Presidente do Sinfor-DF é homenageado no Brasil Startups Awards 2025 por atuação em inovação e tecnologia

O presidente do Sindicato da Indústria da Informação do Distrito Federal (Sinfor-DF), Carlos Jacobino, foi um dos homenageados no Brasil Startups Awards 2025 – Edição Inteligência Artificial, realizado durante o Brasil Startups Summit, na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O reconhecimento destaca sua atuação institucional na articulação entre o setor produtivo, o poder público e o ecossistema de inovação.

A premiação integrou a programação da 25ª edição do Brasil Startups Summit, evento que reuniu empresários, investidores, representantes de big techs e autoridades para debater os impactos da Inteligência Artificial (IA) na economia e nas políticas públicas. A presença de Carlos Jacobino reforçou o papel das entidades representativas na construção de um ambiente favorável ao desenvolvimento tecnológico no Distrito Federal.

À frente do Sinfor-DF, Jacobino tem atuado na defesa de políticas públicas voltadas à inovação, à transformação digital das empresas e à qualificação profissional, além de estimular a aproximação entre startups, empresas consolidadas e órgãos de fomento. O prêmio reconhece essa trajetória e a contribuição do dirigente para o fortalecimento do setor de tecnologia da informação no DF.
“O reconhecimento simboliza o esforço coletivo do setor de TI em Brasília para consolidar um ecossistema mais competitivo, inovador e integrado às decisões de política pública”, destacou Carlos Jacobino durante a cerimônia.

Além da homenagem ao presidente do Sinfor-DF, o Brasil Startups Awards 2025 premiou startups e empreendedores que se destacaram em diferentes categorias ligadas à Inteligência Artificial, evidenciando o amadurecimento do ecossistema nacional. A cerimônia também marcou a apresentação de um estudo sobre IA que servirá de base para o lançamento da Frente Parlamentar de Inteligência Artificial em 2026.

O Brasil Startups Summit 2025 teve como eixo central a necessidade de integração da IA aos modelos de negócio, o investimento em infraestrutura de dados e a capacitação de profissionais, apontando caminhos para o crescimento sustentável da economia digital brasileira.

Ping-pong | Governança, tecnologia e desenvolvimento no DF

Carlos Jacobino, presidente do Sinfor-DF

1 – Como o senhor avalia o estágio atual da transformação digital no Distrito Federal?
O Distrito Federal avançou em infraestrutura e em algumas frentes de digitalização de serviços, mas ainda opera sem uma governança própria para a transformação digital. Atualmente, essa agenda está vinculada à Secretaria de Economia, o que cria limitações operacionais e entraves burocráticos. A tecnologia precisa ser tratada como política estruturante de Estado, com coordenação dedicada, visão de longo prazo e capacidade de articulação entre áreas.

2 – Por que a ausência dessa estrutura específica é um problema para o DF?
Porque o DF é a única unidade da federação que não conta com um órgão dedicado exclusivamente à transformação digital. Essa ausência fragmenta decisões, dificulta a coordenação entre secretarias e reduz a atratividade do território para projetos inovadores. Sem uma instância própria, a tecnologia perde centralidade e velocidade, justamente em um ambiente que concentra grandes demandantes públicos e decisões estratégicas.

3 – É nesse contexto que surge a proposta do Conselho de Transformação Digital do DF?
Exatamente. O Sinfor-DF propôs o Conselho de Transformação Digital pensando em um espaço de coordenação estratégica, capaz de alinhar prioridades, integrar políticas públicas e estabelecer diretrizes claras para o uso da tecnologia no Distrito Federal. Ele permite diálogo estruturado entre governo, setor produtivo, academia e sociedade, reduzindo sobreposições e aumentando a efetividade das iniciativas.

