Sinfor-DF avalia inauguração do Na Hora Empresarial como avanço no ambiente de negócios do DF

Centro reúne serviços dispersos no governo e contribui para reduzir entraves administrativos e ampliar previsibilidade regulatória para empresas

A Inauguração da primeira unidade do Na Hora Empresarial representa um passo relevante na racionalização do atendimento público às empresas no Distrito Federal, ao concentrar, em um único espaço, serviços dispersos entre diferentes órgãos. Para a vice-presidente do Sinfor-DF, Lúcia Soares, a iniciativa contribui para reduzir entraves operacionais, ampliar previsibilidade regulatória e criar um ambiente mais favorável ao desenvolvimento de empresas de tecnologia e inovação. O Sinfor-DF participou da cerimônia de lançamento nesta terça-feira (3).

Instalada no terceiro andar do Venâncio Shopping, no Setor Comercial Sul, a unidade foi concebida para funcionar como um ponto focal de atendimento ao setor produtivo, reunindo serviços essenciais para abertura, regularização, expansão e manutenção de empresas. O espaço tem mais de 500 metros quadrados e capacidade estimada para realizar centenas de atendimentos diários, com a proposta de reduzir deslocamentos, eliminar redundâncias administrativas e acelerar etapas que historicamente impactam o tempo e o custo de operação dos negócios.

A estrutura integra serviços de diferentes áreas do Governo do Distrito Federal e de parceiros estratégicos, como licenciamento de atividades econômicas, vigilância sanitária, consultas urbanísticas, orientações tributárias, regularização de serviços públicos, apoio ao empreendedorismo e procedimentos empresariais junto à Junta Comercial. A concentração desses atendimentos em um único local responde a uma demanda recorrente do setor empresarial por maior coordenação entre órgãos públicos e maior clareza nos fluxos administrativos.

Na avaliação de Lúcia Soares, o desenho do Na Hora Empresarial dialoga diretamente com as necessidades das empresas de tecnologia da informação e comunicação, cujos modelos de negócio dependem de agilidade decisória, segurança jurídica e integração entre diferentes instâncias do poder público. “A iniciativa contribui para um ambiente mais previsível e funcional, condição essencial para que empresas de base tecnológica possam planejar, investir e crescer”, avalia.

Para o Sinfor-DF, o centro também se insere em uma agenda mais ampla de modernização do Estado e fortalecimento do ambiente de negócios, especialmente em um contexto de transformação digital e expansão da economia baseada em conhecimento. A atuação institucional do sindicato junto a iniciativas desse tipo reflete o entendimento de que competitividade e inovação exigem não apenas políticas de fomento, mas também estruturas públicas capazes de operar com eficiência, coerência regulatória e visão sistêmica sobre o ciclo de vida das empresas.

Com a nova unidade, o Distrito Federal passa a contar com um modelo de atendimento empresarial mais integrado, alinhado a boas práticas de gestão pública e às demandas reais do setor produtivo. O Sinfor-DF acompanha esse movimento como parte de seu papel institucional de contribuir para a construção de um ambiente regulatório mais moderno, funcional e aderente às dinâmicas do ecossistema de tecnologia e inovação.

GDF inaugura primeira unidade do Na Hora Empresarial para empreendedores em Brasília

O Governo do Distrito Federal (GDF) inaugurou, nesta quarta-feira (28 de janeiro de 2026), a primeira unidade do Na Hora Empresarial, espaço voltado exclusivamente ao atendimento de empreendedores do DF. A nova estrutura funciona no terceiro andar do Venâncio Shopping, no Setor Comercial Sul, e foi criada para centralizar serviços públicos essenciais à abertura, regularização e expansão de empresas, com atendimento presencial sem filas nem necessidade de agendamento.

Com área superior a 500 m², a unidade reúne órgãos estratégicos — como DF Legal, Vigilância Sanitária e Junta Comercial — para agilizar processos que antes exigiam visitas a diferentes repartições. A expectativa é realizar mais de 500 atendimentos por dia, contribuindo para reduzir a burocracia e facilitar a rotina de quem empreende na capital federal.

Fonte: Agência Brasília / GDF — GDF inaugura primeira unidade do Na Hora Empresarial para empreendedores (28/01/2026).

