Transformação digital exige cultura de inovação e inclusão, alerta Sinfor-DF

Carlos Jacobino destaca que a Indústria 5.0 recoloca o ser humano no centro da tecnologia e cobra políticas de longo prazo para competitividade industrial

O Sindicato da Indústria da Informação do Distrito Federal (Sinfor-DF) participou da Jornada Nacional de Inovação da Indústria, realizada no Parque Tecnológico de Brasília (Biotic), nesta segunda-feira (14). O evento reuniu especialistas, empresários e gestores públicos para discutir como a Inteligência Artificial, o Big Data e a Internet das Coisas (IoT) podem impulsionar a competitividade industrial brasileira.

Durante o painel “Transformação Digital: Inteligência Artificial, Big Data, Dados e IoT”, o presidente do Sinfor-DF, Carlos Jacobino, destacou que a Indústria 5.0 recoloca o ser humano no centro da inovação tecnológica.

“A indústria 4.0 buscou eficiência e automação. A 5.0 deve ir além: usar a tecnologia a favor do bem-estar social, da sustentabilidade e da integração entre homem e máquina”, afirmou.

Jacobino reforçou que a digitalização é inevitável, mas ainda desigual. “O desafio é garantir acesso, cultura digital e capacitação em toda a base empresarial. Quem não se adaptar será descontinuado pelo mercado. O futuro exige agilidade e cooperação”, disse.

Inovação e cultura do risco

Os debates também abordaram a aversão ao risco e a insegurança jurídica como barreiras à inovação.

“Nos Estados Unidos, o empreendedor pode falir e recomeçar. No Brasil, o passivo trabalhista e tributário impede isso. Sem ambiente favorável, a inovação não prospera”, destaca Jacobino, citando o Índice Global de Inovação, que coloca o país abaixo na 52ª posição mundial.

Educação e inclusão digital

Representantes da academia e de startups apontaram a carência de formação técnica aplicada e letramento digital, especialmente em pequenas e médias empresas.

“Não há transformação digital sem educação básica sólida e ensino técnico conectado à realidade produtiva”, reforçou o dirigente.

Os participantes também destacaram a importância do ensino bilíngue e da ampliação da conectividade, lembrando que 95% da população brasileira não fala inglês, o que reduz a capacidade de absorver tecnologias globais.

Política nacional de transformação digital

O painel concluiu que a inovação deve ser tratada como política de Estado, com metas de longo prazo, financiamento e integração entre governo, empresas e universidades.

“A transformação digital não pode depender de governos. É um projeto nacional de desenvolvimento e de Estado”, afirmou Jacobino.

Sinfor-DF defende foco estratégico e governança em rede para impulsionar o ecossistema de inovação do Distrito Federal

Presidente Carlos Jacobino reforça a importância das compras públicas e da definição de uma vocação tecnológica para tornar Brasília centro de referência em inovação.

O presidente do Sindicato da Indústria da Informação do Distrito Federal (Sinfor-DF), Carlos Jacobino, defendeu a necessidade de uma agenda comum, entre governo, setor privado, academia e sociedade civil, para o desenvolvimento tecnológico do Distrito Federal.

Jacobino participou do painel “Governança para o Desenvolvimento Territorial”, durante o Eli Summit DF 2025, no SebraeLab, no Parque Tecnológico de Brasília. Entre os debatedores estavam: o coordenador do núcleo de Inovação Territorial no SEBRAE Nacional, Marcus Vinícius Bezerra, o Diretor de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico da FIBRA, Graciomário de Queiroz, e coordenador da Residência Tecnológica da Universidade Católica de Brasília, professor Santana.

De acordo com o presidente do Sinfor-DF, o setor público tem papel decisivo na dinamização do ecossistema local de inovação. “O governo é o principal motor do desenvolvimento. Quando ele não compra, as empresas locais não conseguem se desenvolver”, afirmou.

Ele destacou que, embora o governo do Distrito Federal tenha avançado na infraestrutura, ainda há um grande desafio no campo da tecnologia. “É preciso modernizar, adotar tecnologias mais eficientes e estimular o mercado local por meio da inovação e da compra pública”, reforçou.