4 – O Sinfor-DF também propõe a criação de uma empresa pública de tecnologia da informação? Qual seria o papel dela?
A empresa pública de TI complementa essa governança. Ela cria capacidade operacional permanente para executar a estratégia definida, profissionalizar a gestão tecnológica, reduzir dependências fragmentadas e dar escala às soluções digitais. Sem uma estrutura desse tipo, o Estado tende a operar de forma reativa, com contratos dispersos e pouca continuidade institucional.

5 – Como essa proposta dialoga com a melhoria dos serviços públicos ao cidadão?
Uma governança clara e uma estrutura dedicada permitem acelerar projetos voltados ao cidadão, especialmente em áreas como saúde, educação, segurança e atendimento digital. A ausência desse arranjo dificulta a atração de soluções inovadoras e a implementação de tecnologias mais eficientes. Com coordenação e capacidade técnica, o Estado entrega serviços mais integrados, confiáveis e acessíveis.

6 – O senhor tem defendido que o setor público é o motor do desenvolvimento tecnológico. Como isso se conecta a essa agenda?
O setor público, especialmente no DF, tem papel decisivo na organização do mercado de tecnologia. Quando o Estado planeja, compra e executa com visão estratégica, ele cria escala, induz inovação e fortalece empresas locais. Sem governança, esse potencial se perde. Por isso, estrutura institucional e compras públicas caminham juntas.

7 – O Sinfor-DF aponta três pilares estruturais para o fortalecimento do setor. Quais são eles?
O fortalecimento do ecossistema de TI no DF passa por segurança jurídica, funding adequado e compras públicas inovadoras. Segurança jurídica dá previsibilidade ao investimento. Funding cria condições para crescimento e inovação. Compras públicas, quando bem desenhadas, induzem desenvolvimento tecnológico e fortalecem empresas nacionais, especialmente em setores estratégicos.

8 – As compras públicas seguem sendo um ponto sensível. O que precisa evoluir?
É preciso avançar para modelos de contratação que valorizem qualidade técnica, segurança, governança e capacidade de evolução das soluções ao longo do tempo. Compras públicas não podem ser apenas transacionais; elas precisam funcionar como instrumento de política de desenvolvimento tecnológico, especialmente em um território com o peso institucional do DF.

9 – Como essa agenda se relaciona com a definição de uma vocação tecnológica para Brasília?
Governança é pré-condição para vocação. O DF tem potencial claro para se tornar referência em GovTech, desenvolvendo soluções para o setor público. Mas isso exige foco, coordenação e estrutura. Sem esses elementos, a vocação permanece apenas como discurso, não como estratégia de desenvolvimento.

10 – O Sinfor-DF também tem atuado no acompanhamento da agenda regulatória e tributária. Por quê?
Porque decisões regulatórias e tributárias impactam diretamente a capacidade das empresas de investir, inovar e crescer. A criação de comissões para acompanhar temas como a tributação de dividendos reflete a necessidade de antecipar cenários e oferecer leitura qualificada ao setor, especialmente em um ambiente de incerteza.

11 – Qual é a visão de futuro do Sinfor-DF para o Distrito Federal?
Nossa visão é construir uma governança em rede que permita ao Distrito Federal assumir protagonismo tecnológico. Queremos um Estado com coordenação clara da transformação digital, capacidade operacional própria e diálogo permanente com o ecossistema. Isso cria as condições para que Brasília se consolide como um centro de referência em soluções tecnológicas voltadas a desafios reais do setor público e da sociedade.

Finep lança chamada pública para apoiar pesquisa aplicada em centros temáticos

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) publicou a chamada pública “Pesquisa Aplicada em Centros Temáticos 2025”, voltada ao apoio a projetos desenvolvidos por Centros Nacionais de Infraestrutura Científica e Tecnológica com foco em pesquisa aplicada. A iniciativa busca fortalecer a capacidade de pesquisa do país e estimular o desenvolvimento de produtos e processos inovadores com impacto econômico e social.

