Sexta, 17 de Novembro de 2017

Palavras do presidente na íntegra 43

Entre prós e contras, a modernização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) entrou em vigor em um cenário mais amistoso. Longe da pressão dos movimentos políticos – ou, pelo menos, com menor adesão a eles – os debates lançados desde a validade da legislação são mais plausíveis e coerentes com a realidade de um país que se esforça para crescer diante de uma crise.

Os primeiros dias foram marcados por dúvidas e respostas ponto a ponto da nova lei. A mediocridade dos contrapontos baseados em suposições e na historicidade do Brasil foi e continuará a ser calada pelas vozes dos mais de 13 milhões de desempregados, além daqueles que há anos se preparam para um mercado de trabalho mais dinâmico, competitivo e produtivo.

Não há mais espaço para o comodismo. Há tempos, as empresas clamam por produção, qualificação e, especialmente, por pessoas gabaritadas e interessadas em novos desafios profissionais. Esse será o perfil do trabalhador que terá sucesso no mercado.

O velho modelo de funcionário que chega antes do amanhecer ao escritório e se senta em frente ao computador esperando pelo próximo contato com a máquina de registro de ponto iria quebrar o país de vez se não fosse extinto.

As empresas não estão em situação de arcar com custo caro de encargos para manter a relação de trabalho com o empregado que se mostrou eficiente apenas no período de experiência. A geração de empregos no cenário nacional é baseada, especialmente, em serviços, que estão deficitários. A expectativa com a nova legislação é trazer de volta a eficiência neste contexto.

As estatísticas de geração de empregos variam entre cinco e dois milhões nos próximos cinco anos. Esse é apenas o start para eliminar pouco a pouco a desocupação. Nessa conta, somam-se ainda aqueles que estão em contratos que antes não eram reconhecidos pela lei.

As remunerações se transformarão em pagamentos por serviços prestados. Ou seja, o individuo recebe pelo que faz. Quanto melhor for o resultado, mais oportunidade terá de crescer, alavancar carreiras antes estagnadas pela desmotivação e falta de reconhecimento.

A tecnologia terá papel ainda mais essencial. Os escritórios físicos tendem reduzir e, junto com eles, os problemas de mobilidade urbana, gerenciamento de horas trabalhadas, rotina exaustiva e improdutiva.

Os computadores, a automação, os aplicativos, a nanotecnologia e as telecomunicações serão destaque nas relações de trabalho a distância. A digitalização dos serviços vem ao encontro à previsão dos especialistas de que os futuros profissionais deverão ir além de suas áreas de formação. O mundo está conectado à internet e os ambientes de negócios e trabalho também estarão. As portas do analógico diminuirão o espaço dos defasados, mas criarão uma realidade sem limites para os novos trabalhadores.

No fundo, somos todos empreendedores. O brasileiro é consagrado como um povo criativo. Porque não usar esse potencial para produção? É esse incentivo que a lei atualizada nos propõe como meta. Sairmos da nossa rotina estável, abraçar projetos - e não marcas, evoluir no conhecimento de forma contínua é o que move o ser inteligente.

 

Embora ainda existam os embates em determinados tópicos, as regras serão, a partir de agora, analisadas em detalhes. Há um longo caminho até a completa absorção do texto, mas o tempo e a experiência nos apontarão erros e acertos dessa decisão.

 


Ricardo de Figueiredo Caldas é presidente do Sinfor – DF. Engenheiro e Mestre em Engenharia Elétrica pela UnB. Fundador da Telemikro SA.


Em contraponto a diversas propostas absurdas que pretendiam limitar o uso da internet como ferramenta de liberdade de expressão e de transparência política, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou Projeto de Emenda à Constituição que coloca o acesso à web entre os direitos fundamentais do cidadão.

A decisão não foi unânime, pois deu início ao debate sobre a gravidade dessa medida. Entre os prós, está o argumento de que a internet já é fundamental para todos os aspectos do desenvolvimento humano – econômico, intelectual, segurança, democracia, comunicação, trabalho, lazer, saúde e outros. A inclusão desse direito entre os mais importantes da Constituição seria uma forma de proteger o cidadão contra qualquer tentativa de exclusão ou limitação.

Por outro lado, houve quem atentou justamente para a relevância do rol dos direitos fundamentais. De fato, a lista do 5º artigo é a mais restrita entre os direitos – defendendo questões como liberdade, a vida, a sucessão de bens, o direito às crenças religiosas, a propriedade e assim por diante.

