Busca orgânica passou a influenciar receita e valor de mercado, diz CEO da BP Marketing

Bia Portela afirma que posicionamento no Google impacta ciclo de vendas e passou a influenciar reputação, ciclo de vendas e valor percebido da empresa.

A disputa por espaço na primeira página do Google ultrapassou o campo do marketing digital. Em mercados competitivos, especialmente em tecnologia e serviços especializados, a visibilidade orgânica se converteu em ativo estratégico, capaz de antecipar confiança, reduzir custo de aquisição e moldar a leitura pública da marca.

Nesta entrevista para o Sinforme, a CEO da BP Hub e da BP Marketing, Bia Portela, explica por que estar bem posicionado nas buscas impacta decisões de negócio, como o orgânico cria vantagem competitiva sustentável e quais erros ainda comprometem a presença digital de empresas que querem liderar seus segmentos.

 

Sinforme – Estar na primeira página do Google ainda é uma questão de tráfego ou já se tornou uma questão de posicionamento institucional?
Bia Portela – Não é mais só tráfego, por que o tráfego virou consequência de do posicionamento institucional essencial. Hoje, 70% das decisões B2B (especialmente tech) começam com buscas como “melhor SaaS Brasil”. A empresa que aparece na primeira página do Google cria a percepção de ser líder no seu mercado. Assim, quem domina o topo também passa a sinalizar confiabilidade e inovação. Estudos mostram um aumento de 20% a 30% no valuation das marcas top 3, aumento de parcerias estratégicas e atração de talentos sênior. Além disso, Venture Capital utilizam a presença digital e a visibilidade orgânica nos motores de busca, especialmente o Google, como principal métrica de validação do negócio antes de liberar o funding.

Sinforme – Como a presença orgânica no topo dos resultados influencia a construção de autoridade em mercados competitivos, especialmente para empresas de tecnologia e inovação?
Bia Portela – Falamos que é a construção do E-E-A-T, sigla em inglês que significa experiência, expertise, autoridade e confiabilidade, como nenhum outro canal. Dados da BrightEdge mostram que um aumento da confiança percebida de 2 a 3 vezes entre os top 3. Também reduz churn (perda de clientes) inicial em 15-20% e cria diferenciação em nichos saturados como IA/DevOps. Para tech, significa funis fricção bastante reduzida. Pela minha experiência, eu entendo que é uma vantagem competitiva sustentável que protege a empresa de concorrentes.

Sinforme – Em termos de reputação, qual o risco de deixar a primeira página “vazia” ou dominada por terceiros, como imprensa, concorrentes ou críticas?
Bia Portela – É um risco para os negócios, pois 68% dos usuários formam opinião inicial pelo SERP, as páginas de resultados do motor de busca. Se a primeira página é ocupada apenas por terceiros, a organização passa a depender da interpretação externa. Isso pode ser positivo quando há cobertura qualificada, mas se houver ruído, a marca não terá ativos próprios para equilibrar a percepção. Exemplo: uma notícia negativa no topo pode derrubar sentiment scores em 40%; terceiros (reviews ruins, fóruns) criam “efeito dominó” irreversível sem presença própria.

Sinforme – Existe diferença estratégica entre estar na primeira página por performance comercial e por reconhecimento de marca? Como equilibrar essas dimensões?
Bia Portela – Sim, estratégica e complementar: performance comercial mira palavras-chaves transacionais (“comprar CRM Brasil”) para fundo de funil e vendas diretas; reconhecimento de marca foca informacionais (“tendências cibersegurança 2026”) para awareness e nutrição. Empresas maduras estruturam uma arquitetura de conteúdo que cobre as duas frentes: conversão e construção de reputação técnica. Equilibre com alocação 60/40 (marca/comercial), clusters de conteúdo interligados e tracking GA4 (branded vs. non-branded traffic). O resultado será de funis híbridos com LTV três vezes maior.

Sinforme – Muitos executivos ainda tratam SEO como um tema técnico. O que muda quando a liderança entende busca como ativo estratégico de negócios?
Bia Portela – Muda o nível de investimento e integração. SEO deixa de ser tarefa isolada do marketing e passa a envolver comunicação, produto, dados e até relações institucionais. A busca passa a ser vista como um termômetro de mercado e uma fonte de inteligência sobre comportamento do público. O tráfego orgânico qualificado tende a gerar retorno superior ao longo do tempo, com múltiplos que frequentemente superam cinco vezes o investimento inicial, especialmente quando se considera o aumento de lifetime value de clientes que chegam por canais próprios e constroem relação com a marca de forma contínua.

Sinforme – Em um ambiente em que a decisão começa na pesquisa online, como a primeira página afeta a jornada do cliente e o ciclo de vendas?
Bia Portela – Ela encurta o ciclo. A etapa de consideração se torna mais eficiente quando o potencial cliente encontra conteúdos consistentes, depoimentos, provas sociais e clareza de proposta de valor logo na primeira página. O esforço do time comercial diminui porque parte da credibilidade já foi construída.Dados mostram que acelera ciclos B2B de 6-12 meses para 4-8 semanas, com confiança implícita no topo e redução de objeções, com o Google sendo o o primeiro “vendedor”.

Sinforme – Como você avalia o impacto da inteligência artificial e das respostas sintetizadas (como featured snippets e respostas generativas) na disputa pela primeira página?
Bia Portela – A disputa ficou mais complexa. Hoje não basta ranquear; é preciso estruturar conteúdo de forma que seja elegível para trechos em destaque, respostas diretas e indexação semântica. IA premia estrutura humana: schema markup, FAQs e clusters semânticos garantem visibilidade em 80% dos casos. Para tech, desafio é provar diferenciação (dados proprietários + expertise real) sobre IA genérica, para isso otimize para “conversational search” e mantenha domínio mesmo em respostas sintetizadas.

Sinforme – É possível sustentar presença consistente na primeira página sem uma estratégia integrada de conteúdo, imprensa e reputação digital?
Bia Portela – Absolutamente impossível. Para estar no topo calculamos algo como 50% conteúdo evergreen (clusters E-E-A-T), 30% PR/imprensa (backlinks DA80+ de veículos tech), 20% ORM (monitoramento/supressão negativos). A estratégia isolada de blog não vai sustentar relevância em mercados disputados. A integração com assessoria de imprensa e produção de conhecimento técnico é o pulo do gato para fortalecer o ecossistema digital.

Sinforme – Para marcas que já enfrentaram crise ou desgaste reputacional, qual o papel da primeira página na reconstrução de confiança?
Bia Portela – A primeira página se torna um campo de reorganização narrativa. Produzir conteúdo técnico consistente, cases, posicionamentos institucionais e presença qualificada em veículos confiáveis ajuda a reposicionar a leitura pública. A busca é um dos primeiros lugares onde a confiança é testada.

Sinforme – Se você tivesse que convencer um CEO cético a investir em estratégia de busca, qual argumento usaria para demonstrar retorno concreto — financeiro e reputacional?
Bia Portela – Eu mostraria três métricas: participação em palavras-chave estratégicas do setor, custo de aquisição comparado a mídia paga e impacto na taxa de conversão quando a marca já é conhecida na etapa de pesquisa. A presença na primeira página reduz dependência de anúncios, fortalece percepção de liderança e amplia poder de negociação no mercado. Por exemplo. R$ 100k investidos geram R$ 500k em leads orgânicos perenes, com retorno em 12 meses, mais aumento de 25% em valuation por autoridade percebida, de acordo com McKinsey. Torna-se um seguro patrimonial contra crises e concorrentes.

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