O edital disponibiliza até R$ 500 milhões em recursos não reembolsáveis provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e está alinhado a áreas estratégicas como cadeias agroindustriais sustentáveis, saúde, infraestrutura urbana e mobilidade sustentável, transformação digital, bioeconomia, descarbonização e transição energética, segurança energética e tecnologias de interesse para a soberania e defesa.

Os projetos selecionados deverão promover cooperação entre instituições científicas e tecnológicas, ampliar o uso multiusuário da infraestrutura de pesquisa e contribuir para a solução de desafios estratégicos nacionais.

As propostas devem ser enviadas por meio da Plataforma de Apoio e Financiamento da Finep até 29 de maio de 2026. O edital completo e demais informações estão disponíveis no site da Finep.

Fonte: Finep — Finep lança chamada pública para apoiar pesquisa aplicada em Centros Temáticos 2025.
Foto: Divulgação

MCTI consolida maior ciclo de investimentos em ciência e tecnologia desde o fim do contingenciamento do FNDCT

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) registrou um marco histórico em investimentos em ciência e tecnologia em 2025, com execução de mais de R$ 8,39 bilhões até o segundo trimestre e orçamento aprovado de R$ 14,66 bilhões, consolidando o maior ciclo de aplicação de recursos desde o fim do contingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

Os recursos estão concentrados em programas estruturantes que fortalecem a infraestrutura científica do país, incluindo o Pró-Infra (com R$ 1,5 bilhão destinados à recuperação de laboratórios e aquisição de grandes equipamentos em 75 projetos), além do fim dos cortes orçamentários no FNDCT, expansão de obras estratégicas como o projeto AmazonFace, e ampliação da Rede Observacional do Novo PAC.

Esses investimentos também se estendem à compra de supercomputadores para pesquisas avançadas, apoio a áreas como inteligência artificial, bioeconomia, transição energética, saúde e mobilidade urbana, e à consolidação de projetos de fronteira científica.

Segundo o MCTI, o aumento dos aportes reforça a capacidade de pesquisa e inovação no Brasil após anos de limitações financeiras, com foco em entregas concretas de infraestrutura e avanço tecnológico.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação — MCTI consolida maior ciclo de investimentos em ciência e tecnologia desde o fim do contingenciamento do FNDCT (publicado em 22/12/2025).

Opinião: “Rumo ao analógico” repensa o papel do digital no futuro

No artigo “Rumo ao analógico, por vias que eu não pensei antes!”, o autor Jeovani Salomão defende uma reflexão profunda sobre o equilíbrio entre o digital e o analógico na sociedade contemporânea. Embora reconheça a importância e o avanço das tecnologias digitais — especialmente da inteligência artificial e seu impacto transformador — o texto propõe que o verdadeiro propósito da digitalização deve ser melhorar a vida humana, e não apenas acelerar processos ou concentrar poder econômico.

Salomão argumenta que a tecnologia não pode ser um fim em si mesma: é preciso que ela se volte para valores humanos como amor, acolhimento e bem-estar social, integrando o digital com características que ele associa ao analógico — aquilo que não pode ser reduzido a zeros e uns, como relações humanas e experiências subjetivas.

O autor também ressalta que os avanços atuais em IA generativa e aprendizado de máquina decorrem de fatores como maior poder computacional, abundância de dados e algoritmos aperfeiçoados, mas que é essencial manter foco na compreensão humana, já que a própria IA tenta imitá-la como modelo de inteligência.

Em última análise, a coluna convida a sociedade a debater como tecnologia e humanidade podem coexistir de forma equilibrada, para que os benefícios do digital não se sobreponham aos valores humanos fundamentais.

Fonte: Capital Digital — Rumo ao analógico, por vias que eu não pensei antes!, por Jeovani Salomão.

TecnoGame estreia em Brasília com evento gratuito de tecnologia e cultura geek

O TecnoGame, novo evento gratuito voltado para tecnologia, cultura geek e games, terá sua primeira edição em Brasília reunindo público de todas as idades para atividades interativas, atrações relacionadas ao universo dos jogos eletrônicos e experiências tecnológicas.