Na teoria, os direitos fundamentais são aqueles sobre os quais o Estado deve apenas proteger, mas não deve agir. É como se o Poder Público tivesse a obrigação de ter postura negativa, apenas deixando que o indivíduo possa viver de forma livre, autônoma, sem repressão ou intervenção. É o rol mais protegido, cujas alterações são mais raras e cautelosas.

No caso das garantias sociais (artigo 6), sim, o Estado é obrigado a prover. Nesse rol, estão: moradia, alimentação, educação, transporte, segurança, previdência social e muito mais. São os direitos de segunda geração, nos quais o Estado deve ter ação positiva, ativa. O Poder Público é o responsável por disponibilizar meios para que esses direitos sejam cumpridos.

A partir desse conceito, surgiu a segunda parte do debate: a ideia de que o Estado deveria fornecer a internet aos cidadãos. Pois, se bem analisado, isso já ocorre. Porém, por meio de uma das modalidades previstas, também na Constituição Federal, que é a concessão.  Esse artifício foi criado exatamente para não sobrecarregar a Administração Pública e oferecer o serviço por quem tem competência para fazê-lo com qualidade.

O tema precisa ser tratado como direito. Independente de onde for enquadrado, é preciso parar com as tentativas de censura, de discriminação social, de diferenças no acesso ao aprendizado, de estabelecer castas por meio do ensino. O acesso à internet não é um luxo, é necessidade primária.

Não fosse pelo grande poder desse instrumento, não haveria tanto interesse em limitá-lo. Nos países onde as pessoas são mais reprimidas é impensável o uso da web, ainda que para assuntos supérfluos. Há o desenvolvimento, mas ele ocorre no interesse do governante e não da nação.

A popularização das Redes Sociais - com a possibilidade de interatividade proveniente, da participação ativa e em tempo real do cidadão – também intimidou as castas políticas do Brasil. Durante algum tempo, houve certa polidez, sorrisos amarelos e tentativas de utilização da ferramenta para publicidade boba, mas logo se viu que o propósito iria além. Transcenderia para a transparência, a cobrança ferrenha e a prestação de contas sem o faz de conta de sempre.

Há alguns anos estamos sendo bombardeados pelo mantra de que evolução vem da Educação, que essa seria prioridade de governo e assim vai. Mas, na prática, os políticos não se envolvem e, ainda há aqueles que tentam barrar o aceso. Os estudantes se aquietaram. Não vimos mais os grupos de universitários nas ruas lutando por melhorias. Os docentes são chicoteados sempre que arriscam alguma manifestação. 

Quem ficou responsável por prover? Quem será o defensor que irá brigar por melhorias? Não temos mais essa figura.

A inclusão do cidadão nas políticas públicas e a Educação são apenas alguns dos benefícios da internet. O próprio criador do protocolo TCP/IP, Vint Cerf, veio recentemente ao Brasil e declarou que sua invenção não está nem 20% concluída. Ou seja, não conhecemos ainda o potencial da Internet. Enquanto todos os cérebros não estiverem voltados à exploração dessa ferramenta, ela será um tesouro obsoleto, um diamante não lapidado.

 

A internet significa a independência real dos povos. É por meio dela que iremos nos proporcionar todo o conhecimento possível para fazer as transformações. É o único instrumento que nos permite a democracia em sua forma mais clara e precisa. É, sim, um direito. Caso não absorva isso, a Constituição ficará, mais uma vez, estacionada na década de 80.

 


Ricardo de Figueiredo Caldas é presidente do Sinfor – DF. Engenheiro e Mestre em Engenharia Elétrica pela UnB. Fundador da Telemikro SA.


A falta de política industrial e de apoio ao empreendedor tem surtido efeitos no desempenho de diversos setores no Distrito Federal. Neste ano, o ranking atualizado pelo Valor Econômico aponta que das 1000 maiores empresas nacionais, apenas 15 têm sede no DF. Destas, somente quatro são privadas.

A OCS Investimentos (comércio varejista), Asa Participações (agroindústria), Grupo Santa (serviços hospitalares) e Brasal Refrigerantes (setor de bebidas) são as poucas sobreviventes a um mercado completamente desfavorável.

Na observação do ranking, o setor produtivo do DF perdeu muitas participações neste ano. Já tivemos várias empresas da construção civil, da Tecnologia da Informação, por exemplo, bem situadas entre as 500 maiores empresas. Agora, com uma amostra maior – o dobro de empresas – e pouquíssimas participações privadas.

Cabe observar que neste ranking, somente participam empresas que candidatam-se, portanto algumas optam por não participar. Ainda assim, há um recuo drástico do setor produtivo e industrial, que está muito aquém da representação que aconteceu nos últimos dez anos.

