangeiros para o ecossistema de TI local, promove a internacionalização das empresas do setor e posiciona Brasília como centro de referência em inovação”, afirmou.

O secretário de Relações Internacionais do DF, Paco Britto, explica que o encontro com as embaixadas demonstra como Brasília está aberta para promover a integração entre países e impulsionar o desenvolvimento tecnológico. “Nosso papel é criar oportunidades e mostrar ao mundo que exportamos sim tecnologia de ponta, somos um dos maiores exportadores tecnológicos do país. O Café TechDiplomacy foi fundamental para aproximar as embaixadas, revelar nosso potencial e fortalecer parcerias inovadoras”, diz.

Brasília Mais TI: o mais completo evento de tecnologia do Brasil

A 7ª Mostra Brasília Mais TI é o mais completo evento de tecnologia do setor privado do Brasil. Em sua 7ª edição, programada para 19, 20 e 21 de agosto de 2025, o evento promete reunir cerca de 15 mil de participantes em três dias de intensa programação.

O evento conta com uma estrutura de 7 mil m² dedicados a atrações e uma programação inovadora conectada ao futuro da tecnologia.

Programação abrangente e multidisciplinar

A mostra oferece uma programação diversificada que inclui:

  • Painéis especializados sobre inteligência artificial, governo eletrônico e tecnologias emergentes
  • Palestras nacionais e internacionais com especialistas renomados
  • Torneio de robótica com participação de estudantes
  • Hackathon – maratona intensiva para desenvolvimento de soluções tecnológicas
  • Feira de negócios com stands de demonstração
  • Prêmio Sinfor de TI reconhecendo empresas e profissionais de destaque

Café TechDiplomacy: novo capítulo na projeção internacional do setor de TI brasiliense

O Café TechDiplomacy marca um novo capítulo na projeção internacional do setor de TI brasiliense. A iniciativa demonstra como a capital federal busca se posicionar estrategicamente no cenário global de tecnologia e inovação, utilizando sua condição de sede diplomática para fortalecer conexões internacionais no setor tecnológico.

Sem tecnologia, o Brasil continuará sendo o país do quase

Artigo publicado no Correio Braziliense https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2025/06/7186041-sem-tecnologia-o-brasil-continuara-sendo-o-pais-do-quase.html

Carlos Jacobino,
presidente do
Sindicato da Indústria da Informação do Distrito Federal (Sinfor-DF)

O Brasil vive um problema crônico: comemora qualquer avanço econômico como se fosse uma vitória definitiva, enquanto ignora que estamos, há décadas, presos na armadilha do quase. Quase potência. Quase competitivo. Quase desenvolvido.

O resultado do PIB no primeiro trimestre é um exemplo claro. Mas, para entendermos, precisamos abrir os dados. O país cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao trimestre imediatamente anterior. Fomos puxados pelas safras generosas de soja e de milho. Mas nossa indústria segue estagnada e boa parte dos serviços anda de lado. E, lamentavelmente, o país mantém uma das menores taxas de investimento entre as principais economias do mundo: pouco menos de 19% do PIB.

Não podemos abrir mão da importância e da força do agronegócio brasileiro. Mas é preciso entender que, para além de apostar no ciclo das commodities, nossas vantagens comparativas, e no avanço das fronteiras agrícolas, é urgente que se olhe para as economias que geram riqueza, produtividade e inovação. Esses países operam em outro plano: o da tecnologia.

O Brasil é um dos maiores mercados de tecnologia da informação do mundo. De acordo com o mais recente estudo da ABES, ocupamos hoje a 10ª posição no ranking global, com 1,7% do mercado mundial de TI. Na América Latina, somos líderes absolutos, com 44% do mercado regional. Só em 2023, o setor movimentou US$ 57 bilhões, crescendo 6,4%, quase o dobro da média global.

E aqui está o dado mais relevante: 77% desse volume vêm de software e serviços, da economia do conhecimento, da inteligência e da inovação.

O setor de TI já responde por 6,8% do PIB brasileiro, com projeção de chegar a 8% até 2026, superando muitos setores tradicionais. E diferente do que muitos imaginam, não estamos falando de um setor de apoio, mas de um motor que impulsiona toda a economia.

Sem TI, não existe agro 4.0, não existe indústria competitiva, não existe logística eficiente, não existem serviços financeiros modernos e, muito menos, governo digital capaz de entregar serviços de qualidade e reduzir o custo da máquina pública.

