Sexta, 17 de Novembro de 2017

Veja o que foi destaque 54

Servidores da Companhia Energética de Brasília (CEB) decidiram encerrar nesta quinta-feira (16), durante assembleia da categoria, a greve iniciada no dia 6 de novembro. Os funcionários aceitaram a proposta apresentada pela companhia na audiência de conciliação realizada na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) na última terça-feira (14).

Os trabalhadores acataram a oferta de reajuste salarial de R$ 140,96, tíquete-alimentação de R$ 1,3 mil por mês, além da garantia de abono de metade dos dias parados e compensação do restante do período pelos servidores que paralisaram as atividades desde o início do movimento grevista.

Durante a paralisação dos funcionários da CEB, o Distrito Federal foi atingido por uma forte chuva, que causou estragos em vários pontos da capital, como queda de árvores, alagamento de ruas e interrupção no fornecimento de energia elétrica.

Dois dias após o início da greve, a CEB contabilizou 2.149 pontos de reparo no sistema. Segundo a companhia, todos os problemas decorrentes da tempestade foram normalizados nesta semana.

Na sexta-feira passada (10), o GDF havia determinado à diretoria da CEB que cortasse o ponto dos servidores grevistas. O governo do DF também estipulou que a Companhia Energética de Brasília questionasse, na Justiça, a greve deflagrada pelos funcionários.

Em nota, o Palácio do Buriti afirmou que a paralisação era "inadmissível" e causava "enormes e desnecessários transtornos".

"É inadmissível que, num momento em que boa parte da cidade sofre sérios danos com as sucessivas enxurradas, os funcionários da empresa entrem em greve e deixem de atender plenamente a milhares de pedidos de reparos", afirmou Rollemberg no comunicado.

No sábado (11), o TRT em Brasília determinou que os servidores da CEB atendam "prontamente" 100% dos chamados relacionados a problemas emergenciais e de suspensão de energia elétrica.

 

Fonte: G1


A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) agora é digital. O governador Rodrigo Rollemberg lançou, nesta quinta-feira (16/11), o aplicativo que transfere para o celular as informações da CNH do motorista. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o serviço é gratuito.

Por enquanto, apenas motoristas que obtiveram ou renovaram a carteira a partir de maio deste ano têm acesso ao serviço. No verso da habilitação desses cerca de 200 mil motoristas, há QR Code (código lido por aparelhos celulares para conversão em links).
 
Ao todo, há 1,7 milhão de condutores no DF. Os demais devem solicitar segunda via para ter acesso ao código. Para isso, o interessado deve atualizar seus dados no Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran/DF) pessoalmente ou pelo número 154. A partir de sexta-feira, a atualização poderá ser feita pelo site do órgão. Depois disso, é necessário fazer um cadastro no site do Denatran, no endereço www.portalservicos.denatran.serpro.gov.br
 
Para ter a carteira pelo celular, é preciso baixar o aplicativo da CNH Digital no Google Play (Android) ou App Store (Iphone) e cadastrar um login e uma senha de quatro dígitos para quando for acessar o aplicativo. A conexão na internet só será necessária no primeiro acesso, depois só será preciso digitar a senha e acessar. O condutor deve aguardar ser parado por um agente de trânsito para que seja feita a validação.
 

Para não esquecer mais 

 
Segundo Rollemberg, o Distrito Federal é a segunda unidade da Federação a adotar essa tecnologia. A primeira foi Goiás. Como pontos positivos, o governador citou a comodidade e segurança. “As pessoas esquecem com muito mais facilidade a carteira de habilitação do que o celular”, afirma.
 
Para o diretor do Denatran, Elmer Vicenzi, a tecnologia vai dificultar a falsificação do documento. “O QR Code é gerado por um algoritmo de propriedade do governo, não é qualquer pessoa que pode gerá-lo. Toda vez que for exibir a carteira, precisará digitar a senha de quatro dígitos. Se ela perder o celular, ninguém poderá acessar no lugar dela e ela poderá fazer o bloqueio através do portal de serviços do Denatran.”
 
O lançamento é uma parceria do Detran, Denatran e Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). O sistema já está no ar e a portabilidade já pode ser feita. A CNH Digital é opcional, a carteira impressa continuará sendo emitida normalmente.
 
 
Fonte: Correio Braziliense

É uma ótima notícia que a ciência e a tecnologia estejam avançando para fazer as pessoas viver mais tempo e melhor. Mas as inovações vão fazer os custos com a saúde disparar? Os especialistas participantes da segunda parte do EXAME Fórum Saúde, realizada no dia 7 de novembro em São Paulo (o primeiro encontro foi no dia 11 de setembro), dizem que não necessariamente.

Uma das conclusões a que chegaram é que, num primeiro momento, as inovações trazem um aumento dos custos, mas isso tende a arrefecer ao longo do tempo. “Os equipamentos e os tratamentos inovadores têm, sim, seu custo inicial, que precisa ser considerado, mas a tendência é que ele se reduza”, diz Jeane Tsutsui, diretora executiva para a área de pesquisa e desenvolvimento do grupo de diagnósticos médicos Fleury.

Veja o caso do sequenciamento genético: o teste, que custava 100 milhões de dólares em 2001, já pode ser realizado por 1.000 dólares, e a previsão é que caia para 100 dólares em 2018. Ou, melhor ainda, o caso da dose de penicilina, que, em 1945, custava 272 dólares (em valores atualizados), mas hoje é acessível por menos de 10 dólares.