Na Construção Civil, pode-se considerar o efeito da Operação Lava Jato, que afetou algumas empresas com sede no DF e, principalmente, a recessão econômica que afetou todos os setores. Na Tecnologia – outro ramo que já teve representatividade entre as mil maiores empresas e, neste ano, nenhuma apareceu – há de se considerar a venda de empresas para grupos de outros estados da Federação. A CTIS, por exemplo, agora compõe a estrutura da Sonda, que tem sede em São Paulo.

Essa situação foi bastante comum devido às facilidades de se empreender em outras Unidades da Federação, enquanto, na Capital Federal, a burocracia e a falta de incentivos ainda reina.

O setor empresarial no DF está enfraquecido. O cenário é resultado do recuo da representação privada no DF, da falta de investimentos do GDF, que reduziu drasticamente para as empresas de construção civil e de TI, mas, especialmente, por uma sucessão de governos que não promoveram a indústria e o setor produtivo. Não criaram condições econômicas, nem fiscais, nem ambiente favorável para a criação e manutenção da Indústria no DF.

O peso dessa inoperância, gerada de maneira gradual ao longo dos últimos dez anos, levou a este resultado estampado pelo Jornal Valor. Somente neste ano, o governo local retomou algumas medidas no sentido de reanimar esses setores, que são primordiais para o crescimento sustentável da economia.

No mês passado, o Governo do Distrito Federal reativou o Financiamento ao Desenvolvimento Econômico e Sustentável do Distrito Federal (Ideas), inativo desde 2015. Também voltou a oferecer o Financiamento Especial para o Desenvolvimento (Fide), linha de crédito específica para o setor produtivo, inativa desde 2010. A reforma do Pró-DF conseguiu, finalmente, chegar à Câmara Legislativa, após dois anos de pressão, por meio do Projeto de Lei n° 1.743/2017.

Apesar de tardia, é louvável esse momento do despertar da Administração Pública. É uma pena, no entanto, que isso só ocorra quando a situação já é de extrema delicadeza.

Os dados mostram que o fechamento de unidades comerciais superou o de aberturas em 2,5 mil em 2016 no DF. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), estima que o volume de receita neste ano será de -3,0%. O consumo das famílias teve recuo de 4,2%.

Os índices funcionam como um empilhamento de peças de dominó: quando um setor não vai bem, os outros tendem a sofrer as consequências. A prova está na situação de desemprego, endividamento e aumento da miséria que já era considerada equilibrada dentro no limite de controle.

Se o que move o poder público é a pressão, vamos fazê-la. Basta apenas termos em mente que a alteração da matriz econômica – de estritamente ligada ao serviço público para o setor privado – é o que vai possibilitar a mudança concreta e sustentável do cenário. Precisamos planejar esta mudança e eleger nossos timoneiros!


Ricardo de Figueiredo Caldas é presidente do Sinfor – DF. Engenheiro e Mestre em Engenharia Elétrica pela UnB. Fundador da Telemikro SA.


Passados quase 20 anos da privatização das Telecomunicações no Brasil, é chegada a hora de definir o novo marco regulatório, como manda a Lei.

A atualização é importante e necessária para eliminar metas estabelecidas há duas décadas e que já são notadamente caducas neste setor de profundas e rápidas transformações tecnológicas.

Migrar do regime de concessões para o de autorizações, mitigando o intervencionismo estatal num setor altamente competitivo, liberar a regulação de tarifas e dar fim a obrigações de investimento em tecnologias obsoletas são algumas medidas que precisam ser tomadas.

A vida moderna por si só eliminou certas amenidades que ainda são tratadas como obrigatórias para as Teles.  Enquanto o mundo pede banda larga com velocidade e continuidade garantida, a lei ainda obriga a instalação de orelhões. É como despejar pelo ralo recursos que poderiam tornar nossa comunicação digna de primeiro mundo. 

E os problemas são ainda mais complexos. Apesar do pequeno número de operadoras, a concorrência é grande e ocorre em diversas camadas. Um exemplo é a presença das OTTs, onde a disrupção tecnológica se encarrega de imprimir grande dinâmica competitiva com a queda contínua de preços em praticamente todos os serviços.

O Projeto de Lei é polêmico, principalmente, quando muda a direção da reversibilidade dos bens concedidos. O artigo 102 da Lei Geral de Telecomunicações (LGT) diz expressamente que a posse desses bens deve ser transferida automaticamente para a União ao fim das concessões. A sinalização da Anatel e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações é que, de fato, a reversibilidade não será mais utilizada daqui para frente. 