Três pilares estruturais: segurança jurídica, funding e compras públicas

Jacobino defendeu que o fortalecimento do ecossistema depende de três pilares fundamentais:

  1. Segurança jurídica, que garanta estabilidade e confiança aos investidores;
  2. Funding, com linhas de financiamento adequadas ao setor;
  3. Compras públicas inovadoras, que priorizem soluções desenvolvidas por empresas brasileiras.

“Nos anos 1990, o Brasil tinha empresas que desenvolviam bancos de dados próprios. Hoje, só se compra soluções estrangeiras. Precisamos recuperar nossa capacidade de produzir tecnologia, com o Estado atuando como indutor”, afirmou.

Definir uma vocação para Brasília

Para o presidente do Sinfor-DF, o grande desafio do Distrito Federal é definir sua vocação tecnológica, assim como fizeram ecossistemas de sucesso ao redor do mundo, em países como Israel, Singapura e Emirados Árabes.

“Para quem não sabe onde quer ir, qualquer lugar serve. Precisamos de foco e direção. Brasília tem potencial para se tornar referência em GovTech, desenvolvendo soluções tecnológicas para o setor público — e isso inclui educação, saúde, segurança e gestão”, destacou.

Com uma vocação clara, explicou Jacobino, será possível alinhar a formação acadêmica, a produção científica e o investimento privado, gerando sinergia entre os diferentes atores do ecossistema: governo, universidades, empresas e sociedade civil.

Visão de futuro: Brasília como centro de soluções

Carlos Jacobino reforçou ainda que o Sinfor-DF continuará liderando esforços pela construção de uma governança em rede, capaz de unir propósitos e acelerar resultados para o Distrito Federal.

“Nosso objetivo é fazer de Brasília um centro de referência em soluções tecnológicas. Queremos que, quando o mundo buscar inovação para resolver desafios reais, olhe para o Distrito Federal e reconheça aqui um polo de excelência”, afirma.

Sinfor-DF é reconhecido como Instituição Protagonista no Prêmio País Digital 2025

Reconhecimento nacional destaca o papel do Sinfor-DF na consolidação de Brasília como um dos principais polos de tecnologia e inovação do país.

O Sindicato da Indústria da Informação do Distrito Federal (Sinfor-DF) foi reconhecido nacionalmente com o Prêmio Instituição Protagonista País Digital 2025, concedido pelo movimento Brasil, País Digital, com apoio da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES). A premiação ocorreu durante o ABES Summit 2025, realizado no JW Marriott Hotel, em São Paulo, e destacou o papel de instituições que têm impulsionado a transformação digital no país.

O reconhecimento marca um importante momento para o setor de tecnologia do Distrito Federal, que vem consolidando sua posição como um dos ecossistemas mais dinâmicos e inovadores do Brasil. “Esse prêmio representa o esforço coletivo de empresas, empreendedores e instituições que acreditam no potencial de Brasília como capital da tecnologia”, afirmou o presidente do Sinfor-DF, Carlos Jacobino, ao receber a homenagem.

O Prêmio Brasil, País Digital chegou à edição de 2025 com quatro categorias principais: Embaixador(a), Protagonista, Instituição Protagonista e Soluções Mais Admiradas. As indicações reconhecem pessoas, organizações e empresas que, por meio de suas iniciativas, contribuíram para o avanço tecnológico e a democratização do acesso digital em todo o território nacional.

Na categoria Instituição Protagonista, da qual o Sinfor-DF foi vencedor, a comissão avaliadora considerou critérios como impacto regional, contribuição para políticas públicas de inovação, articulação setorial e resultados mensuráveis no fortalecimento do ambiente de tecnologia e inovação. O sindicato vem se destacando pela liderança em projetos como o Distrito de TI, a Mostra Brasília Mais TI e iniciativas de formação e governança colaborativa entre governo, academia e empresas.

Segundo a ABES, a categoria busca valorizar entidades que “transformam a inovação em realidade e constroem um Brasil mais digital, inclusivo e sustentável”.