O encontro oferecerá exposições, workshops, oficinas, competições e espaços de convivência, com foco na interação entre visitantes e as principais tendências em tecnologia, cultura pop, jogos e entretenimento digital. A proposta do TecnoGame é integrar inovação tecnológica com a cultura geek, promovendo acesso gratuito a experiências educativas e lúdicas no campo digital.

Organizado com o apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do DF (Secti-DF), o evento também pretende estimular o interesse por carreiras ligadas à tecnologia, além de fomentar a participação da comunidade local em atividades voltadas ao desenvolvimento tecnológico e criativo.

Fonte: Secti-DF / Governo do Distrito Federal — TecnoGame estreia em Brasília com evento gratuito de tecnologia e cultura geek
Foto: Divulgação

SINFOR-DF avança no planejamento do setor de TI para 2026

Entidade criou comissão para acompanhar debate sobre tributação de dividendos e avaliou cenário da convenção coletiva

O Sindicato das Indústrias da Informação do Distrito Federal (SINFOR-DF) instituiu uma comissão de trabalho dedicada ao acompanhamento das discussões sobre a tributação de dividendos, tema em debate no Congresso Nacional e com potencial impacto direto sobre as empresas de tecnologia. A definição integra um conjunto de deliberações estratégicas tomadas pela entidade em assembleia realizada em novembro, com foco na agenda regulatória, trabalhista e no planejamento das principais iniciativas institucionais para 2026.

Segundo o presidente do SINFOR-DF, Carlos Jacobino, a criação da comissão responde à necessidade de leitura antecipada do ambiente regulatório. “A discussão sobre tributação de dividendos envolve efeitos diretos na estrutura financeira das empresas. Nosso papel é acompanhar esse debate com profundidade técnica, para que o setor esteja preparado para tomar decisões com base em informação qualificada”, afirmou.

A comissão reúne empresários associados e tem como objetivo monitorar a tramitação legislativa, analisar os possíveis impactos das mudanças propostas e produzir orientações ao setor de tecnologia da informação no Distrito Federal. A iniciativa reforça a atuação do SINFOR-DF na defesa institucional das empresas diante de um cenário de incerteza tributária.

Na frente trabalhista, a entidade atualizou os associados sobre o andamento das negociações da Convenção Coletiva de Trabalho do setor de TI. Após um longo período de tratativas sem conclusão, o sindicato patronal avalia alternativas institucionais para enfrentar o impasse, com foco na segurança jurídica e na previsibilidade necessária para a operação das empresas.

Para Jacobino, o tema exige cautela e firmeza institucional. “A ausência de um acordo impacta diretamente a competitividade das empresas, especialmente em um setor que depende de contratos, licitações e planejamento de médio e longo prazo. O SINFOR-DF tem buscado soluções responsáveis, sempre preservando o equilíbrio entre as partes”, destacou.

Outro ponto central foi a avaliação dos resultados da Mostra de Tecnologia Brasília Mais TI 2025, que reuniu mais de 24 mil participantes ao longo de três dias e consolidou-se como o maior evento de tecnologia do setor produtivo no país. O evento ampliou o diálogo entre empresas, governo, academia e ecossistema de inovação, fortalecendo o posicionamento do Distrito Federal no cenário nacional.

“A Brasília Mais TI mostrou a capacidade do setor de se organizar, dialogar com o poder público e apresentar soluções concretas para o desenvolvimento econômico do Distrito Federal”, afirmou o presidente do SINFOR-DF. Para garantir o cumprimento dos compromissos assumidos na realização do evento, a entidade deliberou a contratação de operação de crédito, assegurando equilíbrio financeiro e continuidade das ações institucionais.