Aliás, os poucos avanços que tivemos no setor público, como o Gov.br e o Pix, são frutos da adoção de tecnologia, com ganhos expressivos em eficiência, agilidade e economia de recursos.

Mas, infelizmente, esses avanços são episódicos, não estruturais. Falta ao país uma política robusta de transformação digital.

Os dados internacionais são cristalinos. Segundo o Banco Mundial, a cada 10% de aumento na penetração da banda larga, o PIB dos países em desenvolvimento cresce, em média, 1,38%. No Brasil, onde a produtividade anda na contramão do resto do mundo, o impacto seria ainda maior. A CNI calcula que empresas que investem em tecnologia têm, em média, 22% de aumento na produtividade. E segundo a Brasscom, cada R$ 1 investido em TI gera até R$ 4,30 em valor na economia.

Não se trata de estatizar a inovação ou criar mais burocracia, ao contrário, significa remover as travas que sufocam empresas, reduzir o custo Brasil, modernizar o ambiente regulatório, investir pesado na formação de mão de obra qualificada e criar um ambiente em que o setor privado possa liderar o processo de transformação digital.

O setor de tecnologia precisa de segurança jurídica, liberdade para inovar e acesso a financiamento competitivo.

Se quisermos destravar o crescimento do país, precisamos colocar a digitalização no centro da política econômica. Isso exige, de forma urgente, um conjunto de ações articuladas.

Começa pela formação massiva de talentos, já que o país enfrenta um déficit de mais de 800 mil profissionais de tecnologia até 2026. É necessário também criar incentivos reais à transformação digital das empresas e não apenas para startups, mas para toda a economia, incluindo pequenas, médias e grandes companhias.

Além disso, é indispensável investir de forma robusta em infraestrutura digital: mais conectividade, mais data centers, inteligência artificial, cibersegurança e soluções em nuvem. Por fim, é fundamental acelerar a transformação digital do próprio Estado, que, ao se tornar mais digital, custa menos, entrega mais e serve melhor à população, sem depender do inchaço da máquina pública.

O Brasil não pode mais ser o país do quase. Ou escolhemos ser protagonistas da nova economia, baseada em dados, inovação e tecnologia, ou vamos continuar sendo exportadores de soja, minério e carne, e importadores de crescimento, inovação e qualidade de vida.

Rejeição ao artigo 19 do Marco Civil da Internet atinge ecossistema de inovação

Artigo publicado no Jota (https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/rejeicao-ao-artigo-19-atinge-ecossistema-de-inovacao)

Carlos Jacobino,
Sindicato da Indústria da Informação do Distrito Federal (Sinfor-DF)

O julgamento sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet pelo Supremo Tribunal Federal (STF) merece atenção redobrada, porque os efeitos podem ir muito além das grandes plataformas digitais. A decisão do STF, de declarar o dispositivo inconstitucional, afeta o ecossistema de inovação, o ambiente regulatório e a liberdade de expressão online no país.

O artigo 19 protege a liberdade de expressão com mediação judicial. Ele estabelece que provedores de aplicação só podem ser responsabilizados por conteúdos gerados por terceiros caso descumpram uma ordem judicial específica de remoção. Essa regra surgiu após um processo legislativo transparente, participativo e equilibrado, aprovado pelo Congresso Nacional em 2014.

Por isso, a tese de que o STF precisa agir por “omissão legislativa” é falha. Há uma escolha política clara, construída a partir de um consenso plural sobre a importância de preservar a liberdade de expressão e evitar que plataformas privadas passem a decidir, sozinhas, o que pode ou não circular na rede.

Os ministros do STF, que consideram o artigo 19 inconstitucional, defendem propostas que vão do modelo europeu “notice and takedown” (notifique e remova) ao da responsabilização objetiva. Assim, no Brasil, a simples notificação poderia gerar responsabilização das plataformas, mesmo sem ordem judicial.

O jurista Marcel Leonardi, em levantamento recente, mostrou 100 casos reais em que o próprio Judiciário negou pedidos de remoção de conteúdo por entender que não havia ilicitude. Isso demonstra o grau de subjetividade e complexidade envolvido. Se até os tribunais divergem sobre o que deve ou não ser retirado, como esperar que uma plataforma digital tome decisões instantâneas sob pena de ser responsabilizada?