Ações concretas em prol da digitalização do país

Criado para reconhecer agentes de transformação, o movimento Brasil, País Digital tem como missão inspirar ações concretas em prol da digitalização do país. Ao longo dos últimos anos, o Sinfor-DF tem sido uma das principais vozes desse processo, atuando na defesa da indústria local, no incentivo ao empreendedorismo tecnológico e na promoção de políticas voltadas à economia digital.

A entrega do prêmio reforça o papel de Brasília como referência nacional em tecnologia e inovação. “Receber esse reconhecimento é uma honra, mas também um compromisso de continuar trabalhando por um ecossistema mais integrado, competitivo e preparado para os desafios da nova economia digital”, completou Jacobino.

Vice-presidente executiva do SINFOR-DF recebe moção da Câmara Legislativa do Distrito Federal

Lúcia Soares foi reconhecida, em sessão solene, entre as mulheres líderes em ciência, tecnologia e inovação do DF

A vice-presidente executiva do Sindicato da Indústria da Informação do Distrito Federal (SINFOR-DF), Lúcia Soares, foi homenageada com uma moção de reconhecimento durante sessão solene realizada nesta quarta-feira (24), na Câmara Legislativa do DF (CLDF). A cerimônia, proposta e presidida pela presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, deputada distrital Doutora Jane (Republicanos), destacou a trajetória de mulheres que ocupam posições de liderança na ciência, tecnologia e inovação (CT&I).

Ao agradecer a homenagem, Lúcia lembrou que ingressou no setor há mais de duas décadas, quando a presença feminina em cargos de liderança era rara. “Naquela época, as mesas de decisão eram formadas quase exclusivamente por homens. Avançamos e, hoje no Sinfor-DF, metade da chapa do atual presidente é composta por mulheres. Mas ainda há muito por fazer, porque encontramos poucas meninas em laboratórios e em cursos de tecnologia. Este reconhecimento é também um chamado para inspirarmos as próximas gerações”, afirmou.

Na abertura da sessão, a deputada Dra. Jane destacou o papel estratégico das mulheres no desenvolvimento científico e tecnológico do país. “O futuro do DF e do Brasil passa pelo talento e pela inovação. E não há inovação sem diversidade, sem equidade, sem a presença ativa das mulheres”, disse. A parlamentar reconheceu os obstáculos enfrentados pelas profissionais da área, como barreiras culturais, falta de oportunidades e a solidão em ambientes majoritariamente masculinos. “Não aceitaremos que o talento feminino seja desperdiçado. Queremos que ele seja motor de desenvolvimento, geração de renda e transformação social”, completou.

Líder de comunicação do Grupo Mulheres do Brasil, a pesquisadora e jornalista Marcela Souza, também participou da mesa e apontou o desafio de aumentar a presença feminina na tecnologia. “Temos maioria de mulheres nas universidades e no empreendedorismo, mas não na ciência e na inovação. Esse é um gargalo mundial que precisa ser enfrentado com políticas públicas e também com responsabilidade individual”, afirmou. Segundo ela, as jovens precisam ver exemplos que as inspirem: “É fundamental que entendam que são capazes de ser cientistas, desenvolvedoras e programadoras”.

O SINFOR-DF ressaltou que a homenagem a Lúcia Soares simboliza não apenas o reconhecimento de sua trajetória, mas também a defesa da diversidade como um ativo estratégico para o setor de tecnologia.
“Valorizar as mulheres é valorizar a inovação e o futuro do Distrito Federal”, destaca do o presidente da instituição, Carlos Jacobino.

A trajetória de Lúcia Soares na tecnologia do DF

A vice-presidente executiva do SINFOR-DF, Lúcia Soares da Silva, é considerada uma das protagonistas da história recente da tecnologia da informação no Distrito Federal. Sua atuação no setor começou em 2001, quando passou a integrar a gestão do sindicato ao lado do então presidente Antônio Fábio Ribeiro. Desde então, tem se dedicado a fortalecer o ecossistema local de tecnologia, conectando pessoas, criando oportunidades e transformando inovação em desenvolvimento.

Ao longo de mais de duas décadas, Lúcia participou de iniciativas que marcaram o setor. Esteve na equipe que implantou o Arranjo Produtivo Local de TIC (APL-TIC-DF), responsável por ampliar a competitividade das empresas locais. Também foi peça-chave na consolidação do SINFOR-DF como interlocutor entre governo, academia e setor produtivo.