Com foco no próximo ciclo, o SINFOR-DF também definiu as comissões responsáveis pela organização da Mostra Brasília Mais TI 2026 e do Prêmio Sinfor de Tecnologia, iniciativas que se consolidaram como instrumentos de valorização do setor, estímulo à inovação e reconhecimento das empresas e lideranças que impulsionam a economia digital no DF.

“As comissões cumprem um papel estratégico ao mobilizar empresários, parceiros e instituições em torno de uma agenda comum. O objetivo é ampliar o alcance dessas iniciativas e fortalecer ainda mais o ecossistema de tecnologia do Distrito Federal”, concluiu Jacobino.

Projeto de Distrito de Tecnologia em Brasília avança com criação de S.A.

Iniciativa, voltada para todas as empresas de Tecnologia da Informação do DF, consolida Brasília como um polo de inovação

O projeto do Brasília Tech Hub, futuro distrito de tecnologia e inovação da capital federal, avançou com a formalização da sociedade anônima que irá estruturar o empreendimento e com a contratação de um executivo responsável pela condução da iniciativa. As decisões foram tomadas na segunda-feira, 12 de dezembro, durante reunião com o Conselho, e tratou da consolidação jurídica do projeto, da governança e dos próximos passos para a implementação.

A previsão é de que até o fim de janeiro, os estudos preliminares do projeto estejam prontos, com o detalhamento arquitetônico do complexo, que incluirá número de torres, por exemplo. No mesmo período, está previsto um roadshow para apresentar o projeto a empresas interessadas em ingressar na sociedade como novas acionistas.

A entrada de novos sócios deverá ocorrer por meio de janelas específicas de abertura de capital, com a primeira prevista para o fim de janeiro. Todas as empresas de Tecnologia da Informação podem fazer parte do Brasília Tech Hub. As empresas interessadas poderão conhecer o projeto, desde a concepção até as etapas futuras, em um evento público de apresentação, no início do próximo ano.

CIIA pretende impulsionar inteligência artificial no Distrito Federal em 2026

O Centro Integrado de Inteligência Artificial do Distrito Federal dá acesso a 160 cursos gratuitos em 9 especializações pela plataforma Grow with Google

O coordenador do Centro Integrado de Inteligência Artificial (CIIA), Ricardo Sampaio, afirma que o CIIA-DF foi criado para pensar inteligência artificial como política pública. Para o início de 2026, a meta é entregar um planejamento com estratégias definidas para o desenvolvimento de soluções, voltada para à adoção estruturada de IA, com orientação sobre os investimentos do governo, a atuação da indústria e a formação de competências em áreas prioritárias de serviços públicos.

A atuação do CIIA se estrutura em três frentes: um sistema de governança baseado na tríplice hélice — governo, setor produtivo e academia —, quatro eixos operacionais que organizam pesquisa, inovação, desafios e capacitação, e um laboratório multiusuário que coloca infraestrutura avançada de IA à disposição do Distrito Federal.

Na entrevista a seguir, o coordenador do CIIA, Ricardo Sampaio, detalha como esse desenho cria demanda concreta para a indústria de tecnologia e amplia a capacidade do governo de contratar soluções inovadoras. Mas ressalta que, uma das principais preocupações, é com a capacitação da população e dos trabalhadores.

“Estamos capacitando tanto startups quanto qualquer funcionário da indústria que queira trabalhar com tecnologia. Estamos com 160 cursos em 9 especializações, em um parceria com Google. São cursos gratuitos pelo CIIA, porque esses cursos custam mais de US$ 200”, explica Ricardo Sampaio.

Sinforme — Para começar, o que é o CIIA e qual é o seu papel dentro do governo?
Ricardo Sampaio — O CIIA é o Centro Integrado de Inteligência Artificial do Distrito Federal. Ele nasce com o objetivo de ser o centro do governo para pensar, de forma estratégica, as demandas relacionadas à inteligência artificial. Quando falamos de IA, não estamos falando apenas de ferramentas como o ChatGPT. Estamos falando de automação de serviços, análise de dados em larga escala, otimização de processos e de praticamente tudo o que hoje atravessa a tecnologia da informação. A IA se tornou uma tecnologia de uso geral, presente inclusive em camadas de infraestrutura e hardware.