 

O alto custo inicial decorre do investimento na pesquisa. O desenvolvimento de uma molécula que trate o câncer exige 1,5 bilhão de dólares aplicados por um prazo que pode chegar a 15 anos. A cada 10 000 moléculas pesquisadas, apenas uma vira um remédio. “Com um volume maior de novas tecnologias desenvolvidas, vai haver mais competição, um dos fatores que fazem o custo cair”, diz Felipe Marques Gonçalves, executivo de estratégia de medicamentos biológicos na farmacêutica americana AbbVie, presente ao Fórum.

A preocupação com o custo da saúde ocorre porque, nos últimos anos, ele disparou pelo mundo: nos países desenvolvidos, saiu de 4% do produto interno bruto em 1960 para os 12% atuais. Nos Estados Unidos, o custo da saúde representa o equivalente a 17% do PIB e, no Brasil, já está em 8%. Para os sistemas de atendimento público, fica o desafio de definir quais inovações podem ser oferecidas à população ou não. “É impossível, mesmo no país mais rico do mundo, com a tecnologia e o conhecimento dispo-níveis hoje, entregar tudo para os cidadãos”, afirma Marcos Bosi, professor na Escola Paulista de Medicina e presidente do conselho do grupo Fleury.

 

Parte desse aumento de custo decorre das ineficiências dos sistemas de saúde mundiais. Nesse caso, a tecnologia entra como aliada. “No Brasil, cerca de 30% das despesas da área de saúde vêm de desvios e desperdícios, que podem ser atacados com o uso de tecnologia”, diz Enrico de Vettori, sócio da consultoria Deloitte.

A tecnologia também é a base para o desenvolvimento de novos negócios que tornem a saúde mais acessível. Diversas startups têm tido esse papel. O Dr. Consulta, de São Paulo, oferece atendimento mais barato à população que sofre com a fila de espera no setor público e que não tem condição de pagar por um plano de saúde privado. Com o prontuário eletrônico, que mantém o histórico dos pacientes, seus médicos costumam pedir até dois exames por consulta, metade do solicitado nos planos de saúde.

 

Já a Docway, startup nascida há dois anos em Curitiba, criou um aplicativo que lista médicos credenciados para consultas em domicílio. O preço: 300 reais, metade do cobrado nos pronto-atendimentos. Realmente, as inovações podem pressionar os custos num primeiro momento. Mas, se bem usadas, eles são compensados.

Fonte: Revista Exame


Justiça Federal em Brasília proibiu, nesta quinta-feira (28), que o Ministério da Educação faça o recredenciamento da faculdade particular Darwin, com sede em Águas Claras. Segundo a ação do Ministério Público Federal (MPF), a instituição está com o registro vencido no MEC desde 2008 e, mesmo assim, segue promovendo cursos e fazendo parcerias com outras faculdades. Cabe recurso.

O G1 tenta contato com a defesa da Faculdade de Ciências, Educação e Tecnologia Darwin (Faceted). O dono da instituição e a Associação de Educação e Pesquisa do Planalto – entidade mantenedora da Darwin – terão de anunciar a suspensão de cursos e processos seletivos, e não poderão mais expedir certificados para novas formaturas. Em caso de descumprimento, há multa prevista de R$ 20 mil por dia.

A decisão do juiz Renato Borelli, da 20ª Vara Federal do DF, também obriga o MEC a informar, no site da pasta, que a Faceted/Darwin é uma entidade "não recredenciada". Caso isso não aconteça em até sete dias após a notificação judicial, o ministério fica sujeito a multa diária de R$ 10 mil.

O MEC também terá de promover a "transferência assistida" dos alunos atuais da faculdade Darwin para outras instituições de ensino superior. O prazo para que isso seja concluído é de 90 dias. O ministério também está proibido de credenciar qualquer instituição que liste o atual dono da Darwin como proprietário, sócio ou administrador.

Segundo o juiz, o fato de a faculdade funcionar sem registro válido descumpre a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, o decreto federal que regulamenta o funcionamento do ensino superior e o artigo 209 da Constituição, que fala sobre a educação na rede privada.

Desorganização

Na ação, o MPF aponta uma "realidade de desorganização administrativa" na Faceted/Darwin. Após visita feita ao local, uma comissão do Ministério Público afirmou que os dirigentes da instituição não conseguiam "localizar, organizar e identificar a totalidade de seus cursos, dos alunos matriculados, dos docentes que ministram aulas e dos períodos de administração de cada curso".

Ao analisar o caso, o magistrado Renato Borelli afirma que a documentação apresentada pelo MP "aponta fortemente a comecialização ilegal de titulações, em meio a uma evidente desorganização administrativa, mediante a terceirização do ensino".

Casos suspeitos

Em junho de 2015, o Ministério Público do Distrito Federal informou que investigava a veracidade do diploma de graduação da deputada distrital Telma Rufino (Pros), emitido pela Faculdade Darwin. A suspeita, surgida durante a operação Trick da Polícia Civil, era de que Telma tivesse recebido o diploma falso para indicar membros de uma organização criminosa a cargos no Executivo local.

Em fevereiro deste ano, diplomas emitidos pela Darwin para 58 servidores da Agência de Fiscalização do DF (Agefis) também passaram a ser investigados pelo Ministério Público. Eles teriam apresentado certificados de conclusão de pós-graduação com 480 horas cumpridas em seis meses – acima da média de carga horária para esse tipo de curso –, para conseguir bônus salariais.