Entre suas realizações estão a criação da Mostra Brasília Mais TI e do Prêmio SINFOR de TI. A Mostra, que ela coordena desde a primeira edição, tornou-se um dos principais espaços de acesso à inovação no país. Já o prêmio, em 14 edições, destacou soluções e talentos que reposicionaram o DF como referência em inovação.

Seu trabalho foi reconhecido em 2017, quando recebeu da Câmara Legislativa o título de “Personalidade Parceira da TI”. Em 2022, trouxe para Brasília a franquia Super Geeks, voltada à formação de crianças e adolescentes em programação e pensamento computacional.

Hoje, como 1ª vice-presidente executiva do SINFOR-DF, Lúcia mantém o foco em três frentes: ampliar a participação de mulheres na tecnologia, criar oportunidades para jovens talentos e startups e defender políticas públicas que impulsionem a economia digital do DF.

Sua trajetória, avaliam colegas do setor, é também um legado: o de ajudar a consolidar Brasília como capital da tecnologia no Brasil e mostrar que inovação é, antes de tudo, sobre pessoas e oportunidades.

Homenageados pela CLDF reforçam importância do papel feminino na ciência e tecnologia

As lideranças, que compuseram a mesa da sessão solene, (Vice-presidente executiva do SINFOR-DF recebe moção da Câmara Legislativa do Distrito Federal) ressaltaram o papel das mulheres na ciência, tecnologia e inovação e compartilharam experiências de suas trajetórias no setor.

Silvia Marruá, presidente da Embrapa

A presidente da Embrapa, Silvia Marruá, lembrou que é a primeira mulher a assumir o comando da instituição em 50 anos. Pesquisadora de carreira desde 1989, ela destacou que sua formação em computação e atuação no agronegócio sempre foram marcadas pela predominância masculina.

“Quando entrei na Embrapa, em 1989, a diretoria tinha apenas uma mulher, como se fosse uma cota. Hoje, nossa gestão é majoritariamente feminina. Isso não significa substituir, mas somar, porque a complementaridade entre homens e mulheres enriquece a gestão”, afirmou.

Ela ressaltou o impacto de pesquisas lideradas por mulheres, citando a tecnologia de fixação biológica de nitrogênio, desenvolvida pela pesquisadora Johana Döbereiner, que gera economia anual de R$ 16 bilhões ao Brasil. “Esse é um exemplo da importância da liderança feminina na ciência”, afirmou.

Rose Rainha, superintendente do Sebrae-DF

A superintendente do Sebrae-DF, Rose Rainha, parabenizou a deputada Dra. Jane pela iniciativa e disse que as homenageadas foram escolhidas “a dedo”. Para ela, o reconhecimento é uma forma de “trazer luz ao trabalho gigantesco e desafiador de tantas mulheres”.
Rose destacou ainda a presença da brasileira Mônica Monteiro na presidência do BRICS Woman e relembrou um encontro do grupo na Rússia. “Me emocionei ao ver a alegria de uma mulher que há apenas um ano podia tirar carteira de motorista. Isso mostra o quanto o Brasil já avançou e como nossas mulheres ocupam posição de destaque”, disse.

Leonardo Reisman, presidente da FAP-DF

De acordo com o presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAP-DF), Leonardo Reisman, a presença feminina em tecnologia ainda é baixa: cerca de 20% no mercado e 30% em cursos das áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática).

Ele explicou que essa limitação está ligada ao chamado “teto de vidro” e defendeu a divulgação de exemplos inspiradores. “Precisamos que os modelos de referência cheguem até as estudantes, para que elas se sintam capazes de ocupar esses espaços”, afirmou.

José Aparecido, presidente da Fecomércio-DF

O presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido, afirmou que as mulheres estão “começando a reagir” e a ocupar espaço na tecnologia. Ele lembrou que a entidade foi a primeira no país a criar uma Câmara de Mulheres Empreendedoras, iniciativa que hoje tem alcance nacional.

Aparecido destacou ainda a participação feminina no empreendedorismo do DF. “Trinta e duas em cada cem empresas abertas são de mulheres. Além disso, 42% dos lares são chefiados por elas e 84% das compras no comércio são feitas por mulheres”, disse.