Mais grave: a rejeição do artigo 19 não atinge apenas as chamadas “big techs”. Qualquer site, fórum, blog ou veículo com seção de comentários pode ser enquadrado como provedor de aplicação. Isso inclui negócios locais, portais independentes, ferramentas de mobilização social e centenas de startups que hoje operam com recursos limitados e não têm estrutura para lidar com o volume de notificações e pedidos de retirada. O resultado será uma onda de autocensura preventiva, que sufocará a inovação e a crítica legítima.

Ao contrário do que se afirma, o artigo 19 não impede a responsabilização de plataformas que impulsionam, recomendam ou monetizam conteúdos ilícitos. Nesses casos, elas respondem por seus próprios atos. Mas imputar responsabilidade automática por tudo que terceiros publicam significa empurrar empresas à remoção generalizada de conteúdo por medo, e não por justiça.

A atualização do Marco Civil pode ser necessária, especialmente diante de desafios trazidos pela inteligência artificial, pelas deepfakes e pela desinformação em escala. Mas isso deve ocorrer pelo caminho legítimo: o Legislativo, com debate público, transparência e participação de quem vive e constrói o ecossistema digital brasileiro.

Desconstruir o artigo 19 por decisão judicial é um atalho perigoso. Não nos aproxima de um ambiente digital mais seguro, apenas mais concentrado, opaco e inibidor. A internet brasileira precisa de regulação, sim. Mas precisa, antes de tudo, de estabilidade institucional e respeito às escolhas democráticas.

Setor de TI do DF avança com S.A. para tirar do papel o maior distrito tecnológico do Centro-Oeste

Grupo de trabalho inicia estruturação societária para viabilizar polo de inovação no Parque Tecnológico de Brasília; investimento previsto é de R$ 457 milhões

O projeto para a criação do maior Distrito Tecnológico do Centro-Oeste deu início a uma nova fase. Liderado pelo Sindicato das Indústrias da Informação do Distrito Federal (Sinfor-DF), o setor empresarial começou o processo de implementação do polo no Parque Tecnológico de Brasília (BIOTIC), com a formação de uma Sociedade Anônima (S.A.) voltada à gestão do empreendimento.

O grupo de trabalho responsável pelo projeto já iniciou os estudos técnicos e operacionais. Segundo o Sinfor, a equipe do escritório Michiles Tavares Advocacia Empresarial é responsável pela assessoria jurídica do projeto e está dedicada à consolidação da melhor estrutura societária e organizacional para viabilizar a execução do plano e garantir segurança jurídica aos investidores, parceiros e de toda operação.

Com investimento estimado em R$ 457,2 milhões, a proposta prevê a construção de 95 mil m² e a criação de mais de 13 mil empregos diretos. O cronograma aponta início das obras em até dez meses após a formalização contratual, com o primeiro edifício a ser entregue em até três anos e o complexo finalizado em sete anos.

A Sociedade Anônima será responsável por coordenar desde o planejamento urbanístico até a atração de empresas e a articulação com o setor público. A ideia é criar um ambiente corporativo estruturado, com regras claras de governança, participação e entrada de capital privado.

“O processo de estruturação está em andamento com responsabilidade e foco no longo prazo. Queremos garantir que o Distrito de TI seja mais do que um espaço físico. Ele deve ser a base de um ecossistema sustentável de inovação no Distrito Federal”, afirma Carlos Jacobino, presidente do Sinfor-DF.

Além da estrutura empresarial, o plano inclui a criação de uma cooperativa voltada à inclusão de startups, micro e pequenas empresas do setor. O objetivo é democratizar o acesso ao novo polo, evitando a concentração dos benefícios apenas em grandes grupos.

Apesar do avanço, o projeto enfrenta desafios antigos. O BIOTIC, concebido nos anos 2000, acumula um histórico de adiamentos, baixa ocupação e falta de incentivos robustos. Especialistas apontam ainda que, para além da infraestrutura, o sucesso do projeto depende da conexão com universidades, programas de pesquisa e estratégias de formação de mão de obra.

“A escolha pela estrutura de S.A. é acertada para dar escala e atratividade ao projeto. Mas o diferencial virá da articulação entre setor produtivo, academia e Estado. Sem isso, corremos o risco de repetir os erros de outros parques subutilizados no Brasil”, avalia um consultor do setor de inovação.

A expectativa do Sinfor é concluir os estudos societários e lançar oficialmente a S.A. até o fim do segundo semestre de 2025.

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