Como as Concessionárias atuais pretendem renovar a concessão ou autorização, é razoável que os bens sejam adquiridos por elas. Assim, os bens reversíveis, ao invés de serem devolvidos à União, permaneceriam com as concessionárias, mas se integrando aos seus patrimônios.

Dado que as concessões foram por tempo determinado, a reversão faz todo o sentido em várias circunstâncias. Por que se deixaria toda uma infraestrutura de longo prazo, que não pode nem ser substituída e nem removida, nas mãos de um agente que não poderá mais ofertar o serviço? A LGT foi providente.

Se vão aproveitar para mudar a política e a ideia em voga é transformar o valor dos ativos em saldos contábeis a serem convertidos em investimento em infraestrutura de banda larga, pelo menos a avaliação destes bens seja justa.

De acordo com o TCU, o valor destes bens gira em torno de R$ 100 bilhões, já as operadoras de telefonia sonham em pagar R$ 10 bilhões e o Governo Federal estima o valor de R$ 20 bilhões. 

A mudança é um aporte necessário para que ocorra o real desenvolvimento da população nacional. É instrumento fundamental para, ao menos, aproximar a qualidade do serviço ofertado com tamanha diferença nas classes sociais, bem como para ampliar os serviços para as comunidades que ainda vivem em regime de exclusão. 

Esse trabalho, no entanto, pede planejamento. A solução não vem da obrigatoriedade da oferta de determinados serviços, mas do aprimoramento do que já existe até que a qualidade possa ser expandida. Afinal, do que adianta ampliar apenas o número de reclamações?!

A relevância deste debate é nítida para todos que se engajam na perspectiva de um futuro melhor para o país por meio do acesso à informação e comunicação. Somente quem tem serviços bem prestados e ininterruptos se aparta dessa alteração sugerida na Lei Geral das Telecomunicações. 

Na forma prática, a situação é a seguinte: o comprador quer pagar preço de galinha morta, o corretor quer jogar o preço para baixo para “viabilizar” o negócio, mas a austeridade do dono demonstra o valor que precisa ser pago. 

A orientação do Supremo Tribunal Federal é que o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), defina essa questão o mais breve possível. Eunício, por sua vez, diz que pretende se posicionar até o dia 17 de outubro. A sugestão mais acertada nesse caso é: Vamos ouvir a Corte de Contas! Vamos fazer o óbvio e logo, pois os recursos voam na mesma medida em que o tempo passa.

 


Ricardo de Figueiredo Caldas é presidente do Sinfor – DF. Engenheiro e Mestre em Engenharia Elétrica pela UnB. Fundador da Telemikro SA.


A Tecnologia da Informação é indústria do conhecimento que sem inovação ou geração de novos produtos e serviços fica estagnada. Brasília sempre se caracterizou por ser um polo desenvolvedor e de comercialização muito importante. Hoje, o terceiro do Brasil. Pela primeira vez, temos a chance de discutir um Projeto de Lei que trate da inovação tecnológica. O momento é de fundamental relevância, mas exige especificidades nas tratativas.

Uma lei de inovação exige fomento, financiamento, incentivo fiscal e geografia – na formação de clusters. Este conjunto de instrumentos deve ter como objetivo primordial a geração de riqueza. Resultado que só é possível a partir de investimentos que culminem em criação nas empresas.

O oportuno Projeto de Lei de Inovação em debate na Câmara Legislativa do Distrito Federal não contempla a visão da TI como ente voltado à geração de lucro. Existe a temática providencial do fomento, mas focado na Academia.

O fomento à indústria será diferencial nos estados no sentido de apoiar o empreendedorismo e desenvolver tecnologia e processos inovadores. A unidade da Federação que desdenhar dessa premissa estará prejudicando seu crescimento econômico ao subestimar setores econômicos extremamente vibrantes.

A falta de definição do Estado sobre o que é realmente Tecnologia nos impede de monitorar, cobrar, crescer e exigir. Resumida e simplisticamente podemos definir como geração de produto ou serviço que possa ser patenteado ou registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e que, ao final da sua produção, gera uma nota fiscal.

Na prática, o incentivo do governo brasileiro está extremamente voltado ao meio acadêmico. Ao longo de 20 anos, o Governo Federal destinou mais de R$ 20 bilhões dos fundos setoriais para fomentos que foram incapazes resolver problemas atuais em escolas, hospitais, delegacias, comércio, transporte ou qualquer outra área de primeira necessidade, porque, quase totalidade, foi para a pesquisa acadêmica e não para a inovação tecnológica na indústria.

