Sexta, 22 de Setembro de 2017

Queremos cidades inteligentes

Ainda que muitos setores continuem em recessão, o crescimento populacional, o aumento da frota de carros e a expansão da área residencial continuam. A vantagem é que a tecnologia também evolui e caminha para soluções acessíveis para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

O conceito mais próximo de se tornar realidade é o de Smart City. Em vários países, projetos nesse sentido são cada vez mais vistos como um futuro palpável. Um dos mais recentes é a Plataforma de Gestão Inteligente da Cidade de Lisboa, em Portugal, que irá interligar a informação recolhida por diferentes operadores de serviços vitais na cidade, como a Proteção Civil, os Bombeiros, a Polícia Municipal e outros no sentido de atender mais rapidamente os chamados e evitar situações de perigo.

Na cidade de Yinchuan, na China, considerada modelo no ramo, a inovação interfere desde o cadastro no transporte público até na coleta seletiva. O planejamento da região foi realizado por meio de parceria entre o governo e a empresa de soluções tecnológicas ZTE, que já lançou modelos semelhantes em mais de 140 locais no mundo. O número demonstra que é grande a quantidade de cidades que investem nessa ideia.

E o negócio é bastante lucrativo. Até 2015, os projetos de Smart Cities movimentaram cerca de U$ 312 milhões no mundo. A estimativa é que o volume alcance mais de 750 bilhões nos próximos três anos. Ou seja, excelente oportunidade para empreendedores, investidores, empresas, governo, estudantes e população.

O Brasil caminha para adotar esse processo de modernização e automação das cidades. O Ceará divulgou a intenção de realizar o primeiro projeto de Cidade Inteligente de cunho social, onde serão construídas casas baseadas neste modelo de inovação – com uso de ferramentas tecnológicas e sustentáveis – e vendidas a baixo custo para populações carentes.

O prefeito de São Paulo, João Doria, visitou a cidade chinesa (Yinchuan) na intenção de usá-la como exemplo para fazer alterações importantes nesse sentido na capital paulista. Na viagem, foram observados pontos como uso de energia solar, telemedicina, sistema de abertura de empresas e outros mais.

O foco é na solução da problemática de moradia, trânsito, facilidades nos serviços, inteligência no uso dos recursos e tantos outros benefícios. O fato é que esse momento de planejamento e consideração das propostas é extremamente importante para os investidores.

Imagina como seria ter, em um só lugar, um condomínio que lhe ofereça moradia, trabalho, lazer, cultura e educação. A primeira impressão é que se trata de um projeto de Lucio Costa, mas não! Pense em todas essas possibilidades, já testadas e aprovadas na concepção de Brasília, aliadas ao uso da tecnologia.

Os jogos virtuais, os filmes, o marketing e os pesquisadores já reconheceram a demandas por modernidade no dia a dia. Todos que investiram na reprodução da realidade futurista foram bem sucedidos.

Esse cenário tão integrado e bem elaborado parece distante. A crise financeira, a leniência governamental e a viabilidade técnica são sempre tenebrosos. Entretanto, para saber a vantagem de investir em um projeto assim, pergunte a si mesmo: quanto vale seu conforto? Quanto pagaria para viver em uma Smart City? A partir dessa análise, visualize a quantidade de pessoas que pensam como você.

Não é à toa que as empresas investem cada vez mais em soluções digitais. As cidades mais modernas também têm aspectos de automação de serviços e procedimentos. O Brasil caminha a passos lentos, mas se o futuro é esse, vale a pena correr para chegar primeiro.

Ricardo de Figueiredo Caldas é presidente do Sinfor – DF. Engenheiro e Mestre em Engenharia Elétrica pela UnB. Fundador da Telemikro SA.

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