Café com Negócios & Conexões chega à 25ª edição com foco em projetos e oportunidades em Brasília

A 25ª edição do Café com Negócios & Conexões será realizada no dia 5 de fevereiro de 2026, no Brasília Game Hub, reunindo empreendedores, instituições e atores do ecossistema local para uma manhã dedicada a networking, apresentação de projetos e troca de experiências.

A programação tem início às 8h30, com café da manhã e networking, seguida da abertura oficial pela ABRING. O evento contará com o momento “Conhecendo os Projetos dos Atores Locais: Iniciativas que Transformam”, com apresentações de diferentes instituições e destaque para o BRB LAB.

Na sequência, ocorre a palestra “Brasília: Vocações e Oportunidades”, abordando potenciais estratégicos da capital. O encontro será encerrado com foto oficial e integração entre os participantes.

Data: 05 de fevereiro de 2026
Local: Brasília Game Hub – Asa Norte

Congresso avança na análise de projetos de lei sobre tecnologia e inteligência artificial em 2026

Em 2026, o Congresso Nacional retoma a análise de propostas legislativas importantes na área de tecnologia da informação e comunicação (TIC) e regulamentação da inteligência artificial (IA), em meio a impasses políticos e disputas setoriais. Segundo especialistas, isso inclui o marco legal da IA e outras leis voltadas ao setor digital, como regras para serviços de streaming e regime tributário para data centers.

O texto informa que projetos como o PL 2.338/2023, que cria um sistema nacional de governança da IA coordenado pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e integrando cinco ministérios, ficaram sem acordo para votação no fim de 2025 e foram remarcados para continuidade das discussões em 2026.

Especialistas e representantes do setor apontam que a postergação decorre de divergências sobre tributação, direitos autorais e incentivos à inovação tecnológica, e que a expectativa agora é de que o plenário avance com a tramitação assim que as casas legislativas reiniciarem o calendário regular.

Fonte: Convergência Digital — Leis de tecnologia deixam de ser votadas e ficam para 2026, incluindo marco da IA (principal matéria relacionada).

Lei 14.133 redefine regras para fornecedores de TI

A nova Lei de Licitações alterou de forma objetiva a maneira como empresas de tecnologia se posicionam para vender ao setor público. A Lei 14.133/21 ampliou o peso do planejamento, da formação de preço e da governança interna, elevando o nível de exigência para fornecedores de soluções de TIC.

Nesta entrevista exclusiva para o Sinforme, a sócia da Innova4Up e especialista em contratações públicas, advogada Érica Alessandra Silva, detalha como a nova legislação reorganizou a dinâmica competitiva, quais são os erros mais recorrentes das empresas e por que atuar no mercado público deixou de ser uma decisão meramente comercial.

Sinforme — Quais  mudanças a lei 14.133/21 trouxe para para o relacionamento entre governo e fornecedores?
Érica Alessandra Silva — Alterou de forma relevante. A Lei 14.133/21 reforçou o peso da etapa de planejamento. A contratação deixou de ser vista apenas sob uma ótica burocrática e passou a ser orientada por estudo e análise prévia do objeto a ser contratado. Isso envolve a leitura detalhada dos documentos da fase de planejamento, como o Estudo Técnico Preliminar (ETP), prática que, no caso das contratações de TIC, já vinha sendo adotada. As contratações passaram a ser orientadas a resultados e entregas, além da consolidação da modalidade eletrônica como padrão para contratações diretas, salvo justificativa expressa para o formato presencial.

Sinforme — Que tipo de preparo estratégico as empresas de tecnologia ainda subestimam ao olhar apenas para o aspecto jurídico da lei?
Érica — O principal ponto ainda subestimado é a leitura minuciosa do edital e do termo de referência. Muitas empresas ignoram regras essenciais, como o cálculo do fator K e a correta composição da planilha de custos e formação de preço. Isso exige equipes com perfil analítico e domínio das regras específicas de venda para o governo. Outro aspecto pouco observado é o modelo de contratação solicitado, que pode gerar riscos relevantes durante a execução, como impactos logísticos, variação cambial e inviabilidade financeira do contrato.

