Terça, 19 de Setembro de 2017

Campus Party muito além da Inovação Campus Party Brasília

Campus Party muito além da Inovação Destaque

Mais de 65 mil pessoas visitaram o Centro de Convenções Ulysses Guimarães nos últimos dias para conhecer o que há de destaque na inovação nacional. Foram famílias, estudantes, docentes e grupos vindos de outras cidades para conhecer os patamares que a tecnologia tem alcançado. Todos esses olhares curiosos foram satisfeitos. Porém, os participantes da primeira edição da Campus Party Brasília foram além e trouxeram o foco da TI para soluções ainda mais amplas. 

Quem estava apenas de passagem pode perceber que a Tecnologia brasileira e, principalmente, de Brasília é multilateral. Mais de 50 empresas representaram o mundo de soluções que está por trás desse nicho relativamente recente, mas já extremamente importante para o país. Como bem frisou o presidente da Associação de Startups e Empreendedorismo Digital (ASTEPS), Hugo Giallanza, enquanto uma empresa normal cresce entre 5% e 10%, uma Startup cresce 3.000% ao ano. 

Esse é o primeiro tópico a ser abordado: negócios. Ao contrário do que ocorre na tradicional e gigantesca Campus Party de São Paulo, a edição pioneira em Brasília aproveitou ao máximo o espaço reduzido e explorou primordialmente os contatos estratégicos para a criação de parcerias e atração de investimentos. 

Lógico, teve óculos de realidade virtual, teve batalha de Hackathon, teve campeonato de drones. O entretenimento não deixou de ser destaque, não apenas no Centro de Convenções, mas na mídia que cobriu o evento. 

No entanto, o ambiente interno – aquele destinado aos quatro mil participantes que se inscreveram efetivamente – exalou negócios, capacitações, profissionalismo. Sim! A Tecnologia precisa de foco na técnica para que se possa ter entretenimento, avanços na medicina, na qualidade de vida, na educação, no comércio. E os campuseiros compreenderam bem essa necessidade. 

Não por acaso, uma Startup brasiliense venceu o famoso desafio Like a Boss 1UP, promovido pelo Sebrae. Com um projeto na área de Marketing, a equipe da Capital Federal disputou com outras 30 ideias vindas de estados como Acre, São Paulo, Goiás, Roraima, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal. 

As palestras também foram de altíssimo nível. Os palestrantes renomados abordaram temas de grande relevância atual. Talvez o mais providencial tenha sido sobre a participação da sociedade na cobrança de mudanças realmente importantes na rotina diária. 

“A Europa já tem debates sobre cidades sensitivas, e nós ainda estamos falando de cidades inteligentes”, disse Cláudio Nascimento, vice-presidente da Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas (CIH), em um puxão de orelha muito pertinente.  

Ele está certo! Não conseguimos envolver os cidadãos no processo de desenvolvimento de suas comunidades. Nesse ponto, temos o segundo grande trunfo da Campus Party em Brasília: a presença e engajamento real do Governo do Distrito Federal, especialmente na figura do secretário-adjunto de Trabalho, Thiago Jarjour. 

Empenhado, com espírito empreendedor, o secretário esteve presente de forma ativa na organização e execução do evento. Talvez esse tenha sido o diferencial responsável pelo sucesso. Para o mercado, uma demonstração de sensibilização da Administração Pública pela necessidade de investimentos e exploração da Tecnologia nacional como meio de desenvolvimento e geração de empregos. 

Ao menos momentaneamente, rompemos a barreira de acesso ao Estado e estávamos ali, lado a lado com o governo para incentivar a nova geração de empreendedores tecnológicos. 

É este o caminho. O aspecto profissional, funcional e lúdico que foi dado ao evento por seus organizadores superou qualquer erro técnico registrado durante o evento. As quatro mil inscrições, o dobro do esperado, foram além da expectativa, tanto em quantidade quanto em qualidade. 

A Campus Party deve ser a nova vitrine anual da inovação em Brasília. Não vamos concorrer, vamos aproveitar ao máximo esse evento já consolidado na Grande São Paulo para mostrar que estamos no mercado. É de oportunidades assim que nossa Indústria precisa. E que venha a edição de 2018! 

 


Ricardo de Figueiredo Caldas é presidente do Sinfor – DF. Engenheiro e Mestre em Engenharia Elétrica pela UnB. Fundador da Telemikro SA.

 

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