Transformação digital exige cultura de inovação e inclusão, alerta Sinfor-DF
Carlos Jacobino destaca que a Indústria 5.0 recoloca o ser humano no centro da tecnologia e cobra políticas de longo prazo para competitividade industrial
O Sindicato da Indústria da Informação do Distrito Federal (Sinfor-DF) participou da Jornada Nacional de Inovação da Indústria, realizada no Parque Tecnológico de Brasília (Biotic), nesta segunda-feira (14). O evento reuniu especialistas, empresários e gestores públicos para discutir como a Inteligência Artificial, o Big Data e a Internet das Coisas (IoT) podem impulsionar a competitividade industrial brasileira.
Durante o painel “Transformação Digital: Inteligência Artificial, Big Data, Dados e IoT”, o presidente do Sinfor-DF, Carlos Jacobino, destacou que a Indústria 5.0 recoloca o ser humano no centro da inovação tecnológica.
“A indústria 4.0 buscou eficiência e automação. A 5.0 deve ir além: usar a tecnologia a favor do bem-estar social, da sustentabilidade e da integração entre homem e máquina”, afirmou.
Jacobino reforçou que a digitalização é inevitável, mas ainda desigual. “O desafio é garantir acesso, cultura digital e capacitação em toda a base empresarial. Quem não se adaptar será descontinuado pelo mercado. O futuro exige agilidade e cooperação”, disse.
Inovação e cultura do risco
Os debates também abordaram a aversão ao risco e a insegurança jurídica como barreiras à inovação.
“Nos Estados Unidos, o empreendedor pode falir e recomeçar. No Brasil, o passivo trabalhista e tributário impede isso. Sem ambiente favorável, a inovação não prospera”, destaca Jacobino, citando o Índice Global de Inovação, que coloca o país abaixo na 52ª posição mundial.
Educação e inclusão digital
Representantes da academia e de startups apontaram a carência de formação técnica aplicada e letramento digital, especialmente em pequenas e médias empresas.
“Não há transformação digital sem educação básica sólida e ensino técnico conectado à realidade produtiva”, reforçou o dirigente.
Os participantes também destacaram a importância do ensino bilíngue e da ampliação da conectividade, lembrando que 95% da população brasileira não fala inglês, o que reduz a capacidade de absorver tecnologias globais.
Política nacional de transformação digital
O painel concluiu que a inovação deve ser tratada como política de Estado, com metas de longo prazo, financiamento e integração entre governo, empresas e universidades.
“A transformação digital não pode depender de governos. É um projeto nacional de desenvolvimento e de Estado”, afirmou Jacobino.