Laura Oliveira, vice-presidente do CODESE

A vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do Distrito Federal (CODESE), a empresária Laura de Oliveira Vieira, relatou sua experiência em um curso de eletrotécnica há mais de 30 anos, quando apenas seis mulheres estavam em uma turma de 50 alunos. “Três concluíram o curso, o que mostra como o desafio sempre foi grande”, afirmou.Ela defendeu a multiplicação de iniciativas como a sessão solene e destacou as dificuldades para fechar turmas de cursos de tecnologia voltados exclusivamente para mulheres em regiões periféricas. “Os laboratórios continuam intensamente masculinos. Precisamos trazer essa pauta também para os homens e multiplicar ações todos os dias”, disse.

Regulação da IA precisa acompanhar a velocidade da tecnologia, apontam especialistas

Painel no Brasília Mais TI discutiu desafios da regulação da inteligência artificial e das plataformas digitais no Brasil, destacando riscos para a inovação, a necessidade de marcos flexíveis e a importância da formação de talentos.

No terceiro dia do Brasília Mais TI, especialistas alertaram que a regulação da inteligência artificial e das mídias sociais precisa evoluir no ritmo da tecnologia para garantir segurança sem frear a inovação. O debate, mediado pelo diretor de Relações Governamentais da ABES, Marcelo Almeida, apontou caminhos para um equilíbrio entre governança, competitividade e inclusão digital.

O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), Andriei Gutierrez, chamou atenção para a falta de clareza nos projetos em tramitação. “A regulação deve focar no uso da tecnologia e não na tecnologia em si. Definir riscos e obrigações de forma genérica é perigoso, porque cada setor tem necessidades diferentes”, afirmou, alertando para riscos de judicialização e insegurança jurídica.

Para a superintendente da Superintendência Científica, Tecnológica e Inovação da FAP-DF, Renata Vianna, a construção das regras precisa ser colaborativa e ágil. “A gente precisa começar a fazer uma conversa muito séria entre governo e empresas privadas sobre o uso de tecnologias. Não há retrocesso nesse caminho e temos que enfrentá-lo com responsabilidade e na mesma velocidade em que a tecnologia avança”, destacou. Ela citou a criação do Centro de Inteligência Artificial do Distrito Federal, que contará com cinco projetos em áreas estratégicas e investimento de R$ 20 milhões ao longo de três anos.

Já o gerente de Serviços, Produtos e Inovação da Empresa de Tecnologia da Informação do Estado do Piauí (ETIPI), Lucas Costa, reforçou a importância da educação como base para a transformação digital. “O principal mecanismo de transformação do Brasil hoje é o que está acontecendo no meu estado: educação. Toda a rede pública do Piauí já tem ensino de inteligência artificial na grade curricular. Isso vai ajudar muito nessa transição regulatória e tecnológica”, afirmou.

O painel deixou claro que a regulação da IA deve ser adaptável, baseada em contexto e construída de forma colaborativa, garantindo proteção aos usuários sem travar a evolução tecnológica e a competitividade do país.

7ª edição do Brasília Mais TI tem recorde de público e consolida evento como referência nacional em tecnologia

Evento reuniu mais de 120 especialistas e atraiu milhares de pessoas em três dias, consolidando-se como um marco para o ecossistema de tecnologia no Brasil.

O Brasília Mais TI encerrou sua sétima edição com números expressivos e um recado claro: a tecnologia é um pilar estratégico para o desenvolvimento do país e precisa de políticas públicas robustas para avançar. Ao longo dos três dias, o evento contou com mais de 120 painelistas e palestrantes, inscrições vindas de todas as unidades da federação e público recorde de 24 mil pessoas. 

O presidente do Sindicato das Indústrias da Informação do Distrito Federal (SINFOR-DF), Carlos Jacobino, destacou a importância do evento como catalisador de oportunidades para jovens e empresas do setor. “Desde o início da minha gestão no Sinfor, eu tinha uma visão para essa cidade e o ecossistema de ciência, tecnologia e inovação. Essa visão passa necessariamente pelos jovens, talentos que precisam ser estimulados. Eles serão o futuro, os futuros empreendedores e empresários. O Brasília Mais TI conecta estudantes, universidades, empresas e governo. Um evento feito pelo setor produtivo, com apoio da FAP-DF, patrocinado em sua maioria por empresários que entendem a importância do que fazemos aqui”, afirmou.

