Domingo, 19 de Novembro de 2017

Mulheres são minoria na área de Tecnologia da Informação

No mercado de Tecnologia da Informação (TI), cujo perfil histórico de mão de obra é predominantemente masculino mesmo sendo uma área relativamente nova se comparada à Engenharia, Arquitetura e outras, a história vem se repetindo. As mulheres são minoria no setor. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, elas ocupam apenas 20% na atuação de mercado.

Aqui em Alagoas, apesar de não se ter dados concretos de quantos profissionais de TI têm no mercado, a Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia em Alagoas (Assespro/AL), disse que a estatística não é diferente. “Elas são minorias. São cadastradas 29 empresas de TI, no entanto não temos a quantidade de quantos funcionários tem em cada uma. Mas, pelo histórico que é uma tendência, acreditamos que segue a média nacional ou até menos”.

A equipe de reportagem solicitou os dados às empresas, mas até o fechamento do material elas não mandaram o levantamento.

As declarações de um engenheiro do Google sobre diferenças biológicas entre os sexos que explicariam a escassez de mulheres em posições técnicas no Vale do Silício reacendeu a discussão sobre os preconceitos que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho, especialmente em áreas dominadas por homens, como a de TI. O profissional foi demitido após a repercussão do texto, escrito em um memorando interno.

PROFISSIONAIS

Natália Julieta Souza é estudante da área e já atua há 10 anos. Segundo ela, existe uma discussão de melhora e incentivo. Mas, por ser uma profissão predominantemente masculina, ainda existe uma cultura machista que parte de ambos os lados.

“Sempre foi assim. É uma área onde a maioria é de homens. Na época que entrei no curso na Ufal, eu era a única da turma. Existe sempre alguém que faz piadas machistas”, comentou Natália.

De acordo com a estudante, existe uma distinção entre os sexos. “A própria característica da profissão já nos deixa receosas. A gente mesmo acredita que não é capaz, que não é boa suficiente. Já passei por muita coisa antes de me firmar no mercado. Muitas empresas preferem contratar um homem”, disse Natália.

Atualmente Natália trabalha na empresa Akar Coworking. No ambiente ela é a única mulher. Mas, de acordo com ela o tratamento é igual. “Acredito que tenho um pouco de sorte. Aqui sou a única mulher, mas sou tratada igualmente como profissional”, ressaltou.

Fabiana Lemos também atua na profissão em Alagoas há mais de cinco anos e para ela a barreira principal na profissão é a falta de divulgação. “Culturalmente é uma profissão para homens. Isso porque não existe uma divulgação da área e as pessoas acreditam que um analista de sistemas é a pessoa que conserta computador e já imaginam o homem fazendo isso”, avalia.

A profissional disse que as mulheres não procuram muito área porque é de ciências exatas e não desperta interesse. “A maioria das mulheres é instruída a ser profissionais da área de saúde ou educação”, acrescentou Fabiana.

Fabiana Lemos disse ainda que apesar da área ser predominantemente masculina, as mulheres atualmente estão se impondo mais.

“As mulheres possuem uma postura diferente, se impõe mais e consequentemente trabalham em qualquer área e mostra todo o seu potencial dentro da área de tecnologia da informação. Acredito que hoje em dia as dificuldades são para homens e mulheres. No início tive dificuldades até mostrar que sou tão competente quanto os homens. A dificuldade maior é o reconhecimento da profissão nas regiões Norte e Nordeste”, ressalta a profissional.

Frequência feminina chega a 10%

Embora seja um segmento em expansão, com constante demanda por profissionais qualificados, esse dinamismo não garante as mesmas oportunidades a homens e mulheres. A própria visão de que esse é um segmento masculino torna as profissões relativas menos atraentes a mulheres. Nas universidades brasileiras, a frequência feminina em 2015 em cursos como Engenharia e Ciência da Computação, apesar de ter aumentado ao longo dos anos, ainda gira em torno de 10%, segundo Ministério da Educação (MEC).

Em Alagoas, o curso de Ciência da Computação é ofertado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e pelo Centro Universitário Cesmac. Ambos foram procurados pela reportagem para repassar os dados de quantos estudantes tem matriculado no curso e do total quanto são mulheres. O coordenador do curso no Cesmac informou, de início, que tem nove mulheres. Mas, não passou o total de alunos.

Segundo ele, não têm liberação para passar esse tipo de demanda. Já na Ufal a equipe não conseguiu retorno da coordenação do curso até o fechamento da matéria.

Além do curso de Ciência da Computação, profissionais de TI também são formados em outros cursos afins.

DESAFIOS

Para entrar no setor, as mulheres em início da trajetória profissional têm que enfrentar, em um primeiro momento, a falta de incentivo presente na cultura, muitas vezes, na família, segundo Ângela Reis, professora e profissional de tecnologia da informação e criadora do projeto Meninas da TI, que tem como objetivo encorajar mulheres a conhecer a área de tecnologia para ter mais referências no momento de escolher a carreira.

“O que identificamos no projeto é que o grande empecilho para a entrada das mulheres na TI é a concepção cultural dentro da própria família. Não é somente na sala de aula das universidades, nem no local de trabalho, embora soframos preconceitos como toda minoria, porque não temos voz, mas, até chegar lá e assumir uma posição no mercado de trabalho, a família é o principal fator modificador”, afirma Ângela Reis.

“Educação machista afugenta mulheres de algumas profissões”

Para a socióloga Danúbia Barbosa, um dos motivos que afugentava as mulheres de profissões como a de TI era a educação que elas recebiam.

“Antes era uma educação machista, que impunha papéis pré-estabelecidos para homens e mulheres”, explica.

Danúbia ressalta que as mulheres durante ao longo dos tempos, foram “treinadas” para exercer as funções ligadas à criatividade e prendas do lar, as profissões que envolvia as ciências exatas não era coisa para mulheres, ‘’durante um bom tempo não tínhamos profissionais do sexo feminino nas engenharias, por exemplo.

As mulheres sempre optavam pela Arquitetura’’, comentou.

A socióloga ressalta que atualmente as mulheres estão com outros posicionamentos.

“Apesar de ainda termos que conviver com o machismo, temos outra mentalidade em relação a profissões, mulheres cada vez mais como nas áreas de Engenharia, Física, Matemática, entre outras”, expõe.

Já em relação à tecnologia da informação Danúbia diz que por ser uma profissão ainda considerada nova, as mulheres estão começando ocupar o espaço.

“Temos em grandes corporações coordenadoras na área de TI. Infelizmente, ainda teremos que vencer essa mentalidade machista, não apenas nas profissões tidas como masculinas e sim em todas”, explica.

Fonte:Tribuna Hoje

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