Setor de TI do DF avança com S.A. para tirar do papel o maior distrito tecnológico do Centro-Oeste

Grupo de trabalho inicia estruturação societária para viabilizar polo de inovação no Parque Tecnológico de Brasília; investimento previsto é de R$ 457 milhões

O projeto para a criação do maior Distrito Tecnológico do Centro-Oeste deu início a uma nova fase. Liderado pelo Sindicato das Indústrias da Informação do Distrito Federal (Sinfor-DF), o setor empresarial começou o processo de implementação do polo no Parque Tecnológico de Brasília (BIOTIC), com a formação de uma Sociedade Anônima (S.A.) voltada à gestão do empreendimento.

O grupo de trabalho responsável pelo projeto já iniciou os estudos técnicos e operacionais. Segundo o Sinfor, a equipe do escritório Michiles Tavares Advocacia Empresarial é responsável pela assessoria jurídica do projeto e está dedicada à consolidação da melhor estrutura societária e organizacional para viabilizar a execução do plano e garantir segurança jurídica aos investidores, parceiros e de toda operação.

Com investimento estimado em R$ 457,2 milhões, a proposta prevê a construção de 95 mil m² e a criação de mais de 13 mil empregos diretos. O cronograma aponta início das obras em até dez meses após a formalização contratual, com o primeiro edifício a ser entregue em até três anos e o complexo finalizado em sete anos.

A Sociedade Anônima será responsável por coordenar desde o planejamento urbanístico até a atração de empresas e a articulação com o setor público. A ideia é criar um ambiente corporativo estruturado, com regras claras de governança, participação e entrada de capital privado.

“O processo de estruturação está em andamento com responsabilidade e foco no longo prazo. Queremos garantir que o Distrito de TI seja mais do que um espaço físico. Ele deve ser a base de um ecossistema sustentável de inovação no Distrito Federal”, afirma Carlos Jacobino, presidente do Sinfor-DF.

Além da estrutura empresarial, o plano inclui a criação de uma cooperativa voltada à inclusão de startups, micro e pequenas empresas do setor. O objetivo é democratizar o acesso ao novo polo, evitando a concentração dos benefícios apenas em grandes grupos.

Apesar do avanço, o projeto enfrenta desafios antigos. O BIOTIC, concebido nos anos 2000, acumula um histórico de adiamentos, baixa ocupação e falta de incentivos robustos. Especialistas apontam ainda que, para além da infraestrutura, o sucesso do projeto depende da conexão com universidades, programas de pesquisa e estratégias de formação de mão de obra.

“A escolha pela estrutura de S.A. é acertada para dar escala e atratividade ao projeto. Mas o diferencial virá da articulação entre setor produtivo, academia e Estado. Sem isso, corremos o risco de repetir os erros de outros parques subutilizados no Brasil”, avalia um consultor do setor de inovação.

A expectativa do Sinfor é concluir os estudos societários e lançar oficialmente a S.A. até o fim do segundo semestre de 2025.

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