Sinforme — Do ponto de vista de quem vende soluções de TIC, quais são os erros mais recorrentes quando a nova lei chega à área comercial das empresas?
Érica — Entre os erros mais frequentes estão a ausência de uma análise adequada dos custos diretos e indiretos, a precificação feita sem a participação da equipe operacional e a conferência inadequada do fator K para os diferentes perfis profissionais, o que resulta em propostas mal estruturadas. Também é comum a não utilização dos instrumentos previstos no edital, como pedidos de esclarecimento, recursos administrativos e o estudo de acórdãos dos Tribunais de Contas, que são fundamentais para embasar decisões e reduzir riscos.

Sinforme — O Portal Nacional de Compras Públicas (PNCP) ainda é visto como um repositório de editais. Que tipo de inteligência pode ser extraída por empresas mais maduras?
Érica — O PNCP não deve ser encarado apenas como um repositório. Ele é uma fonte relevante de informações e uma ferramenta importante de transparência. Por meio do portal, é possível consultar o que a administração pública pretende contratar, além do histórico de contratações realizadas e dos valores praticados. Isso permite estudos prévios de mercado e análises estratégicas. Empresas mais estruturadas combinam essas informações com ferramentas privadas para obter vantagem competitiva.

Sinforme — As portarias SGD/MGI nº 750 e nº 1.070 reorganizam o espaço competitivo entre fornecedores?
Érica — Essas portarias reorganizam o mercado ao impor padronização técnica, modelos de contratação e parâmetros salariais mais rígidos, com definição prévia de remuneração. Isso reduz a competição baseada na precarização da mão de obra e favorece empresas capazes de estruturar corretamente suas propostas, com planilhas de custos bem definidas e cálculo adequado do fator K.

Sinforme — O que diferencia uma empresa que “participa de licitações” de uma que constrói presença consistente no mercado público?
Érica — Empresas que vendem de forma estruturada para o governo entendem que, além do fluxo de caixa, existe a possibilidade de faturamento recorrente, que pode se estender por até dez anos. Muitas têm o Estado como cliente principal e constroem reputação de entrega e confiança, sendo chamadas antes mesmo da publicação do edital, como em consultas ou chamadas públicas. Por outro lado, ainda há empresas que entram em licitações sem compreender a lógica interna do órgão contratante e sem uma estratégia definida.

Sinforme — O que muda quando o fornecedor passa a entender planejamento, governança e a forma de decisão do Estado?
Érica — Quando o fornecedor compreende esses elementos, deixa de “adivinhar o edital” e passa a antecipar demandas com base no planejamento plurianual, no orçamento e no Plano Diretor de TIC, todos disponíveis em fontes públicas. As propostas passam a ser alinhadas aos resultados esperados e aos impactos dos serviços públicos, com argumentos de valor que dialogam com riscos, compliance, continuidade e segurança da informação.

Sinforme — Como as novas exigências de governança impactam empresas de TIC em crescimento?
Érica — A Lei 14.133/21 exige, para contratos de grande vulto, a implantação de programas de integridade em até seis meses após a assinatura. Para empresas em crescimento, isso implica a profissionalização da estrutura interna. Não se trata apenas de ter bom código ou infraestrutura, mas de manter controles internos, gestão de riscos, canais de denúncia e processos auditáveis. A lei também reforça a segregação de funções e a responsabilização, o que exige maturidade organizacional para evitar sanções severas, como a declaração de inidoneidade.

Sinforme — Quando não faz sentido disputar uma contratação pública?
Érica — A decisão deve se basear em análise objetiva. É necessário avaliar se a empresa atende aos requisitos de habilitação, especialmente certidões e capacidade técnica comprovada; se possui condições reais de executar o objeto contratado, com equipe capacitada e alinhamento estratégico; e se a participação é economicamente viável, a partir de uma planilha de custos consistente e sustentável.

Sinforme — A segurança jurídica é apontada como um avanço da nova lei. Como isso se traduz na prática?
Érica — A previsibilidade começa com a regulamentação específica, como instruções normativas e portarias setoriais, a exemplo das Portarias SGD/MGI nº 750 e nº 1.070. Soma-se a isso o amplo conjunto de acórdãos dos órgãos de controle, frequentemente utilizados pelas empresas de tecnologia para orientar decisões e reduzir incertezas nas contratações públicas.