Sinforme — E por que um centro de IA dentro do governo?
Ricardo Sampaio — Historicamente, os centros de inteligência artificial no Brasil e no mundo se concentraram na academia ou em grandes empresas de tecnologia, as big techs, que investem fortemente em pesquisa. O CIIA se posiciona de forma complementar, como um centro de pesquisa aplicada do governo. Em Brasília, isso tem um peso especial, porque o governo é o maior comprador do país e o principal indutor de demanda tecnológica. As soluções desenvolvidas para secretarias e órgãos públicos inevitavelmente geram demanda para a indústria, que é quem faz a sustentação, a evolução e a escala dessas soluções.

Sinforme — Muito se fala da tríplice hélice. Como ela opera na prática no DF?
Ricardo Sampaio — A tríplice hélice, que é a reunião do governo, academia e setor produtivo, aparece em praticamente todos os ecossistemas tecnológicos maduros. O Vale do Silício é um exemplo clássico: universidades fortes formam pessoas e conhecimento, o governo investe em pesquisa e cria ambiente regulatório, e o setor produtivo transforma isso em soluções. No DF, o desenho é semelhante, mas com uma característica própria: o peso do governo como demandante.

Sinforme — Como isso se traduz nas ações do CIIA?
Ricardo Sampaio — O CIIA capta recursos públicos e articula a academia para desenvolver soluções de ponta para problemas reais do governo. Essas soluções são entregues às secretarias como provas de conceito, as POCs. A partir daí, entra a indústria, que tem a capacidade de dar continuidade, suporte, melhoria e escala. É nesse ponto que surgem oportunidades concretas para empresas de tecnologia.

Sinforme — Como o CIIA estrutura essa operação no dia a dia?
Ricardo Sampaio — Trabalhamos a partir de quatro eixos. O primeiro é o eixo de pesquisa, voltado ao desenvolvimento de soluções aplicadas a problemas concretos apresentados pelas secretarias. O segundo é o eixo de inovação e empreendedorismo, que envolve a aproximação com startups e empresas, com encontros periódicos e troca constante. O terceiro é o eixo de desafios, em que problemas são lançados para que a sociedade e o ecossistema proponham soluções, em modelos próximos a hackathons ou crowdsourcing. O quarto eixo é o de treinamento e capacitação, que prepara pessoas para desenvolver, contratar e utilizar essas tecnologias.

Sinforme — Quais áreas concentram as primeiras iniciativas?
Ricardo Sampaio — Começamos por áreas com grande impacto social e operacional, como saúde, educação, mobilidade urbana, agricultura e políticas para mulheres. Há projetos em discussão com a Secretaria de Mobilidade, a Secretaria da Mulher, a Secretaria de Agricultura e a Secretaria de Saúde, sempre partindo de dores claramente identificadas.

Sinforme — De onde surgem essas demandas?
Ricardo Sampaio — Elas vêm diretamente do governo. Diferente do mercado privado, onde muitas vezes se tenta vender uma solução que talvez encontre um problema, aqui partimos da dor concreta. Na saúde, por exemplo, a grande questão é o complexo regulador, a fila. Como tornar a marcação de consultas e exames mais eficiente? Quando isso melhora, há impacto direto na contratação de serviços, inclusive da indústria que presta apoio à área da saúde.

Sinforme — Pode dar exemplos de soluções em desenvolvimento?
Ricardo Sampaio — Há propostas em mobilidade urbana envolvendo o uso de câmeras em ônibus para identificação de pessoas em situação de busca, projetos com drones para logística e entregas, soluções de mapeamento da produção agrícola local para abastecimento da rede pública de ensino, além de propostas em discussão para atendimento a mulheres em situação de risco por meio de sistemas de conversação em tempo real.

