Sexta, 17 de Novembro de 2017

Tecnologia e Educação: muito além da interatividade Destaque

Os jogos digitais, as apostilas online, as aulas EAD são todas ferramental tecnológico que aumenta a motivação dos estudantes e facilitam a profissionalização das pessoas. São excelentes formas de usar a tecnologia a favor da Educação, mas já estão longe de ser inovação.

 

Quando falamos em algo inovador, precisamos ter em mente uma ideia que ninguém antes pensou ser realizável. É um instrumento realmente capaz de transformar a realidade da massa. Os automóveis, os eletrodomésticos, os smartphones trilharam por esse caminho até que exauriu todas as possibilidades. Ok, já inovaram, agora, aprimoram.

Nos últimos anos, no entanto, conseguimos encontrar o cerne da questão. Há tempos vimos falando que só a Educação vai mudar o país, o mundo, mas não dávamos ferramentas para as mentes disponíveis. Não é uma simples inclusão. É transformar as limitações em um potencial acima da média.

O principal Congresso de Tecnologia da Informação – WCIT - trouxe ao Brasil, no ano passado, uma startup comandada por um suíço e um brasileiro, juntos não somam 50 anos. Com o nome Eyeware Assist, a dupla criou uma multi-plataforma semelhante à usada pelo cientista Stephen Hawking, que permite a comunicação por meio de movimento dos olhos.

No caso da plataforma da startup, uma câmera 3D capta movimentos da cabeça e face. A diferença é de milhares de dólares para aquisição. Os garotos garantem que o produto criado recentemente é adaptável a qualquer software e hardware, reduzindo consideravelmente os custos.

Mais próximo do Brasil, uma escola de modelo comunitário desenvolveu óculos de realidade virtual adaptado com sensor de íris. O aparelho é usado nas aulas de química como forma de ampliar o universo de aprendizagem daqueles que possuem paralisia completa. Os alunos nessa condição são capazes de manipular (virtualmente) os tubos e soluções químicas.

Há também, na mesma escola, drones que obedecem comandos de uma pulseira. Esse, além de permitir o acesso de pessoas com dificuldades motoras, é usado para que as crianças tenham acesso à tecnologia ainda não popularizada.

Baseada em casos como o do cientista inglês, pesquisadores pensam em maneiras de traduzir os pensamentos ou expressões de Hawking em fala.

A inovação converge para um caminho no qual as pessoas que hoje são preteridas em suas formações profissionais terão seu potencial ainda mais explorado do que de um ser humano comum.

Imaginem a potência de uma mente funcionando na velocidade real, lida por computadores superdesenvolvidos e capaz de fazer coisas que os outros indivíduos não são motivados a fazer, como se locomover de forma racional e controlada.

Até então, a ciência tem investido em inteligência artificial, apesar de saber que o cérebro humano é uma fonte infindável de capacidades. Sabemos que usamos menos de 10% das funcionalidades do nosso cérebro, portanto, não podemos dizer que os robôs são mais precisos do que um ser humano.

Eis o motivo pelo qual a educação e a inovação devem caminhar juntas. Principalmente, neste momento em que o Governo Federal anuncia o corte de 3% em Educação e 27% em Tecnologia (que já não recebia tanto incentivo assim). Os mecanismos devem ser certeiros. Os investimentos tão raros devem fazer evoluir, não apenas entreter.

 

Se o futuro do mundo é a educação, a inovação é o instrumento que fará essa perspectiva real. São áreas aliadas, inter-relacionadas e poderosíssimas.  

 

*Ricardo Caldas, presidente do Sinfor e da Telemikro. 

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