Sinforme — Como se preparar para uma estratégia mais estruturada focada no setor público?
Érica — O primeiro ajuste precisa ser na governança. Vender para o governo não é burocracia excessiva, mas organização e disciplina. É fundamental manter certidões em dia, documentos que comprovem capacidade técnica e uma estrutura interna apta a passar por diligências. Sem governança sólida, não há contrato público sustentável. A partir disso, entram as dimensões comercial, técnica e jurídica, sempre de forma integrada.

Artigo defende uso inteligente da Inteligência Artificial no ensino superior

O artigo “Contramanifesto e o estímulo inteligente à utilização da tecnologia” questiona iniciativas que defendem a proibição do uso de inteligência artificial generativa (IA) nos processos de ensino-aprendizagem no ensino superior. O texto argumenta que negar o acesso a tecnologias amplamente utilizadas no mundo real compromete a formação adequada dos estudantes.

A autora compara o atual receio em relação à IA à resistência enfrentada, no passado, pela introdução das calculadoras nas escolas, destacando que grandes disrupções tecnológicas costumam gerar desconforto, mas também impulsionam inovação. Segundo o artigo, a educação precisa evoluir continuamente para acompanhar as transformações sociais e tecnológicas.

O texto defende que a integração consciente da IA em sala de aula pode fortalecer o pensamento crítico, desde que os alunos sejam incentivados a questionar resultados, compreender limites da tecnologia e utilizá-la de forma responsável. Proibir o uso, segundo a análise, tende a estimular práticas ocultas e impede que a universidade cumpra seu papel de preparar os estudantes para o futuro.

O artigo conclui que o ensino superior deve promover curiosidade, reflexão e capacidade crítica, utilizando a tecnologia como aliada no processo educativo, e não como ameaça.

Fonte: Público (Portugal) — Contramanifesto e o estímulo inteligente à utilização da tecnologia, por Joana Mendonça.

FAPDF lança edital de R$ 1 mi para apoiar projetos de extensão universitária inovadores no DF

A Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) publicou um Edital de Seleção Pública para apoiar projetos de extensão universitária com foco em inovação desenvolvidos por instituições de ensino superior sediadas no Distrito Federal. A iniciativa tem como objetivo ampliar a integração entre universidade e sociedade, estimulando a aplicação prática de conhecimento científico para enfrentar desafios sociais, ambientais e econômicos da região.

O edital prevê um investimento total de R$ 1 milhão, distribuído em até cinco propostas, com valor máximo de R$ 200 mil por projeto apoiado. As propostas devem demonstrar caráter inovador, contribuir para a resolução de problemas reais da sociedade e estar alinhadas às diretrizes de ciência, tecnologia e inovação do Distrito Federal.

Podem participar instituições públicas e privadas de ensino superior com programas de extensão ativos, sendo incentivada a cooperação interinstitucional entre, pelo menos, duas universidades ou faculdades por proposta para fortalecer atuação em rede.

Fonte: FAPDF — FAPDF lança edital para apoiar projetos de extensão universitária com foco em inovação (publicado em 29/01/2026).
Foto: Pesquisadores analisam resultados da pesquisa “Atividade antimicrobiana e caracterização de uma fita polimérica complexada com cobre validada para aplicações em desinfecção de superfícies” em laboratório da University of Lincoln, no Reino Unido. (Créditos: acervo do projeto)

Governo atualiza metas da Estratégia Federal de Governo Digital até 2027

A Secretaria de Governo Digital do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos atualizou a Estratégia Federal de Governo Digital 2024–2027 por meio da Portaria SGD/MGI nº 473, de 20 de janeiro de 2026, definindo um conjunto mais detalhado de metas operacionais para transformação digital do Estado até 2027.

As metas abrangem áreas estratégicas como serviços públicos digitais, acessibilidade, uso intensivo de dados, inteligência artificial (IA), segurança da informação e integração federativa. A atualização inclui ações específicas como a implantação de soluções de IA em órgãos públicos, capacitação de gestores, experimentação de projetos, publicação de guias orientativos e trilhas de capacitação, além de objetivos para que 95% dos serviços digitalizáveis sejam transformados até 2026 e que a satisfação dos usuários alcance níveis elevados até 2027.

No campo de dados, a estratégia reforça a Infraestrutura Nacional de Dados como base para a digitalização do Estado e estabelece metas de economia de recursos públicos por meio da redução de exigências de documentos via Conecta GOV.BR, além da integração de bases para qualificar benefícios sociais diante das políticas públicas.