Sinforme — Como entra o Contrato Público para Solução Inovadora (CPSI)?
Ricardo Sampaio — Quando entregamos uma POC, ela já vem preparada para contratação via CPSI, prevista no Marco Legal das Startups. É uma modalidade que aceita risco e permite contratos de até R$ 1,4 milhão para dar continuidade à solução. No nível federal, já é utilizada por órgãos como Petrobras e CNJ. No DF, ainda é pouco explorada. O papel do CIIA é dar segurança técnica e institucional para que os gestores públicos utilizem esse instrumento, o que abre oportunidades claras para a indústria.

Sinforme — Como o CIIA trabalha o letramento e a capacitação em IA?
Ricardo Sampaio — A capacitação é transversal a tudo. Trabalhamos com diferentes públicos: estudantes do ensino médio e universitário, gestores públicos e profissionais da indústria. Hoje, oferecemos acesso gratuito a mais de 160 cursos por meio de licenças educacionais e nove especializações com certificação. Também há capacitações presenciais em parceria com a Escola de Governo. Já ultrapassamos a marca de mil pessoas capacitadas no DF.

Sinforme — Como o interessado acessa essas formações?
Ricardo Sampaio — Pelo site do CIIA ou pela nossa comunidade no Discord. A ideia é manter esse acesso aberto, justamente para ampliar a base de competências do ecossistema local.

Sinforme — Qual é o papel do laboratório dentro do CIIA?
Ricardo Sampaio — O Laboratório Multiusuário de Inteligência Artificial, o LIA, é a terceira perna dessa estrutura. A ideia é chegar, até o fim de 2026, a um parque com mais de R$ 8 milhões em infraestrutura, especialmente GPUs de alto desempenho, fundamentais para o treinamento de modelos de IA. Ao disponibilizar essa infraestrutura em modelo colaborativo, tornamos viáveis projetos que seriam economicamente inviáveis para empresas ou instituições isoladas.

Sinforme — Quem pode usar esse laboratório?
Ricardo Sampaio — O laboratório atende tanto demandas do governo quanto demandas locais do ecossistema. Diferente de estruturas fechadas, ele existe para desenvolver competências e soluções no DF, com impacto direto sobre serviços públicos e sobre a indústria.

Sinforme — Como o senhor resume a lógica do CIIA?
Ricardo Sampaio — O CIIA se organiza a partir de uma tríade: governança, quatro eixos operacionais e laboratório. A governança pensa o todo, como melhorar serviços públicos, formar pessoas, atender à indústria e garantir acesso à tecnologia para quem tem e para quem não tem recursos. A inteligência artificial precisa servir à população como um todo. Esse é o princípio que orienta todas as decisões.

Space Today 2025 transforma Brasília em palco da ciência e da inovação

Brasília será sede do Space Today 2025, evento que vai transformar a capital federal em um grande polo de ciência, tecnologia e inovação, reunindo especialistas, pesquisadores, estudantes e entusiastas do setor espacial e científico. A iniciativa busca aproximar o público de temas ligados à exploração espacial, astronomia, inovação tecnológica e educação científica.

A programação contará com palestras, painéis e atividades interativas, promovendo debates sobre avanços científicos, novas tecnologias e o papel do Brasil no cenário espacial e tecnológico global. O evento também pretende estimular o interesse de jovens e estudantes por carreiras científicas, fortalecendo a cultura da inovação e do conhecimento.

O Space Today 2025 integra ações de divulgação científica e posiciona Brasília como um importante espaço de diálogo sobre ciência, tecnologia e futuro, conectando especialistas e sociedade em torno de temas estratégicos para o desenvolvimento do país.

Fonte: Visite Brasília — Space Today 2025 transforma Brasília em palco da ciência e da inovação: https://visitebrasilia.com.br/noticias/space-today-2025-transforma-brasilia-em-palco-da-ciencia-e-da-inovacao

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