As supostas irregularidades com a faculdade Darwin também são investigadas em outros estados. Em junho de 2016, um curso de formação da Polícia Militar de Santa Catarina foi suspenso pela Justiça local, porque havia suspeita sobre a formação acadêmica de 53 candidatos a policiais. Entre os diplomas em suspeição, havia certificados da Darwin para o curso de "tecnologia em gestão pública".

Histórico

Em 2013, o Ministério da Educação chegou a proibir a Faculdade Darwin de matricular estudantes interessados em especializações, por suspeita de emitir diplomas para alunos que nunca estiveram em sala de aula. Ela também foi proibida de abrir cursos especiais.

Apesar do impedimento, a faculdade continuou mantendo alunos. No sistema da pasta, a faculdade consta com o recredenciamento em análise.

A faculdade também foi condenada em 24 de janeiro deste ano a indenizar estudantes por danos morais em razão da demora de entrega dos diplomas. Os alunos estavam inscritos no curso de tecnólogo em rede de computadores, sem o reconhecimento do MEC.

De acordo com o MP, a instituição havia feito o pedido de reconhecimento do curso junto ao MEC fora do prazo, o que impediu que os estudantes recebessem os diplomas. Para o promotor à frente do caso, Paulo Binicheski, "a faculdade procedeu de forma temerária".

 

"Além do atraso no pedido de reconhecimento, houve incidentes questionáveis e reprováveis, com indícios de fraudes na emissão de certificados de conclusão de cursos de pós-graduação, o que levou o MEC a punir administrativamente a instituição de ensino", declarou à época.

 

Fonte: G1


Mais dois carros de luxo – uma Ferrari avaliada em R$ 1,2 milhão e um Porsche avaliado em R$ 700 mil – foram apreendidos por policiais civis do Distrito Federal que investigam um esquema de pirâmide financeira envolvendo uma falsa moeda virtual, batizada de Kriptacoin. Desde o dia 21 de setembro, quando a corporação desarticulou a organização criminosa, 11 detidas foram presas. Uma delas conseguiu converter a prisão preventiva em domiciliar nesta sexta (29).

Para a polícia, os carros pertencem a um dos líderes do suposto esquema, Ewerton Marinho. A Ferrari estava em uma concessionária de veículos de alto padrão em Goiânia e deve ser leiloada para o ressarcimento das vítimas do golpe. Até o momento, 200 pessoas já registraram boletim de ocorrência contra a Kriptacoin. A estimativa é de que a empresa movimentasse R$ 12 milhões por mês desde janeiro, quando foi criada.

Na última semana, uma Lamborghini avaliada em R$ 1,8 milhão também foi apreendida. Além disso, um avião comprado por um dos donos da empresa que vendia a falsa moeda, a Wall Street Corporate, também foi encontrado. A aeronave teria sido adquirida, segundo fontes da TV Globo na Justiça, por R$ 3,6 milhões obtidos com o esquema de "pirâmide financeira".

O Ministério Público denunciou à Justiça, nesta quinta-feira (28), 16 pessoas suspeitas de vender a moeda falsa no DF e em Goiânia. Além dos 11 presos e 2 foragidos que já tinham sido indiciados pela Polícia Civil, outras três pessoas foram denunciadas pela Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos do Consumidor. Entre eles estão dois ex-advogados da empresa, que negam envolvimento.

Dos 16, 13 pessoas vão responder pelos crimes de organização criminosa, falsificação de documentos e criação de pirâmide financeira. Outros três suspeitos foram denunciados por obstrução de Justiça e lavagem de dinheiro.

Como funcionava

Policiais apuraram que o esquema movimentou R$ 250 milhões a partir de investimentos de cerca de 40 mil vítimas na moeda. A operação foi batizada de Patrik. Além da Wall Street Corporate, que gerenciava o negócio, duas empresas também foram alvo da operação.

De acordo com as investigações, o esquema começou a ser articulado no final do ano passado e se consolidou no DF em janeiro de 2017. Os integrantes da organização se passavam por executivos e prometiam altos rendimentos com o negócio, com ganho de 1% ao dia sobre uma moeda virtual falsa – o resgate do saldo só poderia ser feito após um ano.

Para dar um ar de legalidade, eles marcavam reuniões, faziam anúncios em outdoors e propagandas, tanto na internet quanto na televisão, além de tirar fotos com cantores famosos.

Quanto mais investidores fossem recrutados para participar do negócio, a promessa de ganhos aumentava, com bônus de 10% por pessoa cooptada. Assim, o lucro crescia proporcionalmente à quantidade de aplicações feitas na cadeia, mas era tudo um golpe.

Segundo a polícia, uma das vítimas disse que aplicou quase R$ 200 mil sem retorno e, ao tentar resgatar os valores aplicados, foi ameaçada pelos "executivos" da falsa empresa.

As apurações também revelaram que o esquema funcionava com divisão de tarefas e que contava com falsificadores de documentos. Além disso, as três empresas que vendiam o serviço, alvo da operação, estão em nomes de "laranjas", cujo o patrimônio declarado não condiz com as movimentações financeiras.

A polícia descobriu, ainda, uma lista com cerca de 20 nomes falsos que eram utilizados pela quadrilha. As aplicações eram feitas pela internet por meio de uma plataforma digital, mas os depósitos eram feitos em contas correntes.

