Segunda, 18 de Dezembro de 2017

Lei Trabalhista: Nova relação com o crescimento

Entre prós e contras, a modernização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) entrou em vigor em um cenário mais amistoso. Longe da pressão dos movimentos políticos – ou, pelo menos, com menor adesão a eles – os debates lançados desde a validade da legislação são mais plausíveis e coerentes com a realidade de um país que se esforça para crescer diante de uma crise.

Os primeiros dias foram marcados por dúvidas e respostas ponto a ponto da nova lei. A mediocridade dos contrapontos baseados em suposições e na historicidade do Brasil foi e continuará a ser calada pelas vozes dos mais de 13 milhões de desempregados, além daqueles que há anos se preparam para um mercado de trabalho mais dinâmico, competitivo e produtivo.

Não há mais espaço para o comodismo. Há tempos, as empresas clamam por produção, qualificação e, especialmente, por pessoas gabaritadas e interessadas em novos desafios profissionais. Esse será o perfil do trabalhador que terá sucesso no mercado.

O velho modelo de funcionário que chega antes do amanhecer ao escritório e se senta em frente ao computador esperando pelo próximo contato com a máquina de registro de ponto iria quebrar o país de vez se não fosse extinto.

As empresas não estão em situação de arcar com custo caro de encargos para manter a relação de trabalho com o empregado que se mostrou eficiente apenas no período de experiência. A geração de empregos no cenário nacional é baseada, especialmente, em serviços, que estão deficitários. A expectativa com a nova legislação é trazer de volta a eficiência neste contexto.

As estatísticas de geração de empregos variam entre cinco e dois milhões nos próximos cinco anos. Esse é apenas o start para eliminar pouco a pouco a desocupação. Nessa conta, somam-se ainda aqueles que estão em contratos que antes não eram reconhecidos pela lei.

As remunerações se transformarão em pagamentos por serviços prestados. Ou seja, o individuo recebe pelo que faz. Quanto melhor for o resultado, mais oportunidade terá de crescer, alavancar carreiras antes estagnadas pela desmotivação e falta de reconhecimento.

A tecnologia terá papel ainda mais essencial. Os escritórios físicos tendem reduzir e, junto com eles, os problemas de mobilidade urbana, gerenciamento de horas trabalhadas, rotina exaustiva e improdutiva.

Os computadores, a automação, os aplicativos, a nanotecnologia e as telecomunicações serão destaque nas relações de trabalho a distância. A digitalização dos serviços vem ao encontro à previsão dos especialistas de que os futuros profissionais deverão ir além de suas áreas de formação. O mundo está conectado à internet e os ambientes de negócios e trabalho também estarão. As portas do analógico diminuirão o espaço dos defasados, mas criarão uma realidade sem limites para os novos trabalhadores.

No fundo, somos todos empreendedores. O brasileiro é consagrado como um povo criativo. Porque não usar esse potencial para produção? É esse incentivo que a lei atualizada nos propõe como meta. Sairmos da nossa rotina estável, abraçar projetos - e não marcas, evoluir no conhecimento de forma contínua é o que move o ser inteligente.

 

Embora ainda existam os embates em determinados tópicos, as regras serão, a partir de agora, analisadas em detalhes. Há um longo caminho até a completa absorção do texto, mas o tempo e a experiência nos apontarão erros e acertos dessa decisão.

 


Ricardo de Figueiredo Caldas é presidente do Sinfor – DF. Engenheiro e Mestre em Engenharia Elétrica pela UnB. Fundador da Telemikro SA.

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