Regulação da IA precisa acompanhar a velocidade da tecnologia, apontam especialistas
Painel no Brasília Mais TI discutiu desafios da regulação da inteligência artificial e das plataformas digitais no Brasil, destacando riscos para a inovação, a necessidade de marcos flexíveis e a importância da formação de talentos.
No terceiro dia do Brasília Mais TI, especialistas alertaram que a regulação da inteligência artificial e das mídias sociais precisa evoluir no ritmo da tecnologia para garantir segurança sem frear a inovação. O debate, mediado pelo diretor de Relações Governamentais da ABES, Marcelo Almeida, apontou caminhos para um equilíbrio entre governança, competitividade e inclusão digital.
O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), Andriei Gutierrez, chamou atenção para a falta de clareza nos projetos em tramitação. “A regulação deve focar no uso da tecnologia e não na tecnologia em si. Definir riscos e obrigações de forma genérica é perigoso, porque cada setor tem necessidades diferentes”, afirmou, alertando para riscos de judicialização e insegurança jurídica.
Para a superintendente da Superintendência Científica, Tecnológica e Inovação da FAP-DF, Renata Vianna, a construção das regras precisa ser colaborativa e ágil. “A gente precisa começar a fazer uma conversa muito séria entre governo e empresas privadas sobre o uso de tecnologias. Não há retrocesso nesse caminho e temos que enfrentá-lo com responsabilidade e na mesma velocidade em que a tecnologia avança”, destacou. Ela citou a criação do Centro de Inteligência Artificial do Distrito Federal, que contará com cinco projetos em áreas estratégicas e investimento de R$ 20 milhões ao longo de três anos.
Já o gerente de Serviços, Produtos e Inovação da Empresa de Tecnologia da Informação do Estado do Piauí (ETIPI), Lucas Costa, reforçou a importância da educação como base para a transformação digital. “O principal mecanismo de transformação do Brasil hoje é o que está acontecendo no meu estado: educação. Toda a rede pública do Piauí já tem ensino de inteligência artificial na grade curricular. Isso vai ajudar muito nessa transição regulatória e tecnológica”, afirmou.
O painel deixou claro que a regulação da IA deve ser adaptável, baseada em contexto e construída de forma colaborativa, garantindo proteção aos usuários sem travar a evolução tecnológica e a competitividade do país.