Mas e o avião?

A compra teria sido feita em nome da Royal Family, empresa de fachada criada pelo mesmo dono em Brasília, que também aplicava golpes com cartões clonados. De acordo com a investigação, a empresa comprava perfumes e ingressos de festas para revenda.

De acordo com os advogados de uma empresa de Goiânia que vendeu o avião, o financiamento ocorreu com entrada de R$ 1,8 milhão em dinheiro e cheques de R$ 124 mil. Em acordo com o MP do DF, os advogados concordaram em depositar o valor da entrada em uma conta judicial para restituir pessoas que investiram na falsa moeda.

 

O avião era usado semanalmente para viagens de divulgação da Kriptacoin, tendo passado pelo Rio de Janeiro, Espírito Santo, Piauí, Goiás, Maranhão e Minas Gerais. A última viagem foi feita no dia 17 de setembro, segundo fontes da TV Globo.

 

Fonte: G1


JK, Brasília e o caos no Rio de Janeiro

Domingo, 01 Outubro 2017 16:27

A atual crise da democracia brasileira exige torná-la mais transparente, republicana e participativa. Essa necessidade requer a revisão de certos lugares-comuns de nossa história. Um deles diz respeito à obra de Juscelino Kubitschek e o significado político de Brasília, que está profundamente ligado ao caos que se instalou sobre o Rio de Janeiro.

De democrático, JK tinha pouco. Ele entendia a palavra democracia à moda da República Velha, ou seja, como um regime constitucional de orientação liberal oligárquica. Juscelino estava preocupado, em especial, em evitar que o poder saísse das mãos das oligarquias rurais, ameaçado pelas classes médias urbanas e os trabalhadores do Centro-Sul do país, especialmente no eixo Rio-São Paulo. Via com maus olhos políticos como Jânio, Jango e Lacerda, que disputavam os votos das classes urbanas. Achava que o povo era uma massa manipulável e que os políticos modernos não passavam de “populistas” e demagogos.

Recriar o velho distrito federal e levar para lá o Congresso seria uma oportunidade de matar dois coelhos com uma cajadada só

JK tinha especial pânico do povo da capital federal, o Rio de Janeiro, a maior cidade do país (3 milhões de habitantes) e onde ele não só não tinha voto como se sentia pressionado pela imprensa, pelos sindicatos, pelos estudantes e pelos industriais. Ele confidenciou a um amigo acreditar que uma simples greve de bondes no Rio poderia derrubá-lo da presidência. Era preciso, portanto, fugir. A mudança da capital era um velho sonho do federalismo oligárquico da República Velha, que nunca saíra do papel. O raciocínio era simples: para modernizar o país “em segurança”, era preciso fazê-lo de longe, de uma cidade onde não houvesse operários, estudantes, imprensa, associações, favelados, etc. Em suma, longe do povo e da sociedade civil.

As bancadas ruralistas de Goiás, Minas e Mato Grosso apoiavam entusiasmadas a medida, por razões óbvias. O deputado goiano Emival Caiado, tio do atual senador Ronaldo Caiado, alegava ser impossível que o governo federal atendesse os pleitos do ruralismo do Centro-Oeste estando situado no Rio de Janeiro, “onde é grande a influência dos grupos industriais e das massas urbanas, de que se faz porta voz a grande imprensa”.

Opinião da Gazeta: A verdadeira guerra no Rio de Janeiro (editorial de 01 de outubro de 2017)

Brasília também era impopular. Pesquisa feita pelo IBOPE em janeiro de 1958 mostrava que mais de 60% da população brasileira desaprovavam a medida e a forma como se fazia a mudança. A construção da nova capital também foi uma hecatombe social. JK conseguiu para Israel Pinheiro, presidente da companhia construtora (NOVACAP), poderes ditatoriais sobre todo o território do futuro Distrito Federal. Pinheiro transformou-o em um verdadeiro estado de exceção, privando milhares de operários de qualquer direito trabalhista para completar a cidade dentro do mandato do presidente. Proibidos de viver no Plano Piloto, os trabalhadores acabaram nas cidades-satélites, segregados por um cinturão verde, a mais de 15 km de distância.

 

 

Quando o mandato de JK acabou, enquanto Lacerda e Brizola se elegeram no Rio pelas tais “massas” de que tinha pavor, ele se fez docemente eleger senador por Goiás, que foi um presente da bancada ruralista agradecida, num pleito que, segundo o próprio governador, nada lhe custou. JK aplaudiu o golpe parlamentarista, alegando que ele teria sido impossível se o congresso ainda funcionasse no Rio, devido à força do “populismo” na cidade. Ou seja, apreciou o enfraquecimento sofrido pelo Congresso pela falta de ambiente democrático, golpe de que o Legislativo nunca mais se recuperou. Também deu graças a Deus por estar longe da imprensa que o atormentava: O Globo, o Correio da Manhã, a Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo.

Opinião da Gazeta: Caos na segurança do Rio serve de alerta a todo o país (editorial de 20 de julho de 2017)

Por fim, JK também apoiou o golpe de 64, na esperança de se livrar do Jango e do Brizola na eleição de 65. Como se sabe, JK acabou também sendo cassado, engolido pela caixa de Pandora que ajudou a abrir. Entretanto, sua ideia tecnocrática de um desenvolvimento patrocinado de uma capital situada a mais de mil quilômetros de qualquer cidade grande era a mesma da ditadura militar que se seguiu. Os sucessores de JK – Jânio e Jango – haviam abandonado Brasília. Governavam do Rio, onde continuavam os ministérios. Foi a ditadura que retomou o paralisado projeto de JK e consolidou a cidade. O primeiro presidente a governar de Brasília foi o general Médici.

