Burocracia e falta de conexão travam competitividade do Brasil, alerta especialista dos EUA

Em palestra no Brasília Mais TI, Deborah Wince-Smith, presidente do Conselho de Competitividade dos Estados Unidos, afirma que país precisa remover “atritos” para atrair capital e inovar

Por Giulia Soares

O Brasil possui um arsenal de ativos valiosos em ciência e tecnologia, mas corre o risco de ficar para trás na corrida global se não remover as barreiras que emperram sua economia. O diagnóstico foi feito pela CEO e presidente do Conselho de Competitividade dos Estados Unidos, Deborah L. Wince-Smith, durante palestra no segundo dia do evento Brasília Mais TI. Para a especialista, o caminho para o país se manter relevante passa por menos burocracia e mais pontes entre a inovação local e o mercado global. “Empresas e investidores não gostam de fricção. Precisamos remover barreiras para criar ambientes mais colaborativos”, afirmou.

Na palestra “Como as Tecnologias Emergentes Impactam a Competitividade dos Países e das Empresas”, que contou com a participação de Gianna Sagazio, CEO da Sosa Brasil, Wince-Smith foi taxativa: para competir, é preciso facilitar. Ela elogiou o potencial brasileiro, mas alertou que é urgente fortalecer a conectividade entre empresas de diferentes portes com a economia mundial.

A receita, segundo a especialista americana, envolve um tripé de medidas fundamentais: redução drástica da burocracia, implementação de políticas fiscais mais competitivas e um forte estímulo ao investimento privado para inovação.

A palestrante ressaltou ainda a importância de aproximar universidades e centros de pesquisa das demandas da indústria, para que descobertas científicas se transformem em produtos e serviços. “Países que estão avançando mais rápido são aqueles que unem governo, academia e setor privado em ecossistemas de inovação integrados”, explicou.

Gianna Sagazio reforçou a visão, lembrando sua experiência à frente da área de inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), quando participou da criação de novas leis e diretrizes para fortalecer a ciência e a tecnologia no Brasil. Ela destacou o lançamento do Social Leaders Forum, iniciativa da Sosa que busca debater como inovação e tecnologia podem acelerar o crescimento de empresas e apoiar governos em seus desafios.

Deborah também chamou atenção para setores estratégicos da próxima década, como inteligência artificial, bioeconomia e energia nuclear, destacando a necessidade de novas formas de processamento de minerais críticos e de cooperação internacional em áreas como o espaço. “Não deixamos a Idade da Pedra porque acabaram as pedras. Cada geração cria novas ferramentas e precisamos preparar nossa força de trabalho para isso”, disse, ao defender uma formação contínua que una ciências, artes e humanidades.

O painel encerrou-se com a proposta de ampliar a colaboração entre Brasil e Estados Unidos em projetos de inovação regional, transformando o Distrito Federal em um laboratório de ecossistemas competitivos e referência para outras regiões do mundo.

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