As metas também apontam para a capacitação de servidores em governança de dados e tecnologias emergentes, com indicadores para elevar medidas de governança, privacidade e segurança da informação ao longo do ciclo de implementação.

Fonte: Capital Digital — As metas do Governo Digital até 2027 (publicado em 23/01/2026).
Imagem: Divulgação/Capital Digital

Missão Empresarial do DF levará empresários ao Congresso de Inovação da Indústria 2026

A FIBRA, em parceria com o Sebrae DF, está organizando uma Missão Empresarial do Distrito Federal para participação no 11º Congresso de Inovação da Indústria, considerado o maior fórum de inovação da América Latina. O evento será realizado nos dias 25 e 26 de março de 2026, no WTC São Paulo.

Com o tema “Transição ecodigital, sustentabilidade e tecnologias digitais”, o congresso reunirá lideranças empresariais, especialistas e representantes da indústria para debater tendências, soluções tecnológicas e estratégias voltadas ao desenvolvimento sustentável e à competitividade do setor produtivo.

As vagas para a missão são limitadas, e os empresários interessados devem manifestar interesse por meio de formulário online, etapa necessária para viabilização da participação organizada pela FIBRA e pelo Sebrae DF.

Manifestação de interesse:
https://forms.cloud.microsoft/r/8a8C6X4uXF

Mais informações sobre o congresso:
https://congressodeinovacao.com.br

Fonte: FIBRA | Sebrae DF

Governo digital avança, mas enfrenta desafio de retenção em TI, diz presidente da ANATI

Luiz Alexandre Silva alerta para evasão de servidores, salários defasados e risco de instabilidade em políticas públicas e perda de capacidade operacional nos serviços digitais

O avanço do governo digital no Brasil depende cada vez mais de sistemas críticos, mas enfrenta um problema interno: a perda acelerada de profissionais de tecnologia no serviço público. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Analistas de Tecnologia da Informação (ANATI), Luiz Alexandre Silva, a carreira federal de ATIs vive um “apagão silencioso”, com evasão, dificuldade de reposição e risco à continuidade dos serviços digitais.

Em entrevista para o Sinforme, ele alerta sobre o insucesso das políticas de retenção adotadas pelo Governo Federal, a ausência de capacitação adequada em órgãos SISP, sobre a falta de padronização tecnológica e afirma que empresas interessadas em atuar com o governo precisam alinhar propostas/soluções ao planejamento dos órgãos públicos já vigentes. E deixa um recado para o empresário de TI: “O empresário precisa conhecer o plano de transformação digital de cada órgão, dominar o Plano Diretor de Tecnologia da Informação (PDTI) vigente. Quando entende a necessidade real, a conversa vira parceria e não oferta genérica”, explica.

Sinforme — O governo tem tido dificuldade de manter profissionais de TI?
Luiz Alexandre Silva — O problema central é retenção. A carreira de Analista em Tecnologia da Informação – ATI do Governo Federal teve forte evasão na última década. Muitos que entraram em 2015 estão saindo agora, e quem chega leva anos para atingir maturidade. Quando o servidor fica pronto, o mercado privado — e até o exterior — oferece um salário maior, e claro compatível com as atribuições do cargo. Além é claro de garantir o  trabalho remoto. O que acontece hoje é que o Estado investe em formação pensando nos anos 2000 ainda, então o ATI se forma, faz capacitações e logo em seguida fica tão maduro profissionalmente que não consegue mais segurar o profissional, perdendo ele  na sequência, seja para o ente privado, como para outras carreiras do serviço público.

Sinforme — O novo concurso não mudou esse cenário?
Luiz Alexandre — Ajuda, mas parcialmente. Das 500 vagas, 182 concluíram o curso de formação e cerca de 150 tomaram posse. O curso foi presencial, na Academia da Polícia Federal, e muitos candidatos desistiram por logística e custo pessoal. E mesmo entre os que entraram, já há gente migrando para outros concursos e para o setor privado. Com salário inicial em torno de R$ 11 mil e teto de R$ 21 mil, após 20 anos de serviços prestados, fica difícil competir com carreiras equivalentes que começam com inicial entre 18 e 22 mil e chegam ao teto entre R$ 30 e 35 mil.