Pesquisas demonstram que o isolamento de uma capital é proporcional ao nível de ineficiência e corrupção do governo. Brasília é a 12ª. capital mais isolada do povo em um universo de 156 países. Também se tornou uma das capitais mundiais da segregação socioeconômica, ao banir os trabalhadores a uma distância de mais de 15 km. Planejada para ser a utopia da modernidade brasileira, Brasília se tornou uma distopia democrática. Não é só, portanto, a imagem de democrata gozada por JK que merece ser revista. Parece evidente, hoje, que a tarefa de melhorar a qualidade da democracia brasileira exige repensar Brasília como capital do país.

Não se trata, evidentemente, de retirar-lhe dessa função ou papel, mas de corrigir suas evidentes negatividades do ponto de vista democrático. Tal medida impõe hoje fazer o caminho inverso ao dos anos 1950, ou seja, trazer de volta para o Sudeste o Congresso Nacional e, com ele, parte da administração pública, de preferência em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Diversos países do mundo – como Alemanha, Chile, África do Sul - possuem mais de uma capital.

Seria uma boa oportunidade, aliás, para resolver a crise permanente do Rio de Janeiro, que nunca se recuperou do golpe que lhe foi aplicado por JK e pela ditadura que lhe completou a obra, obrigando a ex-capital a se fundir com o Estado homônimo e reduzindo-a a um município como outro qualquer. Recriar o velho distrito federal e levar para lá o Congresso seria uma oportunidade de matar dois coelhos com uma cajadada só.

Christian Edward Cyril Lynch é professor de pensamento político brasileiro na UERJ e diretor do Instituto Brasileiro de História do Direito.
 
Fonte: Gazeta do Povo

Há tempos a Tecnologia da Informação vem desempenhando papel primordial nos negócios e auxiliando as empresas na definição de padrões, ferramentas, sistemas e até mesmo de novos processos. A transformação digital enfrentada pelas companhias traz à tona um novo desafio: fazer com que a TI se torne TN, ou seja, Tecnologia de Negócios.

Embora o termo seja relativamente novo, essa sigla decorre de uma longa evolução tecnológica já prevista há algum tempo e que leva o mercado a compreender como a tecnologia pode incrementar os resultados de grandes companhias. Algumas delas já estão realizando a migração para esse nível na prática, utilizando conhecimento para apoiar o negócio e fazendo interface não apenas com o usuário, mas com toda a empresa.

A princípio, o discurso pode parecer repetitivo, afinal, não é de hoje que ouvimos que a TI precisar estar mais próxima do negócio. Isso é passado, assim como dizer que a TI é o negócio. Porém, a necessidade de reinventar-se digitalmente pela qual passam as empresas está fazendo com que o CIO precise sim pensar como negócio e deixe de olhar para a TI tradicional.

Obviamente que o sucesso de qualquer negócio depende de fatores como uma análise precisa de indicadores e por isso é necessário escolher a tecnologia certa para suportar a operação e ter uma boa visão de futuro. Esse é o papel do CIO. Porém, não basta ele se preocupar somente com as as ferramentas que serão adquiritas e implementadas: ele precisa avaliar de perto como os investimentos em TI impactarão no desempenho do negócio e deve ainda planejar as estratégias junto com o restante do board da empresa, traçando um caminho de crescimento contínuo e sendo parte dele.

A questão é que os CIOs ainda não compreenderam que a área de TI deve conversar de igual para igual com as demais áreas. Se avaliarmos o nível dos sistemas e informações utilizados versus o que existe para a TI e traçarmos um paralelo, seria o mesmo que dizer que a TI está vivendo na época das planilhas, enquanto o negócio vive a era do Business Intelligence.

Enxergo que o CIO possui papel extremamente relevante diante dos desafios da transformação digital. Porém, pesquisas recentes do Gartner mostram que  80% dos CEOs têm iniciativas de modelos de negócios digitais, mas somente 70% deles têm um líder digital e, desses, apenas 20% deles são CIOs. E mais: 40% dos CEOs acham que os CIOs têm habilidades para ser o líder digital, enquanto apenas 10% deles mencionam o CIO como fonte primária de informação. Sendo assim, podemos dizer que os CEOs continuam liderando a visão dos negócios digitais, enquanto o CIO está cuidando apenas com a TI tradicional.

Por outro lado, o gestor de TI, diferente dos gestores das demais áreas da empresa, não está munido de sistemas inteligentes e automatizados que o auxiliem na identificação de comportamentos que possam colocar em risco a operação ou mesmo o negócio. O que existe, via de regra, é um mar de fornecedores, ferramentas e equipamentos que entregam apenas dados, com pouca (muitas vezes nenhuma) integração. Uma grande dúvida paira no ar: como fazer a gestão de tudo sem informações quantitativas e qualitativas referentes à performance de cada um dos recursos utilizados?

 

(*) Alexandre Paoleschi é CEO da Konics.it

Fonte: CIO


Embaixadores, representantes de organismos internacionais e outras autoridades participaram, nesta quarta-feira (9), da cerimônia que institui o programa Embaixadas de Portas Abertas no Distrito Federal.