O desenvolvimento tecnológico precisa ter alguma utilidade prática nos serviços púbicos. Há desequilíbrio constatado pelos próprios parlamentares. Durante Audiência Pública sobre o Projeto de Lei da Inovação do DF, realizada em 13/09/2017, o deputado Israel Batista, relator do Projeto de Lei, admitiu que o Estado subestima seu próprio financiador – a iniciativa privada.

É necessário que exista geração de empregos e impostos fora do serviço público para que o país cresça, senão somente aumentamos as despesas do Estado. Ao invés de enxergarmos o empresariado como vilão, dever-se-ia usá-lo como ferramenta para desenvolver novos e melhores cenários econômicos.

O governo brasileiro é o maior comprador em várias áreas. Por problemas de instrução legal, o Poder Público acaba por não prestigiar a tecnologia nacional nas suas aquisições. Se o fizer, os órgãos de controle podem acusá-lo de direcionar interesses. Temos um dos maiores PIB’s do mundo, que acaba transformando-se em mercado para a tecnologia estrangeira.

Por outro lado, a capacidade de subvenção do Estado está engessada e continua assim no PL da Inovação do DF. No texto atual, manteve-se a limitação de orçamentos do Fundo de Apoio à Pesquisa do DF (FAP/DF) para as micro e pequenas empresas. Isso não existe em nenhum outro lugar, não é sensato que continue. O correto seria, sim, exigir que todas as contrapartidas tenham participação privada. Assim, teríamos sempre alguém com interesse de cobrar resultados.

A expectativa é que a Lei da Inovação, quando aprovada, seja o equilíbrio que falta entre o Estado e a iniciativa privada, entre a indústria e os ICT’s, e entre o fomento e o retorno para a sociedade. Esta é a chance que o povo de Brasília tem para transformar a FAP/DF no principal instrumento de desenvolvimento tecnológico, industrial e econômico do Distrito Federal.

_____________________________________________________________________________________________________________________

Ricardo de Figueiredo Caldas é presidente do Sinfor – DF. Engenheiro e Mestre em Engenharia Elétrica pela UnB. Fundador da Telemikro SA.

 


A Operação Lava Jato tomou tamanha proporção que gera efeitos até na indústria cinematográfica. O filme, lançado recentemente com grande bilheteria, ainda poderá render um bom dinheiro aos seus investidores. A cada novo depoimento, o roteiro mostra que ainda há possibilidade para diversas continuações. Tem tudo para superar Star Wars em número de sequencias.

Infelizmente, a situação do país, que já não é boa, pode ficar pior a partir de 2018. Um Projeto de Lei em tramitação no Congresso nacional pretende tornar a internet uma grande aliada de pessoas corruptas e de má índole.

De autoria do Deputado Federal Luiz Lauro Filho (PSB-SP), a proposta prevê que qualquer pessoa que se sinta ofendida em sua moral poderá requerer retirada de informações a seu respeito da rede em até 48h. Os políticos em situação irregular com a justiça teriam ainda a prerrogativa do sigilo do processo de censura. Afinal, as eleições 2018 serão uma chance única para emergentes no cenário nacional.

Os argumentos estapafúrdios apresentados pelo deputado mostram o nível dos candidatos que virão por aí. Muitos rostos já conhecidos irão vestir suas caras de pau e testar, mais uma vez, a ignorância da população. Outros terão oportunidade grandiosa de se deleitar na desgraça política do Brasil para fazer o seu nome.

Após a delação de Antônio Palocci, com seus 50 anexos temáticos, percebeu-se que a história vai longe. Mas, principalmente, tornou-se conhecida a ilimitada mente política capaz de pensar em saídas cada vez mais sujas para esconder informações e impedir investigações.

Todos os meios de comunicação já escolheram seus lados. Cada um defende aqueles que lhe darão mais vantajosas recompensas futuras. O partidarismo está escancarado. Não há porta aberta para debate na imprensa.

O único ambiente que se manteve democrático foi a internet. Apesar das tentativas isoladas de bloquear usuários polêmicos, ainda é um espaço aberto, onde todos observam as estratégias, inclusive as tentativas de censura, e podem se manifestar.

Quão conveniente seria influenciar na tecnologia, justamente durante o maior período de investigação de corruptos, que chega a todas as instâncias, partidos, sexo, idade. Justamente o setor com maior poder de alcance e interatividade. Justamente tão próximo ao período eleitoral.