A vice-presidente executiva para assuntos administrativos e financeiros do Sinfor, Lúcia Soares, reforçou que a edição deste ano vai gerar impacto além dos três dias de programação. “Esse evento tem um propósito à frente: de juntar todos com o objetivo de incentivar a tecnologia. Agora vamos documentar tudo, pois tivemos muito conteúdo aqui no palco, e isso será registrado e levado para quem assina e diz sim, com o objetivo de criar políticas públicas baseadas nisso. Conseguimos mostrar a cara de Brasília para o Brasil”, destacou.

O evento, que nasceu com o objetivo de tornar Brasília referência em tecnologia, já se consolida como um dos principais encontros de inovação, transformação digital e inteligência artificial no país. “Precisamos tornar esse um evento da cidade, que continue independente de gestões, pois isso faz bem para Brasília”, reforçou Jacobino no encerramento. Para o presidente, o Brasília Mais TI mostrou que o futuro da tecnologia passa por colaboração entre governo, academia, empresas e sociedade.

Hackaton, robótica e xadrez

O evento também mostrou resultados concretos de inovação, como o projeto vencedor do Hackathon, a equipe Calvin, que criou uma solução para a gerência de inovação da Caixa Econômica Federal. A equipe desenvolveu um agente de IA que permite aos 84 mil funcionários enviarem sugestões para melhorar processos e aumentar a produtividade. A solução será apresentada ao Conselho da IBM, multinacional americana de tecnologia, e pode ser implementada na Caixa, exemplificando o potencial do ecossistema de tecnologia de Brasília em gerar soluções práticas e escaláveis.

Além disso, o Brasília Mais TI contou com o 2º Campeonato Brasiliense de Robótica, com recorde de participantes. O torneio reuniu cerca de 60 equipes de escolas públicas, privadas e universidades de todo o país, com mais de 500 participantes. Ao longo de três dias de disputas, robôs de diferentes portes enfrentaram desafios e batalhas na maior arena já construída no Brasil, com 36 m² e mais de R$ 100 mil em prêmios.

Pela primeira vez, o evento também foi espaço de um torneio de xadrez, reunindo quase 150 jogadores, entre iniciantes, profissionais, grandes mestres e participantes internacionais. A competição uniu lógica e estratégia, destacando-se pela diversidade e inclusão, com crianças, idosos e pessoas com deficiência competindo lado a lado, e reforçando a visibilidade do esporte para novos públicos. 

Brasília Mais TI transforma a capital em potência da robótica com recorde de participantes e emoção nas arenas

O 2º Campeonato Brasiliense de Robótica terminou nesta quinta-feira (21), na 7ª Mostra Brasília Mais TI, com recorde de participantes, disputas acirradas e histórias de superação que reforçam Brasília como referência nacional em tecnologia.

Por Lukas Soares

Superação, inovação e emoção marcaram o encerramento do 2º Campeonato Brasiliense de Robótica, nesta quinta-feira (21), durante a 17ª Mostra Brasília Mais TI, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. O torneio reuniu cerca de 60 equipes de escolas públicas, privadas e universidades de todo o país, consolidando Brasília como referência nacional na área. Ao longo de três dias de disputas, robôs de diferentes portes enfrentaram desafios e batalhas na maior arena já construída no Brasil, com 36 m² e mais de R$ 100 mil em prêmios. Para Carlos Jacobino, presidente da Sinfor e organizador da mostra, a robótica vai além da tecnologia: “Aula de resiliência, força, luta, criatividade e inovação. Parabéns a quem venceu, parabéns a quem competiu. Não desistam de lutar.”

Na avaliação do engenheiro mecatrônico Guibson Gomes, juiz-chefe das provas de Segue Linha e Chão de Fábrica, o impacto do torneio está em aproximar crianças e jovens de áreas que pareciam distantes. “Tem aluno que acha que robótica é inalcançável. Mas lógica e mecânica também são robótica. Quando eles percebem que está ao alcance, entendem que também conseguem. É muito satisfatório ver esse despertar.”