O evento, no Palácio do Buriti, contou com a presença do governador Rodrigo Rollemberg. Criada em 2015, a ação tem como objetivo aproximar os estudantes da rede pública da carreira diplomática e informá-los sobre os costumes de outros países.

A ideia é proporcionar visitas a crianças de 9 a 11 anos às 134 representações diplomáticas sediadas na capital brasileira e permitir que estudantes aprendam sobre história, geografia, cultura e idioma de cada nação.

 

“É uma oportunidade de conhecer a cultura e a história dos países e permitir que o corpo diplomático conheça a cultura do Brasil por meio das nossas crianças, o que nos deixa muito felizes”, ressaltou o governador na cerimônia.

"É uma oportunidade de conhecer a cultura e a história dos países e permitir que o corpo diplomático conheça a cultura do Brasil por meio das crianças"

Rodrigo Rollemberg, governador de Brasília

 

De acordo com o chefe do Executivo, o Embaixadas de Portas Abertas é uma extensão do turismo cívico da cidade. “Tenho grande convicção de que a mudança de paradigmas na sociedade ocorrerá por meio das áreas de educação, meio ambiente, turismo e inovação, que são vocações de Brasília”, disse Rollemberg.

As atividades fazem parte do programa Criança Candanga, conjunto de políticas públicas voltadas para a infância e a adolescência em Brasília.

Idealizadora da iniciativa, a colaboradora do governo Márcia Rollemberg definiu o projeto como uma oportunidade em favor da cultura de paz. “Queremos criar esse sentimento de pertencimento e de identidade, com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável e humano no DF”, destacou.

 

Márcia agradeceu ao corpo diplomático a cooperação e colocou os espaços do governo disponíveis para criação de mais vínculos e parcerias com outros países.

O decreto assinado pelo governador estabelece os termos da parceria da Secretaria de Educação, da Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília (TCB) e da Assessoria Internacional do Executivo local com as embaixadas estrangeiras no DF.

 

"Estamos felizes em dar aos nossos alunos a oportunidade de ampliar a visão de mundo para além das salas de aula"

Júlio Gregório Filho, secretário de Educação

“Estamos muito felizes em dar aos nossos alunos a oportunidade de ampliar a visão de mundo para além das salas de aula”, avaliou o secretário de Educação, Júlio Gregório Filho. “É um instrumento para trazer o mundo para Brasília e levar Brasília para o mundo”, resumiu a chefe da Assessoria Internacional, Renata Zuquim, na apresentação do vídeo de promoção do projeto.

A embaixadora de El Salvador no Brasil, Diana Marcela Vanegas, primeira a acolher o projeto, relatou como foi receber os alunos e professores do Varjão. “Lembro dos olhares tímidos, porém cheios de curiosidade e expectativas”, contou.

A salvadorenha confessou que ficou preocupada em como explicaria para crianças do 5º ano a importância de fortalecer as relações diplomáticas entre os países. “Foi mais simples e proveitoso do que imaginávamos. Compartilhamos cultura, história, gastronomia e trabalhamos o que desenvolvemos no dia a dia, foi como um encontro de almas”, definiu.

Para a atriz e embaixadora da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, Maria Paula Fidalgo, a atividade é fundamental para fomentar a união no Brasil e no mundo. “São vínculos de afeto e respeito como este que vão construir uma sociedade amorosa por todo o planeta.”

A coleção de Bonecas do Mundo, da colaboradora do governo Márcia Rollemberg, estiveram expostas durante a cerimônia

A coleção Bonecas do Mundo, da colaboradora do governo Márcia Rollemberg, esteve exposta durante a cerimônia. Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília

Durante a solenidade, a banda marcial e o coral dos alunos do Centro de Ensino Fundamental 11 do Gama entoaram o Hino Nacional e o Hino a Brasília. Na próxima semana, os estudantes da unidade de ensino abrem a agenda do programa no segundo semestre de 2017 com visita à Embaixada de Israel.

Após a assinatura do marco legal, os estudantes da escola do Gama entregaram certificados de participação a representantes das embaixadas de Angola, Argentina, Azerbaijão, Bulgária, Colômbia, El Salvador, Eslovênia, França, Hungria, Índia, República Dominicana e Singapura.

 

Participantes do Embaixadas de Portas Abertas em 2017

17 de agosto      Embaixada de Israel

24 de agosto      Embaixada do Gabão

31 de agosto      Embaixada do Chile

14 de setembro               Embaixada do Paraguai

21 de setembro               Embaixada da Nicarágua

28 de setembro               Embaixada da Argélia

5 de outubro     Embaixada dos Países Baixos

19 de outubro   Embaixada da Coreia (do Sul)

26 de outubro   Embaixada da China

10 de novembro              Embaixada do Vietnã

16 de novembro              Embaixada da Suécia

23 de novembro              Embaixada da Itália

Como funciona o Embaixadas de Portas Abertas

As atividades ocorrerão às quintas-feiras, ocasião em que os alunos conhecerão mais a história, a geografia, a cultura e a língua dos 12 países que até agora já se tornaram parceiros na iniciativa.

As visitas serão feitas durante o ano letivo por alunos selecionados pelas escolas. Embaixadas interessadas em participar devem procurar a Assessoria Internacional do governo de Brasília, por meio do endereço eletrônico Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

Desde a criação do piloto do projeto, em 2015, 500 crianças já participaram das visitas às instituições. A primeira embaixada a receber os estudantes foi a de El Salvador, em 27 de maio de 2015.