A tecnologia não está disponível ao interesse político. Trata-se de um segmento da economia voltado ao desenvolvimento humano que vai além do controle por qualquer pessoa. Não há como embarreirar a inovação, ainda que ela sofra cortes orçamentários, boicote político, incompreensão por parte da massa.

Esse PL não irá passar. A internet não será censurada. A tecnologia não será reduzida, pois está intimamente ligada à inteligência do ser. Nós somos seres pensantes e capazes de nos desenvolver apesar dos protestos de nossos governantes.

Que democracia seria essa se não houvesse transparência nem no ambiente virtual? Que tipo de cidadãos seríamos se não nos manifestássemos contra propostas esdrúxulas como esta? A vida pública exige sujeição à aprovação dos eleitores. E assim continuará a acontecer.

Já basta de sermos eleitores medíocres. Foi a nossa leniência que permitiu chegarmos a esse cenário digno de roteiro de filme de terror. Não podemos mais apenas sorrir de propostas como esta apresentada pelo deputado de São Paulo, pois estamos dando espaço para sorrirem de nossas caras de bobos.

__________________________________________________________________________________________________________________

Ricardo de Figueiredo Caldas é presidente do Sinfor – DF. Engenheiro e Mestre em Engenharia Elétrica pela UnB. Fundador da Telemikro SA.


Os jogos digitais, as apostilas online, as aulas EAD são todas ferramental tecnológico que aumenta a motivação dos estudantes e facilitam a profissionalização das pessoas. São excelentes formas de usar a tecnologia a favor da Educação, mas já estão longe de ser inovação.

 

Quando falamos em algo inovador, precisamos ter em mente uma ideia que ninguém antes pensou ser realizável. É um instrumento realmente capaz de transformar a realidade da massa. Os automóveis, os eletrodomésticos, os smartphones trilharam por esse caminho até que exauriu todas as possibilidades. Ok, já inovaram, agora, aprimoram.

Nos últimos anos, no entanto, conseguimos encontrar o cerne da questão. Há tempos vimos falando que só a Educação vai mudar o país, o mundo, mas não dávamos ferramentas para as mentes disponíveis. Não é uma simples inclusão. É transformar as limitações em um potencial acima da média.

O principal Congresso de Tecnologia da Informação – WCIT - trouxe ao Brasil, no ano passado, uma startup comandada por um suíço e um brasileiro, juntos não somam 50 anos. Com o nome Eyeware Assist, a dupla criou uma multi-plataforma semelhante à usada pelo cientista Stephen Hawking, que permite a comunicação por meio de movimento dos olhos.

No caso da plataforma da startup, uma câmera 3D capta movimentos da cabeça e face. A diferença é de milhares de dólares para aquisição. Os garotos garantem que o produto criado recentemente é adaptável a qualquer software e hardware, reduzindo consideravelmente os custos.

Mais próximo do Brasil, uma escola de modelo comunitário desenvolveu óculos de realidade virtual adaptado com sensor de íris. O aparelho é usado nas aulas de química como forma de ampliar o universo de aprendizagem daqueles que possuem paralisia completa. Os alunos nessa condição são capazes de manipular (virtualmente) os tubos e soluções químicas.

Há também, na mesma escola, drones que obedecem comandos de uma pulseira. Esse, além de permitir o acesso de pessoas com dificuldades motoras, é usado para que as crianças tenham acesso à tecnologia ainda não popularizada.

Baseada em casos como o do cientista inglês, pesquisadores pensam em maneiras de traduzir os pensamentos ou expressões de Hawking em fala.

A inovação converge para um caminho no qual as pessoas que hoje são preteridas em suas formações profissionais terão seu potencial ainda mais explorado do que de um ser humano comum.

Imaginem a potência de uma mente funcionando na velocidade real, lida por computadores superdesenvolvidos e capaz de fazer coisas que os outros indivíduos não são motivados a fazer, como se locomover de forma racional e controlada.

Até então, a ciência tem investido em inteligência artificial, apesar de saber que o cérebro humano é uma fonte infindável de capacidades. Sabemos que usamos menos de 10% das funcionalidades do nosso cérebro, portanto, não podemos dizer que os robôs são mais precisos do que um ser humano.

Eis o motivo pelo qual a educação e a inovação devem caminhar juntas. Principalmente, neste momento em que o Governo Federal anuncia o corte de 3% em Educação e 27% em Tecnologia (que já não recebia tanto incentivo assim). Os mecanismos devem ser certeiros. Os investimentos tão raros devem fazer evoluir, não apenas entreter.