As provas desafiaram os participantes em simulações da Indústria 4.0. No Chão de Fábrica, os estudantes tiveram de gerenciar um robô em tarefas como estoque e entrega em lojas. Já no Segue Linha, cada equipe extraiu o máximo de programação e sensores em percursos desafiadores.

Os resultados revelaram histórias de superação. Carlos Eduardo e Peter Esteves, do Sesc Taguatinga Norte, comemoraram o terceiro lugar na modalidade Segue Linha. “Não esperávamos ficar em terceiro. Os códigos davam umas bugadas, mas o robô deu tudo certo. Estamos felizes”, disseram.

O professor Ruan Soares, do Colégio Vip, vibrou com o título de primeiro lugar de sua equipe no Segue Linha. Para ele, a evolução dos alunos resume o espírito da competição. “Ano passado não tivemos um bom desempenho. Este ano a equipe se superou. Eles adquiriram maturidade, aprenderam a equilibrar as emoções e descobriram que tecnologia vai além do celular. É robótica, é modelagem 3D. Esse contato amplia horizontes.”

Valentina, aluna componente da equipe campeã da mesma categoria, confessou a surpresa com o resultado. “Esperava superação, mas não o primeiro lugar. Foi o evento mais legal do mundo. Tinha uma equipe que fantasiou o robô de Perry, e eu comecei a torcer por eles. Mesmo sendo competição, a gente cria apego pelos oponentes porque todos passam pelas mesmas dificuldades.”

No Chão de Fábrica, as amigas Mirella e Sarah Cardoso ficaram em segundo lugar. Sarah agradeceu o apoio. “É muito gratificante. Agradeço à família e a Deus. Vamos correr atrás de novos campeonatos.” Já a aluna Ana Clara Nunes, campeã pela equipe do Sesc Taguatinga, celebrou a dedicação. “Fizemos reuniões fora do horário de aula. Essa conquista mostra o engajamento da equipe.”

As batalhas de robôs também tiveram momentos marcantes. A equipe da Universidade Federal de Itajubá (MG), liderada por Nikolas Cunha, subiu ao pódio em quatro categorias: campeã no primeiro e segundo lugar do combate Fairyweight, terceiro lugar na Hobbyweight e terceiro na Beetleweight. “A gente não esperava, porque o nível aqui é muito alto, o Brasília Mais TI reúne as maiores equipes do país. O evento foi perfeito: local, estrutura, alimentação, hospedagem, tudo gratuito e acessível. O combate foi incrível, os jurados excelentes. Estamos muito felizes com o resultado e pretendemos voltar a Brasília”, disse o estudante.

Para João Victor Pinheiro, coordenador do campeonato e campeão olímpico de robótica, a competição fecha com chave de ouro. “Foi emocionante. A premiação é a melhor do Brasil. A cada ano conseguimos elevar o nível.”

Entre lágrimas, conquistas e descobertas, o campeonato deixou lições de persistência e inspiração. Mais do que medalhas, a mostra aproximou jovens da ciência, despertou vocações e reforçou o papel de Brasília como palco de inovação e tecnologia.

Burocracia e falta de conexão travam competitividade do Brasil, alerta especialista dos EUA

Em palestra no Brasília Mais TI, Deborah Wince-Smith, presidente do Conselho de Competitividade dos Estados Unidos, afirma que país precisa remover “atritos” para atrair capital e inovar

Por Giulia Soares

O Brasil possui um arsenal de ativos valiosos em ciência e tecnologia, mas corre o risco de ficar para trás na corrida global se não remover as barreiras que emperram sua economia. O diagnóstico foi feito pela CEO e presidente do Conselho de Competitividade dos Estados Unidos, Deborah L. Wince-Smith, durante palestra no segundo dia do evento Brasília Mais TI. Para a especialista, o caminho para o país se manter relevante passa por menos burocracia e mais pontes entre a inovação local e o mercado global. “Empresas e investidores não gostam de fricção. Precisamos remover barreiras para criar ambientes mais colaborativos”, afirmou.