 

Objetos do acervo de algumas embaixadas, itens do acervo do Museu de Arte de Brasília e a coleção pessoal de Bonecas do Mundo, da colaboradora do governo Márcia Rollemberg, estiveram expostos para os participantes durante a cerimônia.

 

Fonte: Agência Brasília


Para incentivar estudantes de todo o país a aplicar conceitos de ciências da natureza e matemática em suas comunidades, a Samsung está com inscrições abertas para a quarta edição do Prêmio Respostas para o Amanhã. Alunos do ensino médio de escolas públicas terão até o dia 14 de agosto para cadastrar seus projetos. Os interessados devem se acessar o site www.respostasparaoamanha.com.br e preencher a ficha de inscrição. Na edição de 2016, sob a orientação de aproximadamente 2.600 professores de todo o Brasil, mais de 2.100 inscrições foram realizadas, envolvendo cerca de 37 mil alunos.

Para a realização do programa, a empresa de telefonia conta com a coordenação geral do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária – Cenpec, com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e da Rede Latino-americana de Organizações Sociais para a Educação (Reduca), entre outros parceiros regionais e locais para dar visibilidade aos projetos.

Helvio Kanamaru, gerente sênior de Cidadania Corporativa da Samsung América Latina, apontou algumas áreas de atuação da empresa. “Os esforços globais de cidadania da Samsung abrangem uma variedade de áreas que incluem assistência social, cultura, artes, serviços voluntários, educação e proteção ambiental”, explica. Segundo o diretor, o concurso tem rendido bons projetos ao longo dos últimos anos. “No Brasil o nosso foco é a educação. O prêmio Respostas Para o Amanhã traduz bem esse nosso compromisso. No ano passado, uma empresa criou um projeto que visa gerar renda para a comunidade indígena da aldeia Itapuã-Tupi Guarany, localizada no Vale do Ribeira em São Paulo, a partir do cultivo e da comercialização de palmitos. A proposta ajuda em um meio de subsistência dos índios, além de preservar as áreas desmatadas da aldeia”, complementa Helvio.

Maria Amábile Mansutti, coordenadora técnica do Cenpec, afirma que o diferencial do concurso é a sua proposta pedagógica integradora. De acordo com ela, além de engajar toda a comunidade acadêmica, pretende valorizar a prática dos educadores e gerar benefícios para o local em que as escolas estão inseridas. “É um programa que proporciona uma educação conectada com a realidade e mostra aos estudantes resultados concretos originados por seus projetos, baseados totalmente no aprendizado que obtiveram em sala de aula”, afirma.

Premiação

A comissão julgadora será constituída por especialistas em educação e selecionará os melhores trabalhos apresentados. Todos os classificados receberão um certificado de participação no prêmio. Os 25 projetos de destaque serão contemplados com um notebook para a escola e um selo de vencedor regional da edição do prêmio. Para os cinco vencedores eleitos pelo público, um de cada região, será entregue um troféu “Projeto Vencedor pelo Júri Popular”. Já os cinco vencedores nacionais, selecionados pela banca julgadora, receberão dois notebooks da empresa patrocinadora – um para o professor e outro para o diretor – e tablets da marca para cada aluno da sala, além de troféu de Vencedor Nacional e medalha.

Programa de sucesso

O Prêmio Respostas para o Amanhã é realizado desde 2014. Durante o período, mais de 67 mil alunos da América Latina, orientados por cerca de 7.100 professores, inscreveram mais de 5.900 projetos. Países como Brasil, Argentina, Chile, México, Panamá, Paraguai, Peru e República Dominicana já promoveram o programa para seus alunos.

Serviço

Concurso Respostas Para o Amanhã

Inscrições: de 15 de maio a 14 de agosto de 2017

 

Site: www.respostasparaoamanha.com.br

 

Fonte: Correio Braziliense


Após um mês de recesso, os deputados distritais retomam amanhã a rotina na Câmara Legislativa. Durante o segundo semestre do ano, propostas polêmicas relativas à gestão territorial e ao setor produtivo serão destaque em plenário, com a chegada do projeto da Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos) e da proposição que trata das zonas especiais de interesse social (Zeis), por exemplo. O primeiro refere-se ao planejamento urbano do Distrito Federal — quanto à demarcação e à utilização de espaços — e o segundo, à criação de áreas de regularização e provisão habitacional.
 
 
A lei que cria as zonas especiais de interesse social deve ser a primeira proposta da área a chegar à Casa, em agosto — o projeto já está na Casa Civil, responsável pela formatação final. O texto mapeia dez setores, nos quais serão oferecidas áreas de moradia, por meio do programa Habita Brasília. Com a aprovação da medida, o governo espera atender 21.286 famílias. “O projeto diminuirá de forma expressiva o deficit habitacional do DF”, garante o secretário de Gestão Territorial e Habitação, Thiago de Andrade.
 
A Luos, por sua vez, deve ser encaminhada ao Legislativo local até o fim de agosto. Restam apenas três passos para a finalização do projeto: a consolidação das contribuições reunidas em audiências públicas; a revisão de texto na câmara técnica; e o aval do Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do DF (Conplan).
 
Na prática, o projeto unifica as leis de ocupação do solo vigentes e determina qual deve ser a metodologia para a construção dos lotes em todas as etapas: de como as obras serão disciplinadas ao uso do espaço no futuro. A proposta deixa de fora, porém, áreas em processo de regularização e setores tombados. Nesse último caso, o regimento se dará pelo Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico (PPCub), que deve ser encaminhado à Câmara em novembro e discutido apenas em 2018.
 