 

Se o futuro do mundo é a educação, a inovação é o instrumento que fará essa perspectiva real. São áreas aliadas, inter-relacionadas e poderosíssimas.  

 

*Ricardo Caldas, presidente do Sinfor e da Telemikro. 


 O primeiro ciclo de debates do projeto Brasília 2060, realizado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), no último dia de agosto, poderia ter sido bastante óbvio sob a constatação de que a vocação natural de Brasília pauta-se pela evolução tecnológica.  Poderiam ter sido só mais dois dias de discursos se não fosse pelo resgate de um histórico que admite exatamente qual o ponto chave que impede a cidade de progredir – o próprio governo.

Após ouvir especialistas até do outro lado do mundo (o projeto teve a consultoria inicial de Singapura), as autoridades confirmaram que o setor de Tecnologia da Informação e Comunicações vem sofrendo há quase uma década. 

O setor, eminentemente inovador e o proeminente, porém curto, ciclo de vida de seus produtos, é um negócio disruptivo, que exige inovação e o desenvolvimento contínuo de novos produtos e processos.

Parte desse sistema foi bem compreendido pelo Governo Federal, quando na década de 60, investiu na criação de empresas para estruturar um setor de TI. O fez com tamanha convicção com a criação do Serpro, Cepesc, Prólogo e Imbel, que se desenvolveram graças ao poder de compra do Estado, que era fundador e cliente.

Anos se passaram e alguns funcionários dessas empresas viram um nicho de mercado em expansão. Ousaram. Empreenderam. E, daí, surgiram as grandes indústrias de hardware, software, serviços e produtos, comércio e representação.

Bons tempos, digo com ar saudosista de empreendedor. Entramos na década de 90 e seguimos em linha acelerada de crescimento para todos. Ganhou governo, ganhou sociedade, ganhou iniciativa privada. Superamos déficits, dívida externa, trocas de lideranças.

Até 2010, o setor de TI tinha benefícios para se investir no DF: era Pró-DF para facilitar a compra de terrenos, benefício fiscal (IPTU e ITBI), redução do ICMS e do ISS. Com o inicio da lei de Inovação (2004), deu-se inicio às subvenções econômicas por parte da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP). Três editais lançados em três anos.

Foram quase 20 anos de incentivos reais. Nós tínhamos grandes indústrias em Brasília: Novadata, Rossi, Rede, Coencisa, Modata, e tantas outras.

Fruto desse tempo de prosperidade, temos uma indústria farta. Atualmente são mais de 4000 empresas registradas, com uma base de 1700 em pleno funcionamento, que geram cerca de R$ 3,1 bilhões em receita anual para movimentar na economia local e 30 mil postos de trabalho.

O sucesso desse período mostra que o cenário hoje é de queda do setor. Como tudo é cíclico, estamos vivendo um momento de vale nessa senoide da economia. Hoje, não temos nenhum incentivo ou subvenção. Acabaram-se os benefícios fiscais, tributários, econômicos, tudo.

A TIC é um setor forte. Poderia (e deveria) ser a principal matriz econômica de Brasília. É uma indústria limpa, promove a absorção da mão de obra de qualidade e é uma vocação da nossa cidade - como está comprovado nesse projeto Brasília 2060, onde apontam que os principais setores promissores: são esses de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e Bioeconomia.

A indústria é movida a incentivos. Nunca coube o discurso de que empresariado é protegido pelo Estado. Esse argumento não prospera. Se a situação pede a atração de empresa, é preciso dar incentivos ou elas migram facilmente para outros estados ou países. Foi só depois de tomar essa consciência que grandes centros como Irlanda, Malásia, Singapura e Vietnã conseguiram atrair gigantes da TI.

A FAP do DF é um instrumento importantíssimo para a fixação e atração de empresas no DF. Os recursos da FAP têm a prerrogativa e discricionariedade de serem direcionados para pessoas físicas e jurídicas que têm presença no DF. É diferente de um edital de compras públicas que tem regras mais genéricas.

Esse instrumento, no entanto, não tem sido utilizado como deveria. Sabemos que dos R$ 180 milhões disponíveis para 2016, apenas metade foi destinada ao propósito da Fundação. A outra metade, não foi utilizada.

Isso significa que perdemos R$ 90 milhões que poderiam ser destinados às subvenções. Desperdiçamos espaço, tempo e oportunidade de desenvolver o setor de TIC, mais uma vez apontado como a vocação natural do DF.

 

Queremos uma Capital de alta tecnologia e bem desenvolvida. E o governo? Quer o que? O discurso é de uma Brasília construída de forma colaborativa e planejada. Os caminhos, nós apontamos. Demos pessoalmente nossa contribuição para este projeto. Queremos ser primeiro mundo, que tal ajudar?