Na palestra “Como as Tecnologias Emergentes Impactam a Competitividade dos Países e das Empresas”, que contou com a participação de Gianna Sagazio, CEO da Sosa Brasil, Wince-Smith foi taxativa: para competir, é preciso facilitar. Ela elogiou o potencial brasileiro, mas alertou que é urgente fortalecer a conectividade entre empresas de diferentes portes com a economia mundial.

A receita, segundo a especialista americana, envolve um tripé de medidas fundamentais: redução drástica da burocracia, implementação de políticas fiscais mais competitivas e um forte estímulo ao investimento privado para inovação.

A palestrante ressaltou ainda a importância de aproximar universidades e centros de pesquisa das demandas da indústria, para que descobertas científicas se transformem em produtos e serviços. “Países que estão avançando mais rápido são aqueles que unem governo, academia e setor privado em ecossistemas de inovação integrados”, explicou.

Gianna Sagazio reforçou a visão, lembrando sua experiência à frente da área de inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), quando participou da criação de novas leis e diretrizes para fortalecer a ciência e a tecnologia no Brasil. Ela destacou o lançamento do Social Leaders Forum, iniciativa da Sosa que busca debater como inovação e tecnologia podem acelerar o crescimento de empresas e apoiar governos em seus desafios.

Deborah também chamou atenção para setores estratégicos da próxima década, como inteligência artificial, bioeconomia e energia nuclear, destacando a necessidade de novas formas de processamento de minerais críticos e de cooperação internacional em áreas como o espaço. “Não deixamos a Idade da Pedra porque acabaram as pedras. Cada geração cria novas ferramentas e precisamos preparar nossa força de trabalho para isso”, disse, ao defender uma formação contínua que una ciências, artes e humanidades.

O painel encerrou-se com a proposta de ampliar a colaboração entre Brasil e Estados Unidos em projetos de inovação regional, transformando o Distrito Federal em um laboratório de ecossistemas competitivos e referência para outras regiões do mundo.

IA é aliada, e não rival do cientista, defende Sérgio Sacani

No evento Brasília Mais TI, o geofísico e popularizador da ciência ensina como a nova geração de pesquisadores pode usar a tecnologia para acelerar descobertas

Por Mateus Pinheiro

Em um mundo onde a inteligência artificial, uma criação humana, parece desafiar a capacidade de seu próprio criador, como os jovens cientistas podem se destacar? A resposta é simples: usando a IA como a mais poderosa ferramenta de seu laboratório. Essa foi a mensagem central do professor, cientista e podcaster Sérgio Sacani, que subiu ao palco do Brasília Mais TI, nesta quarta-feira (20), para desmistificar a relação entre o pesquisador e a tecnologia generativa.

Longe de um cenário de disputa, Sacani, que tem uma carreira consolidada em Geofísica e Geociências, defendeu que a inteligência artificial deve ser vista como uma aliada estratégica. Para ele, o receio de que a tecnologia possa substituir o pensamento crítico do cientista é infundado.

Durante a palestra, Sacani respondeu uma série de perguntas da platéia sobre a verdadeira natureza da IA, citando e alinhando-se à visão de Miguel Nicolelis de que a IA não pode ser considerada inteligente. “O termo “Inteligência Artificial” é, em grande parte, um conceito utilizado como estratégia de marketing, uma vez que, embora as máquinas possam realizar tarefas complexas, não possuem consciência ou verdadeira capacidade cognitiva”, afirmou o professor.

Sacani também compartilhou sua visão sobre o papel da IA no futuro das ciências, enfatizando que, embora a tecnologia traga mudanças significativas, ela não substitui a necessidade de especialistas humanos, que continuam sendo fundamentais em diversas áreas, como no desenvolvimento do software das IAS, por exemplo. Para o cientista, os profissionais que mais vão se destacar no futuro são aqueles que sabem integrar conhecimentos e resolver problemas fazendo uso das IAs.

Por fim, o podcaster mencionou a crescente demanda por terras raras, essenciais na produção de chips, baterias, dentre outras tecnologias fundamentais para o avanço das IAs, e como isso está gerando uma corrida por minerais raros ao redor do mundo.

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