A Secretaria de Gestão Territorial e Habitação ainda pretende enviar ao Legislativo local, neste ano, um pacote de propostas para regulamentar as disposições previstas na Medida Provisória 759, convertida na Lei nº 13465/2017, após aprovação do Congresso Nacional, em junho. O pacote prevê mudanças significativas no sistema de regularização fundiária do DF. Destaca-se, por exemplo, que quem 
 
adquiriu, até 22 de dezembro de 2016, lotes em condomínios irregulares localizados em áreas públicas e os mantém desocupados terá o direito de participar da venda direta. Com isso, haverá dispensa do processo licitatório e a negociação acontecerá diretamente com a Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap).
 
Além das propostas pendentes de envio, a Câmara Legislativa analisará o projeto que trata da compensação urbanística e o novo Código de Obras e Edificações, que tramitam na Casa há alguns meses. A expectativa de Thiago Andrade é a aprovação célere de todas as propostas. “São proposições importantes para a população. Todas são aguardadas há muito tempo. Fizemos um longo caminho para idealizá-las, com muito debate entre todas as esferas”, pontua o secretário de Gestão Territorial e Habitação.
 
A oposição ao Palácio do Buriti, no entanto, pretende promover debates durante a tramitação. O deputado Raimundo Ribeiro (PPS) assegurou que as propostas não serão aprovadas de forma “açodada, como no primeiro semestre”. “São assuntos de extrema importância e precisam de debates amplos dentro da própria Casa. Esperamos que o governo tenha entendido que, quando se dá aval às matérias tão rapidamente, há questionamentos judiciais”, disse, referindo-se às proposições que tratam da criação do Instituto Hospital de Base (IHBDF) e do fim dos supersalários, alvos de ações diretas de inconstitucionalidade.
 

Descentralização

 
Mas a gestão de territórios não será o único enfoque da Câmara Legislativa entre agosto e dezembro. Os distritais devem avaliar, ainda, propostas com viés educacional. A pasta responsável pelo setor prepara cinco propostas para cumprir as exigências previstas no Plano Distrital de Educação (PDE). “Aguardamos alguns desses projetos desde 2015. A expectativa é recebê-los e discuti-los junto ao segmento envolvido para que todas as metas sejam atendidas”, disse o presidente da Comissão de Saúde, Educação e Cultura (Cesc), Wasny de Roure.
 
A proposição que trata do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira está na Casa Civil, pronta para ser encaminhada ao Legislativo local desde maio. Na prática, o projeto determina um repasse orçamentário anual do governo às unidades de ensino, que terão autonomia para utilizar os recursos na compra, pela própria direção escolar, de materiais de consumo e na contratação de pessoas físicas ou empresas que realizem serviços de manutenção preventiva ou corretiva nas instalações dos centros educacionais, por exemplo.
 
Também pendente de tramitação, há a proposta que trata de alterações na Lei da Gestão Democrática, cujo texto define instrumentos de participação da sociedade no sistema educacional. Além disso, as minutas relacionadas ao sistema distrital de ensino e à responsabilidade educacional estão em análise no Conselho de Educação. A pasta aguarda essa avaliação para consolidar as versões finais dos projetos.


Cultura

 
O segmento de artistas locais também deve ficar atento aos movimentos do Legislativo local neste semestre. O presidente da Casa, Joe Valle (PDT), pretende colocar em pauta o projeto que cria a Lei Orgânica da Cultura. A proposta deve facilitar o acesso às fontes de recursos, como o Fundo de Apoio à Cultura (FAC). “É um projeto muito aguardado e deve desburocratizar processos. Estamos realizando modificações, mas a matéria logo será levada a plenário”, garantiu Joe.
 
Em trâmite na Câmara Legislativa desde o ano passado, a proposta passou pelas comissões de Educação, Saúde e Cultura (Cesc) e de Assuntos Sociais (CAS), que, juntas, propuseram 113 emendas. O projeto ainda passará pelo crivo do colegiado de Economia, Orçamento e Finanças e de Constituição e Justiça (Ceof).
 
A discussão sobre a polêmica Lei do Silêncio, vigente desde 2015, também deve ser retomada. Autor do projeto, Ricardo Vale (PT) protocolou um substitutivo à proposta inicial, em maio, e aguarda a avaliação da Comissão de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Turismo. O novo documento altera o sistema de fiscalização e aplicação de penalidades, cria regras específicas ao funcionamento de centros religiosos e dos festejos do carnaval, além de permitir que comunidades locais deem o aval à elevação dos decibéis em bares, restaurantes e similares.
 
Na agenda
 
Confira temas que serão discutido no segundo semestre
 
» Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos), que disciplina o planejamento urbano no Distrito Federal
 
» Criação de zonas especiais de interesse social (Zeis), indispensáveis à definição de novas áreas habitacionais
 
» Pacote de propostas para regulamentar as disposições previstas na Medida Provisória 759, que facilita a regularização
 
» Projeto que trata da compensação urbanística e o novo Código de Obras e Edificações, temas de grande interesse do setor produtivo
 
» Lei do Silêncio, em debate há mais de dois anos, que altera o sistema de fiscalização e de aplicação de penalidades
 
Fonte: Correio Braziliense

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