Sinforme — A tendência é de redução no quadro de analistas? O que o governo perde se isso continuar?
Luiz Alexandre — O risco real é colapso digital. Serviços públicos essenciais dependem de equipes técnicas para operar, evoluir e manter segurança e claro de profissionais que liderem essas equipes. Já existem órgãos com equipe insuficiente para sustentar sistemas críticos. E ataques cibernéticos são permanentes: sem gente qualificada para monitorar e responder, o dano pode ser enorme, financeiro, reputacional e de soberania nacional.

Sinforme — O senhor costuma dizer que transformação digital começa depois do lançamento. Por quê?
Luiz Alexandre — Porque aplicativo não é entrega final. Se o sistema cai, o cidadão perde confiança. TI é sustentação: disponibilidade, segurança, continuidade. Cada serviço anunciado exige operação 24 horas, proteção de dados e capacidade de resposta. Esse trabalho é invisível, mas é o que mantém o Estado funcionando.

Sinforme — O Brasil tem infraestrutura para sustentar essa digitalização crescente?
Luiz Alexandre — É uma pergunta difícil, pois a resposta para a área de TI sempre será que estamos correndo atrás de estar UPTIME, ou 100% preparados para as ameaças do dia a dia, mas seria um ultrage chegar a esse nível, ainda mais na área de tecnologia. Nosso grande problema é que cada CIO ou responsável pela TI Federal, quer tende a ter sua própria solução, seu datacenter, sua arquitetura. Quando muda a gestão, muda o rumo — e parte do investimento se perde. O caminho é interoperabilidade, consolidação gradual de infraestrutura e padrão mínimo de segurança e arquitetura. Ou seja, ainda faltam mais políticas para melhorar a governança e padronização no SISP.Sinforme — O que significa ‘nuvem soberana’?
Luiz Alexandre — Significa manter dados sob jurisdição brasileira. Parte das bases pode estar em servidores fora do país, o que cria risco para soberania e privacidade. Nuvem soberana não é fechar o mercado; é garantir continuidade e controle. Infraestrutura digital hoje é tão estratégica quanto energia e logística.

Sinforme — E a inclusão digital?
Luiz Alexandre — É condição para a transformação funcionar. O Brasil é muito conectado por celular, mas ainda há regiões sem banda larga e grupos com barreiras de acesso. Serviço digital precisa ser acessível para idosos, pessoas com deficiência e comunidades isoladas. Se o cidadão não consegue usar, a política não entrega aquilo que ela foi pensada, ou seja, estamos correndo sérios riscos de ser ineficientes.

Sinforme — Que conselho o senhor daria a empresas que querem vender soluções ao governo?
Luiz Alexandre — Ouvir antes de vender. Muita gente chega com produto pronto, sem entender o diagnóstico do órgão. O empresário precisa conhecer o plano de transformação digital, Plano Diretor de Tecnologia da Informação (PDTI). Quando entende a necessidade real, a conversa vira parceria e não oferta genérica.

Sinforme — O que falta em capacitação?
Luiz Alexandre — Política contínua. TI muda muito rápido: linguagens, ameaças, métodos. O servidor precisa de tempo institucional e incentivo para se atualizar. Sem isso, a defasagem técnica vira risco de segurança.

Sinforme — Que mensagem o senhor deixa para o governo e a sociedade?
Luiz Alexandre — TI não é setor-meio. É o próprio Estado funcionando. Sem o trabalho dos Analistas em Tecnologia da Informação, serviços param, contratos não são bem geridos abrindo margens para falhas e desvios, equipes não sabem o que fazer na tempestade dos “problemas diários de tecnologia” faltando alguém para ser o direcionador e mediador de conflitos. Alguém que prospecta, analisa, planeja, institui, gerencia, controla, reporta e avalia as políticas públicas de TI. Quando não se pensa em todo o ciclo da política pública, dados ficam expostos e o principal acontece, perdemos a confiança e credibilidade do cidadão em acreditar no Governo Federal. Portanto, buscar valorizar essa carreira é investimento em soberania, eficiência e cidadania, é garantir que serviços como , FGTS Digital, Login Único do GOVBR, Carteira Nacional de Habilitação Digital, ConectaGOV, assinatura digital do GOVBR, Contrata+ Brasil, Carteira de Trabalho Digital, Portal GOV.BR, Alistamento Militar Online, Prova de Vida Online, além de outros mais de 3000 serviços públicos digitais.

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