 

*Ricardo Caldas, presidente do Sinfor e da Telemikro


Quando uma autoridade dá um conselho, o mínimo que se pode fazer é escutar. O setor de tecnologia tem recebido vários, alguns num mesmo sentido.

Há quase meio século, em 1968, o genial Stanley Kubrick produziu e dirigiu o filme "2001 - Uma Odisseia no Espaço". No futurístico enredo de Arthur Clarke, o terrível e inteligente computador HAL 9000 eliminou, um a um, os membros da tripulação da nave interplanetária. Naquela época, esse tipo de tecnologia era apenas uma ficção: uma máquina que pensava e que buscava a supremacia pelo raciocínio lógico.

Em 2015, o famoso cientista inglês Stephen Hawking, alertou o mundo sobre os riscos do uso da Inteligência Artificial (IA). Segundo o cientista, a IA é “a maior ameaça existencial para a humanidade”, pois, em longo prazo, se projetariam sozinhas em ritmo crescente. Para o cientista, as máquinas poderiam chegar ao ponto de desbancar o ser humano.

Na semana passada, Elon Musk, dono das empresas Tesla Motors, SpaceX e OpenAI, se referiu a esse tipo de tecnologia como “mais perigosa do que a Coreia do Norte”. Musk é um dos empresários mais inovadores do mundo, assinando projetos de transporte interplanetário como forma de salvação da espécie humana frente à mudanças climáticas e outros aspectos. Sobre a AI, Elon afirma que “até que as pessoas vejam robôs matando gente na rua não se entenderão os perigos da inteligência artificial”.

Apesar de precisos, esses cientistas ainda estão desacreditados pela maioria. Muitos acharam exagero, mas o reforço chegou. 

Desta vez, são 115 empresários e autoridades no assunto aconselhando total controle no desenvolvimento de produtos dotados de IA. A preocupação é, especialmente, relacionada à produção de armas autônomas letais, as quais classificam como soldados-robôs ou robôs assassinos.

A temática seguiu em forma de carta, assinada pelos especialistas para a Organização das Nações Unidas. O pleito é para que a ONU regulamente e fiscalize a confecção de armas que podem ser programadas para ações específicas, utilizando-se das técnicas de programação conhecidas como Inteligência Artificial. Neste ponto, não é nenhum absurdo comparar o possível cenário com o enredo do clássico e dizer que HAL 9000 retorna em forma de Armas Autônomas Letais.

As autoridades acreditam que o que vimos no filme pode ser realidade, se usado por pessoas maliciosas. Seria algo como a Bomba Atômica em termos de proporção, e pode-se relacionar com o genocídio da 2ª Guerra Mundial, se considerada a possibilidade de programação para, por exemplo, assassinato de grupos específicos. 

Após os relatos do ataque ocorrido recentemente em Barcelona, não há como ignorar que existem pessoas incrivelmente interessadas nesse tipo de ação. Esse caso, evidenciou o motivo da urgência declarada pelos empresários.

Após o atentado, que deixou 13 mortos e mais de 130 feridos, vizinhos e parentes alegam que já desconfiavam das atividades do principal suspeito ser o articular de toda a ação.  Questionados sobre o porquê de terem se mantido inertes, responderam não acreditar que iria tão longe, e que “na verdade, ninguém poderia imaginar que os rapazes poderiam fazer algo assim”.

 Aliás, foram tantos ataques sucessivos nos últimos anos, que fica cada vez mais evidente que a tecnologia não é mais um mistério para terroristas, e que lamentavelmente pode se tornar uma grande aliada, se não for controlada. 

O que se espera da ONU é que busque normatizar a produção de equipamentos letais autônomos, tal qual se fez com os artefatos nucleares. No Brasil, espera-se que o tema seja acompanhado e debatido urgentemente, antes que a produção se torne impossível de ser controlada.

Por pior que seja a sua índole, o ser humano é controlável. Já a máquina feita para matar é invencível.  É urgente encarar a realidade e o fato, é que já estão em operação, drones equipados e programados, com baixo custo de aquisição. O futuro de Kubrick é a nossa realidade. Precisamos evitar que mais armas estejam apontadas para as nossas cabeças, notadamente estas, controladas por frios comandos autônomos da IA.

 

*por Ricardo Caldas, presidente do Sinfor – DF e da Telemikro SA. Engenheiro e Mestre em Engenharia Elétrica pela UnB.

 

 


Página 1 de 4