Empresas brasileiras estão prontas para liderar a transformação digital do setor público, diz presidente do Sinfor-DF
Carlos Jacobino participou de audiência pública na Câmara dos Deputados sobre o “Uso da inteligência artificial na administração pública brasileira”
O presidente do Sindicato da Indústria da Informação do Distrito Federal (Sinfor-DF), Carlos Jacobino, defendeu que o Brasil vive hoje um momento singular de maturidade tecnológica, com empresas e profissionais capacitados para atender e transformar a administração pública. Jacobino participou de audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (13).
Segundo Jacobino, o país conta com engenheiros, desenvolvedores e especialistas altamente qualificados em inteligência artificial (IA), capazes de propor soluções inovadoras para desafios enfrentados por governos em diferentes setores. “Nossas empresas estão preparadas para atender às demandas do serviço público, especialmente na qualificação técnica, e temos profissionais distribuídos por todas as regiões do Brasil atuando na vanguarda da tecnologia”, afirmou.
O presidente citou o caso do Estado do Piauí, que se tornou referência ao criar a primeira Secretaria de Inteligência Artificial do país. Segundo ele, a iniciativa permitiu ao Piauí avançar de forma significativa no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), aproximando o Estado dos melhores resultados educacionais do Brasil por meio do uso de IA em processos pedagógicos e na segurança pública.
As aplicações práticas da inteligência artificial, diz Jacobino, podem ser vistas em diversos estados, como atendimento automatizado ao cidadão por meio de por meio de chatbots, agendamento de consultas, programas de incentivo fiscal, além de inovações no recebimento de reembolsos por PIX. Ele destacou ainda a importância da gestão baseada em dados, que potencializa modelos preditivos em áreas como segurança, saúde mental e fiscalização de compras públicas, aumentando eficiência e transparência.
O presidente do Sinfor-DF enfatizou que a adoção da IA moderniza o serviço público e posiciona o Brasil para exportar soluções tecnológicas, tornando o país fornecedor ativo de inovação para o mercado internacional. “Não podemos perder a chance de desenvolver e comercializar tecnologias próprias. Está nas nossas mãos deixar de ser apenas consumidores de soluções estrangeiras e assumir papel estratégico no desenvolvimento global”, disse.
Jacobino reforçou ainda a necessidade de continuar investindo na formação de mão de obra qualificada, especialmente nas áreas de exatas e idiomas, para garantir sustentabilidade e competitividade no longo prazo. Sua fala aponta para um Brasil engajado em criar oportunidades para empresas nacionais crescerem, aumentarem produtividade e gerarem impacto positivo tanto para o cidadão quanto para a economia.

Especialistas apontam desafios e avanços da inteligência artificial no setor público
O presidente do Instituto Iluminante de Inovação Tecnológica e Impacto Social, Gilberto Lima, traçou um diagnóstico do uso de inteligência artificial (IA) na administração federal. De acordo com Lima, apenas 28% dos órgãos federais adotam a tecnologia de forma efetiva, apesar de casos de sucesso relevantes, como o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que agilizou processos de registro de patentes, e o programa Bolsa Família, onde algoritmos contribuem para detectar fraudes em grande volume de dados.
Lima, contudo, ressalta que persiste uma forte disparidade ao se comparar o avanço federal com o cenário nos estados e municípios. Apenas 10% das prefeituras brasileiras desenvolvem iniciativas consistentes em IA. Segundo o especialista, problemas como falta de transparência, dificuldades de usabilidade e lacunas de acessibilidade nos chatbots utilizados pelo governo ainda comprometem a qualidade do serviço prestado ao cidadão.
O presidente do Instituto Iluminante também enfatizou a importância de buscar equilíbrio entre inovação tecnológica e regulação, citando o Projeto de Lei 2338, atualmente em debate na Câmara dos Deputados. Para Lima, o texto deve privilegiar o foco humano, com classificações por risco, salvaguarda de direitos fundamentais e governança descentralizada. Ele argumenta que, ao priorizar inclusão social e fortalecer a soberania digital, o Brasil tem potencial para se estabelecer como referência internacional na área.
A análise reforça que, além de contar com o talento de empresas e profissionais nacionais, o país precisa superar os obstáculos regulatórios para garantir que avanços tecnológicos estejam, de fato, a serviço das necessidades da população.
Debate pode ajudar na elaboração de um marco normativo orientado à realidade brasileira, diz deputada
O debate foi pedido pela deputada Maria do Rosário (PT-RS). Ela afirmou que a audiência pública pode ajudar na elaboração de um marco normativo sólido e orientado à realidade brasileira sobre o uso da inteligência artificial na administração pública.
“Nós estamos aqui diante de questões que mostram que pode haver uma regulação positiva, uma regulação negativa, pode haver diferentes padrões de regulação. Regulação, portanto, é desenho de processo, anotei aqui como questão importante”, disse a deputada. Para ela, “não haverá um bom uso da IA sem a mediação humana”.
O Projeto de Lei 2338/23 trata do marco legal da inteligência artificial no Brasil. A proposta já foi aprovada no Senado em dezembro do ano passado e está em uma comissão especial da Câmara desde maio deste ano.